quarta-feira, 2 de março de 2016
Contei meus anos e descobri que tenho menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Tenho muito mais passado do que futuro. Então, já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero reuniões em que desfilam egos inflamados. Inquieto-me com invejosos cobiçando o lugar de quem eles admiram. Já não tenho tempo para conversas inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas idosas, mas ainda imaturas. Detesto pessoas que não debatem conteúdos, mas apenas rótulos!… Quero viver ao lado de gente que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade. Quero caminhar perto de coisas e pessoas de verdade. Apenas o essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!
[Mario de Andrade]
img: Ana Branda Contreras
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Tenho aprendido muito nestes meses até aqui e, admiravelmente, me surpreendido com as boas novas que as experiências – de todos os níveis – estão me trazendo. Mais do que idealizar reações ou exigir comprometimento, passei a me envolver com todo e qualquer sentimento que me consente lucidez. E, olhar com mais sensibilidade o universo desta transição toda, está sendo um passo e tanto.
Hoje, mais do que qualquer tempo, aprendo o quanto as ligações que firmamos com o outro, nem sempre se solidificam como deveriam, ou melhor, como queríamos que fossem. Materializamos padrões que só existem dentro do nosso pequeno universo e – além do salto no escuro – nos frustramos quando somos pegos de surpresa pelas emboscadas da vida. E a queda pode ser fatal.
(...)
Agora, estou cedendo espaço para me conectar com quem, de fato, me acresce. Sem gigantescas projeções, a vida tem me trazido uma porção de respostas, sem que pergunta nenhuma precise ser feita.
[Bibiana Benites]
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
"Desculpem, sou antiga. Gosto de andar de mãos dadas. E mais do que beijos e amassos, quero amor e continuidade." [Clarissa Corrêa]
0 sentimentos Postado por Flor às 10:02
"Pra amar, tem que conhecer. Pra amar, tem que se perceber. Pra amar, tem que doer um pouco. Porque dói, é uma descoberta, é uma mudança, é um se ver no outro, é um ver o outro exatamente como ele é - e ainda assim amar."
[Clarissa Corrêa]
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O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido.
Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
[João Cabral de Melo Neto in: Obras Completas]
img: James Marsters in Buffy, A Caça Vampiros
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– Consola, talvez; mas faz-nos também diferentes dos outros, cava abismos entre os homens…”.
[Lima Barreto in Triste Fim de Policarpo Quaresma]
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Meu novo Crush é uma novela da Televisa : Coração Indomável.
DA WIIKIPEDIA: Corazón indomable (no Brasil Coração Indomável) é uma telenovela mexicana produzida por Nathalie Lartilleux para a Televisa e exibida pelo Canal de las Estrellas, entre 25 de fevereiro e 6 de outubro de 2013. A trama é baseada na telenovela venezuelana La indomable, escrita por Inés Rodena em 1974, que originou outras duas adaptações mexicanas, La venganza e Marimar, produzidas em 1977 e 1994, respectivamente. A trama é protagonizada por Ana Brenda Contreras e Daniel Arenas e antagonizada por Elizabeth Álvarez, Rocío Banquells,Ingrid Martz e René Strickler. Foi exibida no Brasil pelo SBT entre 23 de fevereiro a 16 de outubro de 2015, em 170 capítulos.
Na minha conta da Netflix só dá ela. Em um primeiro momento pensei que seria a mesma história de Marimar e que não ía superar, mas gente superou minhas expectativas, ultrapassou e é a coisa mais linda do mundo esse casal, amo essa novela. Comecei a assistir quando passou no SBT, mas não me apeguei logo, por isso depois de um tempo fui assistir no youtube e agora assisto na Netflix sempre que dá saudade. Aqui vai a letra tema do Casal, e um clipe pra vcs.
Perdóname [Camilo Blanes]
Solo vengo, a decirte que mi mundo está incompleto
Porque llevo solo a bordo un pasajero
En este viaje me acompaña tu dolor
Solo vengo a enseñarte un corazón que está muriendo
Y me han dicho que ya no tiene remedio
Pero yo se que el remedio esta en tu voz
Solo vengo a pedirte perdón por el mal que le hice a tu amor
Arrepentido estoy
Regresa a mi por favor
Amémonos de nuevo como antes
Robémonos la luna en este instante
Y olvídate, olvídate
Déjame intentar recuperarte
Amémonos con todos los sentidos
Regrésame tu amor aquí conmigo
Y olvídate, olvídate
Que nada volverá a lastimarte
Solo vengo a tomar medio segundo de tu tiempo
Para hacerlo con un beso un día entero
Y recuerdes el amor entre tú y yo
Solo vengo a pedirte perdón por el mal que le hice a tu amor
Arrepentido estoy
Regresa a mi por favor
Amémonos de nuevo como antes
Robémonos la luna en este instante
Y olvídate, olvídate
Déjame intentar recuperarte
Amémonos con todos los sentidos
Regrésame tu amor aquí conmigo
Y olvídate, olvídate
Que nada volverá a lastimarte
Aleja aquellas sombras del pasado
Hoy puedo ver que tanto te eh fallado
Perdóname por ser tan tonto sin querer
Fui un ciego al alejarme de tu lado
Amémonos de nuevo como antes
Robémonos la luna en este instante
Y olvídate, olvídate
Déjame intentar recuperarte
Amémonos con todos los sentidos
Regrésame tu amor aquí conmigo
Y olvídate, olvídate
Que nada volverá a lastimarte
TRADUÇÃO
Perdoar
Eu só venho, dizer que meu mundo está incompleto
Porque levo só a bordo um passageiro
Nesta viaje me acompanha sua dor
Eu só venho para mostrar-lhe um coração que está morrendo
E já me disseram que já não tem remédio
Mas eu sei que o remédio está na sua voz
Só venho te pedir perdão pelo mal que fiz ao seu amor
Arrependido estou
Volta pra mim por favor
Vamos nos amar novamente como antes
Roubemos a lua neste instante
E esquecer, esquecer
Deixe-me tentar te recuperar
Amemos com todos os sentidos
Devolva-me o seu amor aqui comigo
E esquecer, esquecer
Que nada vai te machucar
Eu só venho pegar meio segundo do seu tempo
Para fazer um beijo durar um dia inteiro
E você se lembrar do amor entre você e eu
Só venho te pedir perdão pelo mal que fiz ao seu amor
Arrependido estou
Volta pra mim por favor
Vamos amar novamente como antes
Roubemos lua neste instante
E esquecer, esquecer
Deixe-me tentar te recuperar
Amemos com todos os sentidos
Devolva-me o seu amor aqui comigo
E esquecer, esquecer
Que nada vai te machucar
Acabe com aquelas sombras do passado
Hoje posso ver o quanto você perdeu
Perdoe-me por ser tão estúpido sem querer
Eu estava cego para deixar o seu lado
Vamos amar novamente como antes
Robémonos a lua neste instante
E esquecer, esquecer
Deixe-me tentar se recuperar
Amemos com todos os sentidos
Devolva-me o seu amor aqui comigo
E esquecer, esquecer
Que nada vai te machucar
Marcadores: Coração Indomável, Crush, Maricruz e Otavio, Músicas, Vídeo
“Há muito de nós por aí, mais do que você imagina.
Pessoas que se recusam a deixar de acreditar.
Pessoas que se recusam a pôr os pés no chão.
Pessoas que amam em um mundo sem muros,
pessoas que amam em meio ao ódio, em meio à recusa,
com esperança e sem medo.”
Marcadores: Lauren Oliver
"Pra mim, é praticamente impossível construir a vida sobre um alicerce de caos, sofrimento e morte. Vejo o mundo se transformando aos poucos numa selva, ouço o trovão que se aproxima e que, um dia, irá nos destruir também, sinto o sofrimento de milhares. E, mesmo assim, quando olho pra o céu, sinto de algum modo que tudo mudará para melhor, que a crueldade também terminará, que a paz e a tranquilidade voltarão. Enquanto isso, devo me agarrar aos meus ideais. Talvez chegue o dia em que eu possa realizá-los!”.
[Anne Frank]
Marcadores: Anne Frank
"Precisamos diminuir o barulho, caminhar mais devagar, prestar atenção em quem chega, abaixar a cabeça e colocar a humildade para funcionar. Somos grandes quando somos pequenos." [Ita POrtugal]
0 sentimentos Postado por Flor às 08:31
"Não é a vida que dificulta as coisas.
As pessoas é que tem muito medo de mudar
Para arriscar uma felicidade que não é garantida.
Todo mundo tem
um trauma,
um medo,
algo que paralise.
Mas transformar isso em espaço
pra crescer
pouca gente faz."
[ Marla de Queiroz]
Marcadores: Ita Portugal, Marla de Queiroz
Vim aqui para celebrar as coisas que passam. As coisas que passam, feito nós... [Vanessa leonardi]
0 sentimentos Postado por Flor às 08:17
Nada foi errado. Nada foi feio.
Nada.
Chorei vendo você ir embora com medo de não te ver mais.
Mas sempre te encontro. Sempre.
Aqui dentro.
Seja como for, vai dar tudo certo.
Pra você e pra mim.
Um beijo
Boa sorte
[Vanessa leonardi]
Marcadores: Vanessa Leonardi
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
Morre porque o matamos ou o deixamos morrer.
Morre envenenado pela angústia. Morre enforcado pelo abraço. Morre esfaqueado pelas costas. Morre eletrocutado pela sinceridade. Morre atropelado pela grosseria. Morre sufocado pela desavença.
Mortes patéticas, cruéis, sem obituário e missa de sétimo dia.
Mortes sem sangramento. Lavadas. Com os ossos e as lembranças deslocados.
O amor não morre de velhice, em paz com a cama e com a fortuna dos dedos.
Morre com um beijo dado sem ênfase. Um dia morno. Uma indiferença. Uma conversa surda. Morre porque queremos que morra. Decidimos que ele está morto. Facilitamos seu estremecimento.
O amor não poderia morrer, ele não tem fim. Nós que criamos a despedida por não suportar sua longevidade. Por invejar que ele seja maior do que a nossa vida.
O fim do amor não será suicídio. O amor é sempre homicídio. A boca estará estranhamente carregada.
Repassei os olhos pelos meus namoros e casamentos. Permiti que o amor morresse. Eu o vi indo para o mar de noite e não socorri. Eu vi que ele poderia escorregar dos andares da memória e não apressei o corrimão. Não avisei o amor no primeiro sinal de fraqueza. No primeiro acidente. Aceitei que desmoronasse, não levantei as ruínas sobre o passado. Fui orgulhoso e não me arrependi. Meu orgulho não salvou ninguém. O orgulho não salva, o orgulho coleciona mortos.
No mínimo, merecia ser incriminado por omissão.
Mas talvez eu tenha matado meus amores. Seja um serial killer. Perigoso, silencioso, como todos os amantes, com aparência inofensiva de balconista. Fiz da dor uma alegria quando não restava alegria.
Mato; não confesso e repito os rituais. Escondo o corpo dela em meu próprio corpo. Durmo suando frio e disfarço que foi um pesadelo. Desfaço as pistas e suspeitas assim que termino o relacionamento. Queimo o que fui. E recomeço, com a certeza de que não houve testemunhas.
Mato porque não tolero o contraponto. A divergência. Mato porque ela conheceu meu lado escuro e estou envergonhado. Mato e mudo de personalidade, ao invés de conviver com minhas personalidades inacabadas e falhas.
Mato porque aguardava o elogio e recebia de volta a verdade.
O amor é perigoso para quem não resolveu seus problemas. O amor delata, o amor incomoda, o amor ofende, fala as coisas mais extraordinárias sem recuar. O amor é a boca suja. O amor repetirá na cozinha o que foi contado em segredo no quarto. O amor vai abrir o assoalho, o porão proibido, fazer faxina em sua casa. Colocar fora o que precisava, reintegrar ao armário o que temia rever.
O amor é sempre assassinado. Para confiarmos a nossa vida para outra pessoa, devemos saber o que fizemos antes com ela.
[Fabrício Carpinejar]
Marcadores: Fabricio Carpinejar
domingo, 14 de fevereiro de 2016
"Acordei hoje com tal nostalgia de ser feliz. Eu nunca fui livre na minha vida inteira. Por dentro eu sempre me persegui. Eu me tornei intolerável para mim mesma. Vivo numa dualidade dilacerante. Eu tenho uma aparente liberdade mas estou presa dentro de mim. Eu queria uma liberdade olímpica. Mas essa liberdade só é concedida aos seres imateriais. Enquanto eu tiver corpo ele me submeterá às suas exigências. Vejo a liberdade como uma forma de beleza e essa beleza me falta”.
[Clarice Lispector in Um Sopro de Vida]
Marcadores: Clarice Linspector
sábado, 13 de fevereiro de 2016
— Sabe, docinho, existem duas coisas importantes no mundo: estar em perigo e ser salvo.
Pensei em May por um instante. E perguntei:
— Você acha que corremos perigo de propósito, para sermos salvos?
— Sim, às vezes. (…)
— Mas, se essas são as coisas importantes, onde se apaixonar se encaixa?
— Sabe por que se apaixonar é o que pode acontecer de mais profundo com uma pessoa? Porque quando estamos apaixonados, estamos totalmente em perigo e completamente salvos, os dois ao mesmo tempo.
[Ava Dellaira in Cartas de Amor aos Mortos]
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
"Não é perigoso? Não estou velha demais pra isso? Na esperança de que o simples decorrer da manhã respondesse naturalmente essas perguntas, fui comprar repelente na farmácia aqui perto de casa. A atendente, então, respondeu: "O adulto está em falta". Entendi aquela frase como uma mensagem dos deuses. Vá, desgraçada, divirta-se. O adulto está em falta hoje! Abrace as ruas, as pessoas, receba esse sopro de purpurinas prateadas no peito. Sejamos crianças de novo!"
[Tati Bernardi]
Marcadores: Tati Bernardi
"Os livros deram a Matilda a reconfortante
mensagem: Você não está sozinha."
"Sempre fui leitora, sempre estive rodeada de livros. Com as leituras que faziam para mim comecei a entrar neles antes mesmo de saber ler formalmente. E ao longo do tempo ela me transmitiu a certeza – palpável porque entretecida no meu viver – de que literatura é prazer e é aprendizado, é um importante diálogo com o mundo, é estruturante. Sem as leituras que fiz, sem aquilo tudo que a leitura me trouxe, eu não seria eu, não saberia me viver”.
[Marina Colasanti in Nos Caminhos da Literatura]
Img: Mara Wilson in Matilda
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