quarta-feira, 5 de outubro de 2011

"Se tinha de estar só, faria da solidão sua armadura."

[R.R. Martin in “As Crônicas de Gelo e Fogo Livro 1: A Guerra dos Tronos”]

"Há algo em mim que não desaprende esse caminho. Que segue, quando, aparentemente, eu paro. Que continua a luzir, mesmo quando eu tropeço nas minhas sombras. Há algo em mim que me salva de mim. Que me leva pela mão para brincar. Para conhecer o que continua vivo e belo além de toda e qualquer gaiola. Além dos meus tempos de muda. Algo que me mostra uma paz intensa e verdadeira. Que não me deixa esquecer que continuo a ter asas, mesmo quando eu não voo..."

[Ana Jácomo]

terça-feira, 4 de outubro de 2011

"Tantas vezes, tantas, como agora, me tem pesado sentir que sinto – sentir como angústia só por ser sentir, a inquietação de estar aqui, a saudade de outra coisa que se não conheceu, o poente de todas as emoções… Ah, quem me salvará de existir? Não é a morte que quero, nem a vida: é aquela outra coisa que brilha no fundo da ânsia…”

[Fernando Pessoa in O Livro do Desassossego]

"Nenhuma luta haverá jamais de me embrutecer, 
nenhum cotidiano será tão pesado a ponto de me esmagar, 
nenhuma carga me fará baixar a cabeça. 
Quero ser diferente, eu sou, e se não for, me farei." 

[Caio Fernando Abreu]

"Acorde, garota! Você é linda, inteligente, tem um ótimo perfume e seus olhos brilham mais que um punhado de purpurina. Por que chora? Perdeu em alguma esquina seu encanto?! Ninguém pode tirar de você seu mais belo sorriso, motivo de idas e vindas saltitantes. Coloque sua música favorita para tocar, respire fundo e faça o que de melhor sabe fazer: ser você." 

[Caio Fernando Abreu]

domingo, 2 de outubro de 2011

Amar é punk!

[...]
Relacionamento a gente constrói. Dia após dia. Dosando paciência, silêncios e longas conversas. Engraçado que quando a gente pára de acreditar em “amor da vida”, um amor pra vida da gente aparece. Sem o glamour da alma gêmea. Sem as promessas de ser pra sempre. Sem borboletas no estômago. Sem noites de insônia. É uma coisa simples do tipo: você conhece o cara. Começa, aos poucos, a admirá-lo. A achá-lo FODA.

E, quando vê, você tá fazendo coraçãozinho com a mão igual uma pangaré
[...]
Adeus expectativas irreais, adeus sonhos de adolescente. Ele vai esquecer todo mês o aniversário de namoro, mas vai se lembrar sempre que você gosta do seu pão-de-sal bem branco (e com muito queijo). Ele não vai fazer declarações românticas e jantares à luz de vela, mas vai saber que você está de TPM no primeiro “Oi”, te perdoando docemente de qualquer frase dita com mais rispidez.

Ah, gente, sei lá. Descobri que gosto mesmo é do tal amor. DA PAIXÃO, NÃO. Depois de anos escrevendo sobre querer alguém que me tire o chão, que me roube o ar, venho humildemente me retificar. Eu quero alguém que divida o chão comigo. Quero alguém que me traga o fôlego. Entenderam? Quero dormir abraçada sem susto.Quero acordar e ver que (aconteça o que acontecer), tudo vai estar em seu lugar. Sem ansiedades. Sem montanhas-russas.Antes eu achava que, se não tivesse paixão, eu iria parar de escrever, minha inspiração iria acabar e meus futuros livros iriam pra seção B da auto-ajuda, com um monte de margaridinhas na capa. Mas, CARAMBA! Descobri que não é nada disso. Não existe nada mais contestador do que amar uma pessoa só. Amar é ser rebelde. É atravessar o escuro. É, no meu caso, mudar o conceito de tudo o que já pensei que pudesse ser amor. Não, antes era paixão. Antes era imaturidade.Antes era uma procura por mim mesma que não tinha acontecido.Sei que já falei muito sobre amor, acho que é o grande tema da vida da gente. Mas amor não é só poesia e refrões. 

Amor é RECONSTRUÇÃO. É ritmo. Pausas. Desafinos. E desafios.Demorei anos pra concordar com meu querido (e sempre citado) Cazuza: “eu quero um amor tranqüilo, com sabor de fruta mordida”.Antes, ao ouvir essa música, eu sempre pensava (e não dizia): porra, que tédio!Ah, Cazuza! Ele sempre soube. Paixão é para os fracos. Mas amar - ah, o amor! - AMAR É PUNK.

[Fernanda Mello]

sábado, 1 de outubro de 2011

"Hoje, com toda minha birutice e uma vontade de aprender que não acaba, eu pego minhas fraquezas. Deixo-as enfileiradas. E as estudo como se minha vida dependesse disso. Com o auto-controle nas mãos, um depósito debaixo do braço e nossos inimigos internos dormindo, podemos - quem sabe? - nos tornar guerreiros impecáveis. Ou - se não - apenas sorrir mais. O que pra mim já vale a luta. Ou uma vida inteira."

[Fernanda Mello]

A vida não vai acontecer só quando o quando chegar. Ela vive acontecendo a mil por hora enquanto o quando não vem. A gente precisa parar de colocar tudo na mão do coitado do futuro. O presente sofre com isso. Fica enciumado. Também temos a péssima mania de achar que o passado era o mais legal de todos. Nossa memória, curta, tem um filtro. Guarda o que foi bom e deleta as partes feias. 
Na vida, minha amiga, a gente tem que andar com o Plano B dentro da nécessaire. Porque o mundo não para de girar. E o quando pode não chegar como você espera.

[Clarissa Corrêa]

"Mas é o que devemos continuar fazendo. 
Despir nossa alma e mostrar pra valer quem somos, 
o que trazemos por dentro. 
Não conheço strip-tease mais sedutor."


[Martha Medeiros]

A vida é provocação. Se um dia me grita que é curta, manda em seguida a mensagem de que é preciso saber esperar. Avança e recua, oferece e retira, para nos medir, não a força, mas a capacidade de brincar.
[...]
Não importa o quão irritante isso tudo me pareça. Nada vai mudar o fato de que não se toca o tempo com a mão. Não posso empurrá-lo ou puxá-lo, ele não vai nem vem, não pode que lhe sejam.
Admito, tenho pressa. Mas é pressa de chegar em casa e finalmente descansar. Pressa de ter calma. Pressa e sempre inimiga. É que nessa correria feia, por mais vezes me perco no caminho, sem conseguir chegar.
[,,,]
O tempo, em seu ritmo criança, nos faz todo dia o mesmo convite a viver delicadas repetições e, assim, sorver a essência sutil do que não é feito.

Espero que eu, sempre tão rápida, não aprenda tarde demais.

[Cristiana Guerra]


Foto: Kate Winslet

"[...] Emendar balada com trabalho já não é tão simples assim; A gente finalmente entende que não adianta espernear que ele não volta; Conselho de mãe finalmente começa a fazer sentido; A gente percebe que homem misterioso/confuso na verdade é um porre; A companhia é mais importante que o lugar; A baladinha da moda que TODO MUNDO vai é o último lugar que você quer ir; A gente se da conta que é mortal e as pessoas que amamos também (portanto, reclame menos e aproveite mais); O que as pessoas falam sobre você realmente não interessa (a não ser que seja um amigo ou parente muito querido);Você pode não ter ficado mais confiante, mas você disfarça bem que é uma beleza; Ser feliz fica mais simples e você começa a dar valor ao que realmente tem."

[texto da maravilhosa Fernanda Gaona]

Toma-me

Toma-me.
A tua boca de linho sobre a minha boca Austera.
Toma-me AGORA, ANTES
Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes
Da morte, amor, da minha morte, toma-me
Crava a tua mão, respira meu sopro, deglute
Em cadência minha escura agonia.
Tempo do corpo este tempo. Da fome
Do de dentro. Corpo se conhecendo, lento,
Um sol de diamante alimentando o ventre,
O leite da tua carne, a minha
Fugidia.
E sobre nós este tempo futuro urdindo
Urdindo a grande teia. Sobre nós a vida
A vida se derramando. Cíclica. Escorrendo.
Te descobres vivo sob um jogo novo.
Te ordenas. E eu delinqüescida: amor, amor,
Antes do muro, antes da terra, devo
Devo gritar a minha palavra, uma encantada
Ilharga
Na cálida textura de um rochedo. Devo gritar
Digo para mim mesma. Mas ao teu lado me estendo
Imensa

De púrpura. De prata. De delicadeza.

[Hilda Hilst]

Foto: Keira Knightley

"Até que num belo momento, depois de muito cansaço, depois de muito doer,  depois de muita neblina, depois de muita busca, sobretudo, a gente descobre,  contente que nem criança diante de novidade, onde o amor estava o tempo todo. Onde estava a chave. Onde estava o alimento. Maravilhados, começamos a cuidar de nós mesmos. Começamos a dedicar carinho e delicadeza a nós mesmos, esses que pensávamos que podiam vir somente dos outros.  

Descobrimos que o interruptor que faz a vida acender esteve o tempo inteiro no nosso próprio coração." 

[Ana Jácomo]


Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte 
delira.

[Ferreira Gullar]

Quanto à mim,
 tenho que lhes dizer
que as estrelas são os
 olhos de Deus vigiando
para que tudo corra bem.

Para sempre. E, como se sabe,
sempre NÃO ACABA NUNCA.
[Clarice Lispector]

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