terça-feira, 16 de agosto de 2011

"A vida simplesmente vai em frente 
e faz o que tem vontade, 
sempre que tem vontade."

[Marian Keyes in Melancia]

terça-feira, 9 de agosto de 2011



Você tem medo de se apaixonar. Medo de sofrer o que não está acostumada. Medo de se conhecer e esquecer outra vez. Medo de sacrificar a amizade. Medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mude de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros. Medo se o telefone toca, se o telefone não toca. Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo. Medo de se sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente. Não suportar ser olhada com esmero e devoção. Nem os anjos, nem Deus agüentam uma reza por mais de duas horas. Medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen, de ser tragada como se fosse leve. Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida. Medo de enfrentar a infância, o seio que criou para aquecer as mãos quando criança, medo de ser a última a vir para a mesa, a última a voltar da rua, a última a chorar. Você tem medo de se apaixonar e não prever o que pode sumir, o que pode desaparecer. Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que seja um pilantra, incerta do que realmente quer, talvez todos em um único homem, todos um pouco por dia. Medo do imprevisível que foi planejado. Medo de que ele morda os lábios e prove o seu sangue. Você tem medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. O corpo mais lado da fraqueza. Medo de que ele seja o homem certo na hora errada, a hora certa para o homem errado. Medo de se ultrapassar e se esperar por anos, até que você antes disso e você depois disso possam se coincidir novamente. Medo de largar o tédio, afinal você e o tédio enfim se entendiam. Medo de que ele inspire a violência da posse, a violência do egoísmo, que não queira repartir ele com mais ninguém, nem com seu passado. Medo de que não queira se repartir com mais ninguém, além dele. Medo de que ele seja melhor do que suas respostas, pior do que as suas dúvidas. Medo de que ele não seja vulgar para escorraçar mas deliciosamente rude para chamar, que ele se vire para não dormir, que ele se acorde ao escutar sua voz. Medo de ser sugada como se fosse pólen, soprada como se fosse brasa, recolhida como se fosse paz. Medo de ser destruída, aniquilada, devastada e não reclamar da beleza das ruínas. Medo de ser antecipada e ficar sem ter o que dizer. Medo de não ser interessante o suficiente para prender sua atenção. Medo da independência dele, de sua algazarra, de sua facilidade em fazer amigas. Medo de que ele não precise de você. Medo de ser uma brincadeira dele quando fala sério ou que banque o sério quando faz uma brincadeira. Medo do cheiro dos travesseiros. Medo do cheiro das roupas. Medo do cheiro nos cabelos. Medo de não respirar sem recuar. Medo de que o medo de entrar no medo seja maior do que o medo de sair do medo. Medo de não ser convincente na cama, persuasiva no silêncio, carente no fôlego. Medo de que a alegria seja apreensão, de que o contentamento seja ansiedade. Medo de não soltar as pernas das pernas dele. Medo de soltar as pernas das pernas dele. Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir. Medo da vergonha que vem junto da sinceridade. Medo da perfeição que não interessa. Medo de machucar, ferir, agredir para não ser machucada, ferida, agredida. Medo de estragar a felicidade por não merecê-la. Medo de não mastigar a felicidade por respeito. Medo de passar pela felicidade sem reconhecê-la. Medo do cansaço de parecer inteligente quando não há o que opinar. Medo de interromper o que recém iniciou, de começar o que terminou. Medo de faltar as aulas e mentir como foram. Medo do aniversário sem ele por perto, dos bares e das baladas sem ele por perto, do convívio sem alguém para se mostrar. Medo de enlouquecer sozinha. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha. Você tem medo de já estar apaixonada.

[Fabrício Carpinejar]



"O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranquila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: “Se eu fosse você” A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina.
Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção."


[Rubem Alves in O amor que acende a lua] 
Foto: Adam Brody e Rachel Bilson in The O.C


"Você me deixa assim, em estado de plenitude. 
Existe entre nós uma cumplicidade, 
que muda o rumo do nosso encontro. 
Eu quero que o tempo passe devagarzinho, 
para que eu sinta aos pouquinhos esse seu amor."

[Denise Portes]

segunda-feira, 8 de agosto de 2011


"Eu não tenho muitas respostas. O que eu tenho é fé. A lembrança de que as  perguntas mudam. Um modo de acreditar que os tiquinhos de sol possam sorrir o suficiente para desarmar a sisudez nublada de alguns céus."
[Ana Jácomo]

Deixa eu me livrar das minhas marcas
Deixa eu me lembrar de criar asas...

[Fernando Anitelli]

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A música me faz sair do meu mundo medíocre
                        e entrar num outro,de beleza e formas perfeitas... 
Ouvir música é oração... Música é parte de mim.

[Rubem Alves]

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

“...que eu possa estender a mão devagar sobre a mesa para tocar a mão quente do outro lado e sentir uma resposta como – eu estou aqui, eu te toco também.”

[Caio Fernando Abreu] 

"Lembrei-me das primeiras vezes em que as coisas iam mal e não tinha lugar para onde ir. Talvez isso me tenha feito bem. Antes era assim. Mas agora não estava interessado no que era bom para mim. Estava sobretudo interessado em como me sentia e em como evitar sofrer quando as coisas corriam mal. Sobretudo como sentir-me bem de novo."

[Charles Bukowski in Mulheres]

"Às vezes, ao ter que decidir entre fugir ou enfrentar, até os mais fortes de nós fogem. Os instintos animais servem bem para os animais. Mas nós somos humanos e cometemos erros. Para os lobos solitários entre nós, se preservar é fácil, pois eles não estão preservando um relacionamento. E diferente dos animais, nossas emoções tendem a embaçar nossa visão. Nós queremos ser cuidadosos, não só com nós mesmos, mas uns com os outros. Até que percebemos que, no fim, homens e animais são todos sozinhos. E que temos que lutar por nós mesmos." 


[Men in Trees - Episódio 2.05]

Eu tenho sonhos, mas não hoje. Feche a porta e apague a luz, por favor. – E se o telefone tocar diga que eu morri que estou mortinha da silva, estirada no chão da sala com o coração na mão. Diga que retirei meu coração com a mão – ele estava doendo de mais!


[Caio Fernando Abreu] 

Foto: Nina Dobrev

terça-feira, 2 de agosto de 2011

... e mesmo não sabendo o que amor significa, sei o que representa. É o que nos faz no meio de uma multidão destacar alguém que se torna essencial para nosso bem estar, e o nosso para o dele. É receber uma atenção exclusiva e ofertá-la na mesma medida. Ter uma intimidade milagrosa com a alma de alguém, com o corpo de alguém, e abrir-se para essa mesma pessoa de um jeito que não se conseguiria jamais abrir-se para si mesmo, porque só o outro tem a chave desse cofre. O amor é uma subversão e seu vigor nunca será encontrado em amizades ou parentescos. Todas as palavras já foram usadas para defini-lo: magia, surpresa, visceralidade, entrega, completude, requinte, deslumbre, sorte, conforto, poesia, aposta, amasso, gozo.
Amar prescinde de entendimento...

[Martha Medeiros in Fora de mim]


"Para falar ao vento bastam palavras.
                   Para falar ao coração, é preciso obras."

[Padre Antonio Vieira]

"As mulheres demoram mais a apaixonar-se — mas também resistem mais ao processo de desenamoramento", dizias, num registo clínico que normalmente não aplicavas a generalizações. Mas talvez estivesses certo. As mulheres trabalham para tudo, até para o amor. Exigem uma infinita construção de rituais, conversas, uma certa familiaridade com o mistério. São muito menos tolerantes com o imprevisível quotidiano e de uma extrema tranquilidade face às grandes desolações. Eu irritava-me por uma miríade de pequenas coisas que tu resolvias suavemente. Mas era incapaz de mentir, trair, sair da verdade de mim sequer para me iluminar com um rosto súbito."


[Inês Pedrosa in Fazes-me falta]
Foto:  Lindsay Lohan

"Posso adormecer um sonho, mas vira e mexe vou até ele e mostro que ainda estou aqui. Outras vezes finjo que esqueci da sua existência, mas o amarro bem perto pra ele não fugir. Muitos sonhos vão sobrevoar nossa vida e aqui do chão parecerão impossíveis de serem alcançados. Mas eu não desisto e estendo meu braço. Além disso, os obstáculos do cotidiano vão cortar as asas do nosso pensamento fazendo muito do que queremos tornar-se impossível. É verdade, pode ser que eu de fato não consiga chegar até eles, mas a confiança já faz de mim uma pessoa bem melhor."

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