domingo, 18 de maio de 2008

Encantada


Como ela sabe que é amada? Como você mostra que a ama?Como ela sabe que realmente você a ama?
Você não deve nunca ser indiferente.(…)Mostre que ela não está sozinha.Não ache que ela adivinha. Faça com que ela sinta e acredite que a ama.
Todo mundo quer viver e ser feliz pra sempre. Quer saber até que pontoo seu amor é seu.
(“Encantada” - filme)


Foto: Amy Adams in Encantada

sábado, 17 de maio de 2008

Amores


Tenho visto muito amor por aí, amores mesmo, bravios, gigantescos, descomunais, profundos, sinceros, cheios de entrega, doação e dádiva, mas esbarram na dificuldade de se tornar bonito. Apenas isso: bonitos, belos ou embelezados, tratados com carinho, cuidado e atenção. Amores levados com arte e ternura de mãos jardineiras. Aí esses amores que são verdadeiros, eternos e descomunais de repente se percebem ameaçados apenas e tão somente porque não sabem ser bonitos: cobram; exigem; rotinizam; descuidam; reclamam; deixam de compreender; necessitam mais do que oferecem; precisam mais do que atendem; enchem-se de razões. Sim, de razões. Ter razão é o maior perigo no amor. Quem tem razão sempre se sente no direito (e o tem) de reivindicar, de exigir justiça, equidade, equiparação, sem atinar que o que está sem razão talvez passe por um momento de sua vida no qual não possa ter razão. Nem queira. Ter razão é um perigo: em geral enfeia o amor, pois é invocado com justiça mas na hora errada. Amar bonito é saber a hora de ter razão. Ponha a mão na consciência. Você tem certeza que está fazendo o seu amor bonito? De que está tirando do gesto, da ação, da reação, do olhar, da saudade, da alegria do encontro, da dor do desencontro, a maior beleza possível? Talvez não. Cheio ou cheia de razões, você espera do amor apenas aquilo que é exigido por suas partes necessitadas, quando talvez dele devesse pouco esperar, para valorizar melhor tudo de bom que de vez em quando ele pode trazer. Quem espera mais do que isso sofre, e sofrendo deixa de amar bonito. Sofrendo, deixa de ser alegre igual criança. E sem soltar a criança, nenhum amor é bonito. Não tema o romantismo. Derrube as cercas da opinião alheia. Faça coroas de margaridas e enfeite a cabeça de quem você ama. Saia cantando e olhe alegre. Recomendam-se: encabulamentos; ser pego em flagrante gostando; não se cansar de olhar, e olhar; não atrapalhar a convivência com teorizações; adiar sempre, se possível com beijos, "aquela conversa importante que precisamos ter", arquivar se possível, as reclamações pela pouca atenção recebida. Para quem ama toda atenção é sempre pouca. Quem ama feio não sabe que pouca atenção pode ser toda atenção possível. Quem ama bonito não gasta o tempo dessa atenção cobrando a que deixou de ter. Não teorize sobre o amor (deixe isso para nós, pobres escritores que vemos a vida como criança de nariz encostado na vitrine, cheia de brinquedos dos nossos sonhos): não teorize sobre o amor, ame. Siga o destino dos sentimentos aqui e agora. Não tenha medo exatamente de tudo o que você teme, como: a sinceridade; não dar certo; depois vir a sofrer (sofrerá de qualquer jeito); abrir o coração; contar a verdade do tamanho do amor que sente. Jogue pro alto todas as jogadas, estratagemas, golpes, espertezas, atitudes sabidamente eficazes (não é sábio ser sabido): seja apenas você no auge de sua emoção e carência, exatamente aquele você que a vida impede de ser. Seja você cantando desafinado, mas todas as manhãs. Falando besteiras, mas criando sempre. Gaguejando flores. Sentindo o coração bater como no tempo do Natal infantil. Revivendo os carinhos que instruiu em criança. Sem medo de dizer, eu quero, eu gosto, eu estou com vontade. Talvez aí você consiga fazer o seu amor bonito, ou fazer bonito o seu amor, ou bonito fazendo seu amor, ou amar fazendo o seu amor bonito (a ordem das frases não altera o produto), sempre que ele seja a mais verdadeira expressão de tudo o que você é, e nunca, deixaram, conseguiu, soube, pôde, foi possível, ser. Se o amor existe, seu conteúdo já é manifesto. Não se preocupe mais com ele e suas definições. Cuide agora da forma. Cuide da voz. Cuide da fala. Cuide do cuidado. Cuide do carinho. Cuide de você. Ame-se o suficiente para ser capaz de gostar do amor e só assim poder começar a tentar fazer o outro feliz.
(Artur da Távola)

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Linda música, morbidamente falando!!!

Adoro Damien Rice.

Sentir-se amado

O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama.
Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.
Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.
A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?
Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.
Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. "Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho". Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. "Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato."
Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta. 



(Martha Medeiros)

Amor

"...amar é comprar escárnio à custa de gemidos, trocar olhares tímidos por suspiros profundos, um momento de alegria por vinte longas noites, tediosas, cansativas, de vigílias. Quando ganhais, o ganho problemático; se perdeis, adquiris tão-só trabalhos. Em resumo: comprar tolice, apenas, com a razão; ou melhor, se o preferirdes: ser vencida a razão pela tolice".(Shakespeare in 'Os dois Cavalheiros de Verona)

quinta-feira, 15 de maio de 2008

"Meras tentativas, nós. 
Mas doces. 
Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar".

(Caio Fernando Abreu)

Você está longe demais para eu trazê-lo para perto

E alto demais para olhar para baixo
Apenas insistindo em sua dose diária
Eu sei que você nunca precisou de ninguém
Exceto dos papéis para enrolar a sua erva
Como você pode dar o que você não tem?
Você continua indo para o topo
E desiste antes de suar uma gota

Alimente seu cérebro vazio
Com sua maconha hidropônica
Comece jogando com você mesmo
Você se diverte mais dentro de sua concha

Prazer em conhecê-lo, mas eu tenho que seguir meu caminho
Eu vou embora de novo porque eu tenho esperado em vão
Mas você está tão apaixonado por você mesmo
Que se eu digo que meu coração está dolorido
Vai parecer uma metáfora barata
Então eu não repetirei mais isso
Eu preferiria tomar minha sopa com um garfo
Ou dirigir um táxi em Nova Iorque
Porque falar com você é trabalhoso demais
Então qual é o ponto de desperdiçar todas minhas palavras
Se é exatamente igual ou até pior
Que ler poemas para um cavalo

Você continua indo para o topo
E desiste antes de suar uma gota
Alimente seu cérebro vazio
Com sua maconha hidropônica
Eu aposto que você encontrará alguém como você
Porque há um pé para cada sapato

Eu lhe desejo sorte, mas eu tenho outras coisas para fazer
Eu vou embora de novo porque eu tenho esperado em vão
Mas você está tão apaixonado por você mesmo
Que se eu digo que meu coração está dolorido
Vai parecer uma metáfora barata
Então eu não repetirei mais isso

(Shakira)

eu mudei


"Mudei muito, e não preciso que acreditem na minha mudança para que eu tenha mudado".

(Caio Fernando Abreu)

Ontem eu chorei

Ontem, eu chorei.
Voltei pra casa, fui pro meu quarto, sentei na beira da cama,
chutei os sapatos, desabotoei o sutiã
e caí no choro.
Quero que vocês saibam que
eu chorei até meu nariz escorrer molhando a blusa de seda que comprei na liquidação.
Chorei até minha cabeça doer tanto,
que eu mal via a pilha de lenços de papel no chão aos meus pés.
Quero que vocês saibam
que ontem eu chorei pra valer.
Ontem, eu chorei
por todos os dias em que estive ocupada demais, ou cansada demais, ou com raiva demais pra chorar.
Chorei por todos os dias, por todas as formas e por todas as vezes em que desorei, desrespeitei e desliguei meu EU de mim mesma.



Mas meu Eu se refletiu de volta pra mim quando os outros fizeram comigo as mesmas coisas que eu já fizera comigo mesma.
Chorei por todas as coisas que me foram roubadas;
por todas as coisas que eu pedi e que não consegui receber;
por todas as coisas que, depois de conquistar, eu dei a outras pessoas em circunstâncias que me deixaram vazia, gasta e exaurida.
Chorei porque realmente chega um momento em que a única coisa que nos resta é chorar.
Ontem, eu chorei.
(...)
Ontem eu chorei.
Chorei porque feri alguém. Chorei porque fui ferida.
Chorei porque a ferida não tem pra onde ir senão até o mais fundo da dor que a causou,
e quando chega lá ela acorda você.
Chorei porque era tarde demais. Chorei porque tinha chegado a hora.
Chorei porque minha alma sabia que eu não sabia
que minha alma sabia tudo que eu precisava saber.
Chorei um choro espiritual ontem, e esse choro me fez muito bem.
E me fez muito, muito mal.
Em meio ao meu choro, senti minha liberdade vindo,
Porque
Ontem eu chorei sobre cada momento da minha vida".
(Iyanla Vanzant in 'Ontem, eu chorei')

Se

se por acaso
a gente se cruzasse
ia ser um caso sério
você ia rir até amanhecer
eu ia ir até acontecer
de dia um improviso
de noite uma farra
a gente ia viver
com garra

eu ia tirar de ouvido
todos os sentidos
ia ser tão divertido
tocar um solo em dueto
ia ser um riso
ia ser um gozo
ia ser todo dia
a mesma folia
até deixar de ser poesia
e virar tédio
e nem o meu melhor vestido
era remédio

daí vá ficando por aí
eu vou ficando por aqui
evitando
desviando
sempre pensando
se por acaso
a gente se cruzasse...

(Alice Ruiz)

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Liberdade

"Nova era, esta minha, e ela me anuncia para já. Tenho coragem? Por enquanto estou tendo: porque venho do sofrido longe, venho do inferno de amor, mas agora estou livre de ti. Venho do longe - de uma pesada ancestralidade. Eu que venho da dor de viver. E não a quero mais. Quero a vibração do alegre. Quero a isenção de Mozart. Mas quero também a inconseqüência. Liberdade? é meu último refúgio, forcei-me à liberdade e aguento-a não como um dom, mas com heroísmo: sou heroicamente livre. Eu quero o fluxo. Não é confortável o que te escrevo. Não faço confidências. Antes me metalizo. E não te sou e me sou confortável; minha palavra estala no espaço do dia. O que saberás de mim é a sombra da flecha que se fincou no alvo. Só pegarei inutilmente uma sombra que não ocupa lugar no espaço, e o que apenas importa é dardo. Construo algo isento de mim e de ti - eis a minha liberdade que leva à morte." (Clarice Linspector)

Hoje


"Hoje a saudade me visitou...mesmo que longe, mesmo que dolorido,foi tua lembrança que me alimentou"...
(Angela Lara)

Que ironia, não?



O amor da minha vida eu encontrei, tem nome, é de carne e osso, e me ama também. Agora falta encontrar alguém com quem possa me relacionar. É que o homem da minha vida não cabe em mim e eu não caibo nele. Não basta que a gente se queira há muitos anos. Não basta nossos namoros longos, os rompimentos e a teimosia de desejar mais daquilo que não há de ser.
Não presta que ele me visite pra acabar com as saudades e fuja correndo de pernas bambas e um bumbo no peito. Não importa que eu esqueça meu nome depois, nem que me perca num oco, ou que os sentimentos corram de ambos os lados, intensos e desarvorados. Não basta que haja amor para se viver um amor. Eu e ele somos as cruzadas da idade média, o Osama e o Tio Sam, o preto e o branco da apartheid, o falcão e o lobo, o Feitiço de Áquila. Seus mistérios me perturbam e minha clareza o ofusca. Tenho fascínio pelo plutão que ele habita, e ele vive intrigado por minha vênus, mas quando eu falo vem, ele entende vai. Enquanto ele avista o mar eu olho pra montanha. Quando um se sente em paz o outro quer a guerra. É preciso me traduzir a cada centímetro do caminho enquanto ele explica que eu também não entendi nada. 
(Maitê Proença)

Música tema do Filme Romeo + Julieta versão 1996 do diretor Baz Luhrmann.

Curiosidade: A própria cantora Des'ree, numa participação especial, canta 'Kissing You' na cena do Baile que ocorre na Mansão dos Capuletos.
E agora é a música atual do Blog, aí vai a tradução:




"Beijando você"


O orgulho aguenta um milhão de provas
Não cai nunca o que é forte
Mas vendo estrelas longe de ti
Minha alma chorou.
O coração entristecido está cheio de dor
De dor...


Porque eu estou beijando você
Eu estou beijando você, amor
Toca-me fundo
E pureza e verdade
Meu presente eterno.
Porque eu estou beijando você
Eu estou beijando você

Onde você está agora ?
Onde você está agora ?
Porque eu estou beijando você
Eu estou beijando você

Foto: Leonardo DiCaprio e Claire Danes in Romeo & Juliet

"Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.Que o outro sinta quanto me dóia idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida.Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ”Olha que estou tendo muita paciência com você!”Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher. "(Lya Luft)

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