quarta-feira, 7 de abril de 2010

A primeira vez que li esse poema foi em 1997, eu fazia 7ª série, desde então, sou apaixonada por ele, lembro-me de recitá-lo com minhas amigas anos a fio. Tinha me esquecido dele, mas remexendo nas minhas coisas, achei o livro de poesia de   Gonçalves Dias. No livro que eu tenho, faz-se uma breve explicação a respeito da poesia: "Escrita entre 18 e 21 de maio de 1855 em Lisboa, após casual encontro de rua com Ana Amélia, que se havia casado em São Luís, com um negociante, o qual, falindo, se retirara para Portugal. Nestes versos, que são o mais comovido poema de amor de toda sua obra, instrui-nos o Poeta sobre os sentimentos que três anos antes o fizeram renunciar a própra felicidade."

                     I
Enfim te vejo! - enfim posso,
Curvado a teus pés, dizer-te,
Que não cessei de querer-te,

Pesar de quanto sofri.
Muito penei! Cruas ânsias,
Dos teus olhos afastado,
Houveram-me acabrunhado
A não lembrar-me de ti!
                 
                     II
Dum mundo a outro impelido,
Derramei os meus lamentos
Nas surdas asas dos ventos,
Do mar na crespa cerviz!
Baldão, ludíbrio da sorte
Em terra estranha, entre gente,
Que alheios males não sente,
Nem se condói do infeliz!


                      III
Louco, aflito, a saciar-me
D'agravar minha ferida,
Tomou-me tédio da vida,
Passos da morte senti;
Mas quase no passo extremo,
No último arcar da esperança,
Tu me vieste à lembrança:
Quis viver mais e vivi!


                      IV
Vivi; pois Deus me guardava
Para este lugar e hora!
Depois de tanto, senhora,
Ver-te e falar-te outra vez;

Rever-me em teu rosto amigo,
Pensar em quanto hei perdido,
E este pranto dolorido
Deixar correr a teus pés.


                      V
Mas que tens? Não me conheces?
De mim afastas teu rosto?
Pois tanto pôde o desgosto
Transformar o rosto meu?

Sei a aflição quanto pode,
Sei quanto ela desfigura,
E eu não vivi na ventura...
Olha-me bem, que sou eu!

                      VI
Nenhuma voz me diriges!...
Julgas-te acaso ofendida?
Deste-me amor, e a vida
Que me darias - bem sei;
Mas lembrem-te aqueles feros
Corações, que se meteram
Entre nós; e se venceram,
Mal sabes quanto lutei!

                      VII
Oh! se lutei!... mas devera
Expor-te em pública praça,
Como um alvo à populaça,
Um alvo aos dictérios seus!
Devera, podia acaso
Tal sacrifício aceitar-te
Para no cabo pagar-te,
Meus dias unindo aos teus?

                      VIII
Devera, sim; mas pensava,
Que de mim t'esquecerias,
Que, sem mim, alegres dias
T'esperavam; e em favor
De minhas preces, contava
Que o bom Deus me aceitaria
O meu quinhão de alegria
Pelo teu, quinhão de dor!

                      IX
Que me enganei, ora o vejo;
Nadam-te os olhos em pranto,
Arfa-te o peito, e no entanto
Nem me podes encarar;

Erro foi, mas não foi crime,
Não te esqueci, eu to juro:
Sacrifiquei meu futuro,
Vida e glória por te amar!


                      X
Tudo, tudo; e na miséria
Dum martírio prolongado,
Lento, cruel, disfarçado,
Que eu nem a ti confiei;
"Ela é feliz (me dizia)
"Seu descanso é obra minha."
Negou-me a sorte mesquinha...
Perdoa, que me enganei!

                      XI
Tantos encantos me tinham,
Tanta ilusão me afagava
De noite, quando acordava,
De dia em sonhos talvez!
Tudo isso agora onde pára?
Onde a ilusão dos meus sonhos?
Tantos projetos risonhos,
Tudo esse engano desfez!

                      XII
Enganei-me!... - Horrendo caos
Nessas palavras se encerra,
Quando do engano, quem erra.
Não pode voltar atrás!

Amarga irrisão! reflete:
Quando eu gozar-te pudera,
Mártir quis ser, cuidei qu'era...
E um louco fui, nada mais!

                      XIII
Louco, julguei adornar-me
Com palmas d'alta virtude!
Que tinha eu bronco e rude
C'o que se chama ideal?
O meu eras tu, não outro;
Stava em deixar minha vida
Correr por ti conduzida,
Pura, na ausência do mal.

                      XIV
Pensar eu que o teu destino
Ligado ao meu, outro fora,

Pensar que te vejo agora,
Por culpa minha, infeliz;
Pensar que a tua ventura
Deus ab eterno a fizera,
No meu caminho a pusera...
E eu! eu fui que a não quis!

                      XV
És doutro agora, e pr'a sempre!
Eu a mísero desterro
Volto, chorando o meu erro,

Quase descrendo dos céus!
Dói-te de mim, pois me encontras
Em tanta miséria posto,
Que a expressão deste desgosto
Será um crime ante Deus!

                      XVI
Dói-te de mim, que t'imploro
Perdão, a teus pés curvado;
Perdão!... de não ter ousado
Viver contente e feliz!

Perdão da minha miséria,
Da dor que me rala o peito,
E se do mal que te hei feito,
Também do mal que me fiz!

                      XVII
Adeus qu'eu parto, senhora;
Negou-me o fado inimigo
Passar a vida contigo,
Ter sepultura entre os meus;
Negou-me nesta hora extrema,
Por extrema despedida,
Ouvir-te a voz comovida
Soluçar um breve Adeus!

                      XVIII
Lerás porém algum dia
Meus versos d'alma arrancados,
D'amargo pranto banhados,
Com sangue escritos; - e então
Confio que te comovas,
Que a minha dor te apiade
Que chores, não de saudade,
Nem de amor, - de compaixão.

[Gonçalves Dias - Poesia - Coleção Nossos Clássicos]

terça-feira, 6 de abril de 2010

Meu amor

"Pequeno grande amor...que gerou toda sorte de reflexão.
Se fosse apenas um pequeno amor passaria longe do meu epicentro.
Se fosse um grandíssimo amor estaria tudo ao meu redor devastado, mas foi um pequeno grande amor daqueles que têm tamanhos para todos os lados e só podem ser medidos por dentro."
[Martha Medeiros]

Ame, viva, voe


"Não sei amar pela metade,
não sei viver de mentiras,
não sei voar com os pés no chão".
[Clarice Lispector]


 Pra quem tem medo de dizer o que sente, gente, vamos soltar o verbo, não espere o tempo passar, não espere retorno, simplesmente ame, mas não esqueça de se amar primeiro hein, isso não vale para aqueles amores em que esquecemos de nós mesmos. Pra amar de verdade, tem que se amar e então se dar e dar amor.

"Eu te amei muito. Nunca disse, como você também não disse, mas acho que você soube. Pena que os grandes e as cucas confusas não saibam amar. Pena também que a gente se envergonhe de dizer, a gente não devia ter vergonha do que é bonito. Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenho — pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim."

[Caio Fernando Abreu]

Chegaram meus livros que comprei pelo Submarino....
Não vou ter tempo de ler, semana que vem começam minhas provas e tô estudando feito louca. Bem, os que comprei foram:

- Como treinar o seu Dragão de Cressida Cowell, não sei se é bom, mas como saiu o filme agora em 3D, quero saber a história antes, como sempre né?
- O Símbolo Perdido de Dan Brown, tô muito curiosa, esse tempo todo e ainda não li.
Comprei o primeiro livro da Série Crônicas Saxônicas, O Último Reino do Bernard Cornwell, vou voltar a ler as minhas sagas medievais, o ruim é que os livros dele são tão caros e eu não tenho muita paciência de ler e-book pelo computador, eu gosto de sentir o livro, o cheiro, sei lá, loucura minha. Mas, comprei ao menos o primeiro da saga, quando for surgindo dinheiro, vou comprando o resto, acredito que vou gostar pois adorei a saga  Crônicas de Artur, muiiito bom. Já fiz comentários sobre ela aqui no blog.
- E por útlimo, mas não menos importante...Indomada, P.C. Cast e Kristin Cast, esse eu não vou esperar mais, assim que chegar da faculdade vou começar a ler, daqui pra amanhã eu termino, tô muito ansiosa por esse  4º livro da Série House of the Night, nada de esperas.

Ah, uma dica, pra quem não leu e está interessado em comprar a Trilogia do Senhor dos Anéis, o preço tá uma pechincha no Submarino: 28,90 R$ os três livros, olha o link dos livros: Submarino.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Não consigo

"Mas comigo é sempre assim: muito juízo, sempre, sempre eu digo, mas eu sei que nunca consigo. Pois é, lá ia eu feliz da vida, tão despreocupadamente e de repente eu pensei: 'me enganei, não sei'. Muito juízo, sempre, sempre eu digo, mas eu não consigo."

[Lewis Carroll in Alice no País das Maravilhas]

Amor


- O amor, então, não é um filme falado?

- Não. Muito ao contrário: o amor é gesto e silêncio.
[Edson Athayde]

domingo, 4 de abril de 2010

Amor fatal

"Que te importam meus sonhos, que te importam meus amores? Sim, tens razão! Que importa à água do deserto e à gazela do areal que o árabe tenha sede ou que o leão tenha fome? Mas a sede e a fome são fatais. O amor é como eles; entendes-me agora?" 

[Álvares de Azevedo in Noite na Taverna]

"Eu poderia lher contar as minhas aventuras... a partir de hoje de manhã", disse Alice um pouco tímida, "mas não adianta voltar atrás para ontem, porque eu era então uma pessoa diferente."

[Lewis Carroll in Alice no País das Maravilhas]

Quem sou eu?

"Como tudo é esquisito hoje! E ontem tudo era exatamente como de costume. Será que fui eu que mudei à noite? Deixe-me pensar: Eu era a mesma quando me levantei hoje de manhã? Estou quase achando que posso me lembrar de me sentir um pouco diferente. Mas, se eu não sou a mesma, a próxima pergunta é: "Quem é que eu sou?" Ah, essa é a grande charada."

[Lewis Carroll in Alice no País das Maravilhas]

P.S. Eu tinha esse livro há um bom tempo, já tinha dado uma folheada, assistido ao desenho da Disney, mas nunca tinha parado pra ler, até que nesse feriado, devido ao lançamento do filme do TIM BURTON baseado na obra do Lewis Carroll e a minha imensa curiosidade,  resolvi dedicar um tempo a ler o livro, antes de assistir o filme. Gostei, é uma leitura intrigante, acho que essa é a palavra correta, nos faz reflitir sobre nós mesmos. Tem alguns pontos infantis, mas é como um estudo da nossa vida e escolhas.

"A vida é maravilhosa, mesmo quando dolorida. Eu gostaria que na correria da época atual a gente pudesse se permitir, criar, uma pequena ilha de contemplação, de autocontemplação, de onde se pudesse ver melhor todas as coisas: com mais generosidade, mais otimismo, mais respeito, mais silêncio, mais prazer. Mais senso da própria dignidade, não importando idade, dinheiro, cor, posição, crença. Não importando nada."

[Lya Luft in:"O ponto cego]

Feliz Páscoa

sábado, 3 de abril de 2010

DECLARO-ME VIVO!


Saboreio cada momento.

Antigamente me preocupava quando os outros falavam mal de mim. Então fazia o que os outros queriam, e a minha consciência me censurava. Entretanto, apesar do meu esforço para ser bem educado, alguém sempre me difamava. Como agradeço a essas pessoas, que me ensinaram que a vida é apenas um cenário! Desse momento em diante, atrevo-me a ser como sou.

A árvore anciã me ensinou que somos todos iguais.
Sou guerreiro: a minha espada é o amor, o meu escudo é o humor, o meu espaço é a coerência, o meu texto é a liberdade.

Perdoem-me, se a minha felicidade é insuportável, mas não escolhi o bom senso comum. Prefiro a imaginação dos índios, que tem embutida a inocência.

É possível que tenhamos que ser apenas humanos. Sem Amor nada tem sentido, sem Amor estamos perdidos, sem Amor corremos de novo o risco de estarmos caminhando de costas para a luz. Por esta razão é muito importante que apenas o Amor inspire as nossas ações.

Anseio que descubras a mensagem por detrás das palavras; não sou um sábio, sou apenas um ser apaixonado pela vida.

A melhor forma de despertar é deixando de questionar se nossas ações incomodam aqueles que dormem ao nosso lado.

A chegada não importa, o caminho e a meta são a mesma coisa.
Não precisamos correr para algum lugar, apenas dar cada passo com plena consciência.

Quando somos maiores que aquilo que fazemos, nada pode nos desequilibrar.
Porém, quando permitimos que as coisas sejam maiores do que nós, o nosso desequilíbrio está garantido.

É possível que sejamos apenas água fluindo; o caminho terá que ser feito por nós. Porém, não permitas que o leito escravize o rio, ou então, em vez de um caminho, terás um cárcere.

Amo a minha loucura que me vacina contra a estupidez.
Amo o amor que me imuniza contra a infelicidade que prolifera, infectando almas e atrofiando corações.


As pessoas estão tão acostumadas com a infelicidade, que a sensação de felicidade lhes parece estranha. As pessoas estão tão reprimidas, que a ternura espontânea as incomoda, e o amor lhes inspira desconfiança.

A vida é um cântico à beleza, uma chamada à transparência.

Peço-lhes perdão, mas… DECLARO-ME VIVO!!!

[Chamalú, Índio Quéchua]

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Um amigo me mandou um e-mail, com essa mensagem belíssima. Na mensagem afirma que Chico Xavier costumava ter em cima de sua cama uma placa escrita:
"ISSO TAMBÉM VAI PASSAR"
Aí perguntaram para ele o porquê disso. E ele disse que era para se lembrar que quando estivesse passando por um momento RUIM poder se lembrar de que eles iriam embora. Que iria passar. E que ele teria que passar por aquilo por algum motivo.
Mas, essa placa também era para lembrá-lo que quando estivesse muito feliz, não deveria deixar tudo para trás e se deixar levar, porque esses momentos também iriam PASSAR e momentos difíceis também viriam de novo.
E é exatamente disso que a vida é feita. MOMENTOS. Momentos os quais temos que passar, sendo bons ou não, para o nosso próprio aprendizado. Por algum motivo nunca esquecemos do mais imaportante. NADA É POR ACASO.
Não estamos aqui por acaso, não conhecemos as pessoas por acaso, não vivemos por acaso... Tudo acontece por algum motivo, e o que tiver que acontecer vai acontecer e nada nem ninguém vai mudar isso.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Sou assim

Sou convencional, apesar de não ser normal. Se eu me corto, eu sangro. Se bato o dedo no pé da mesa, dói. Sou uma pessoa comum. Acredito no 'até que a morte nos separe' e também no 'eterno enquanto dure'. Acredito que, se eu sou capaz de ser fiel, alguém mais pode ser. Acredito que eu não sou uma laranja, mas preciso da minha outra metade pra me sentir inteira. Valorizo as pequenas atitudes, assim como condeno pequenas mancadas. Sou rancorosa, guardo por anos uma coisa que me magoou de verdade. Sei perdoar. Passo por cima dos erros pra ficar junto das pessoas que eu gosto. Tenho meus limites. O primeiro deles é meu amor-próprio. Perdôo uma vez, porque errar é humano. Perdôo duas porque o ser humano é estúpido às vezes. Mas não posso viver perdoando, porque isso seria incompetência minha.

[Brena Braz]
Foto: Keira Knightley

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