domingo, 12 de junho de 2016
Não te rendas, ainda é tempo
De se ter objetivos e começar de novo,
Aceitar tuas sombras,
Enterrar teus medos
Soltar o lastro,
Retomar o voo.
Não te rendas que a vida é isso,
Continuar a viagem,
Perseguir teus sonhos,
Destravar o tempo,
Correr os escombros
E destapar o céu.
Não te rendas, por favor, não cedas,
Ainda que o frio queime,
Ainda que o medo morda,
Ainda que o sol se esconda,
E o vento se cale,
Ainda existe fogo na tua alma.
Ainda existe vida nos teus sonhos.
Porque a vida é tua e teu também o desejo
Porque o tens querido e porque eu te quero
Porque existe o vinho e o amor, é certo.
Porque não existem feridas que o tempo não cure.
Abrir as portas, Tirar as trancas,
Abandonar as muralhas que te protegeram,
Viver a vida e aceitar o desafio,
Recuperar o sorriso,
Ensaiar um canto,
Baixar a guarda e estender as mãos
Abrir as asas
E tentar de novo
Celebrar a vida e se apossar dos céus.
Não te rendas, por favor, não cedas,
Ainda que o frio te queime,
Ainda que o medo te morda,
Ainda que o sol ponha e se cale o vento,
Ainda existe fogo na tua alma,
Ainda existe vida nos teus sonhos
Porque cada dia é um novo começo,
Porque esta é a hora e o melhor momento
Porque não estás sozinho, porque eu te amo
[Mario Benedetti]
Marcadores: Mario Benedetti
sábado, 11 de junho de 2016
Estavam ali as portas
Janelas e varandas.
Estavam ali
Na fronteira do olhar
Onde o de dentro encontra
Justamente
Com o de fora.
Nesse ponto exato
Elas estavam:
Bastava um gesto.
Mas o meu estar parado
Era maior que eu.
Estar parado
Estar vivo:
A mesma incompreensão
E medo
Entre mim
E aquele estar das coisas.
Estar ali
Como nunca ter chegado.
Estar ali
Por estar ali
E além de mim
O que eu não ousava.
Ah
Relembro a amplidão dessas varandas intocadas
Os pequenos raios de luz
Nos vidros coloridos das janelas.
Revejo a dura consistência da porta
Cerrando seu segredo.
E me retomo
Ali
No imóvel do gesto que não fiz.
Como se pudesse
Agora
Escancarar portas e janelas
Para sair nu pelas varandas
Desvairado e nu
Profeta, louco, infante,
Sair para o vento
O sol, as tempestades, as neves,
As quedas de estrelas e Bastilhas,
O cheiro de jasmins
Entontecendo os quintais.
(pudesse retomar manhãs, amigo,
manhãs perdidas como tudo
que não fui)
Mas continuo
Ali.
Aqueles espaços
Permanecem mortos dentro de mim.
Como um corpo que se ama
E não se toca.
[Caio Fernando Abreu in Cartas]
img: Kate Winslet
Marcadores: Caio Fernando Abreu, Imagens de famosos
sexta-feira, 10 de junho de 2016
"Alguém fez uma pergunta sobre a poesia deles, se era difícil ter de reviver as palavras toda vez que se apresentavam. A resposta foi que, apesar de o ideal ser eles superarem aquilo (a pessoa ou o evento que inspirou as palavras naquela época), isso não significa que uma pessoa que estiver escutando não tenha passado pela mesma coisa.
“E daí? E daí que a dor sobre a qual você escreveu ano passado não é o que você está sentindo hoje? Pode ser exatamente o que a pessoa na primeira fila está sentindo. O que você está sentindo agora, e a pessoa a quem suas palavras talvez afetem daqui a cinco anos — é por isso que se escreve poesia.”
[Colleen Hoover in Métrica]
Marcadores: Colleen Hoover
quinta-feira, 9 de junho de 2016
Poesia serve exatamente para a mesma coisa que serve uma vaca no meio da calçada de uma agitada metrópole. Para alterar o curso do seu andar, para interromper um hábito, para evitar repetições, para provocar um estranhamento, para alegrar o seu dia, para fazê-lo pensar, para resgatá-lo do inferno que é viver todo santo dia sem nenhum assombro, sem nenhum encantamento.
[Martha Medeiros in Doidas e Santas]
Marcadores: Martha Medeiros
quarta-feira, 8 de junho de 2016
Depois o café esfria, depois a prioridade muda, depois o encanto se perde, depois o cedo fica tarde, depois a saudade passa... Depois tanta coisa muda! [Grasiela Cipriane]
0 sentimentos Postado por Flor às 14:59
Se você ama, diga que ama. Diga o seu conforto por saber que aquela vida e a sua vida se olham amorosamente e têm um lugar de encontro. Diga a sua gratidão. O seu contentamento. A festa que acontece em você toda vez que lembra que o outro existe. E se for muito difícil dizer com palavras, diga de outras maneiras que também possam ser ouvidas. Prepare surpresas. Borde delicadezas no tecido às vezes áspero das horas. Reinaugure gestos de companheirismo. Mas, não deixe para depois. Depois é um tempo sempre duvidoso. Depois é distante daqui. Depois é sei lá...
[Ana Jácomo]
Marcadores: Ana Jacomo, Autores Diversos, Imagens de famosos
Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Todo dia. Esse jeito de ouvir além dos olhos, de ver além dos ouvidos, de sentir a textura do sentimento alheio tão clara no próprio coração e tantas vezes até doer ou sorrir junto com toda sinceridade. Essa intensidade toda em tempo de ternura minguada. Esse amor tão vívido em terra em que a maioria parece se assustar mais com o afeto do que com a indelicadeza. Esse cuidado espontâneo com os outros. Essa vontade tão pura de que ninguém sofra por nada. Essa saudade, que às vezes faz a alma marejar, de um lugar que não se sabe onde é, mas que existe, é claro que existe. Essa vontade de espalhar buquês de sorrisos por aí, porque os sensíveis, por mais que chorem de vez em quando, não deixam adormecer a idéia de um mundo que possa acordar sorrindo. Pra toda gente. Pra todo ser. Pra toda vida.
[Ana Jácomo]
Marcadores: Ana Jacomo
"Gosto das borboletas, me fazem lembrar que na vida tudo se transforma" [Vanessa Leonardi]
0 sentimentos Postado por Flor às 06:11
Sinto orgulho em saber
que meu passado me permitiu
ter mais sensibilidade.
Hoje me sinto menos tempestuosa e
mais, bem mais pronta, próxima de mim,
do que fui, do que sou, dessa pessoa
que o tempo me fez.
Hoje, sou mais compreensiva
diante desse futuro que me brinda
com gentil delicadeza.
Surpreendo-me quando
me pego espalhando flores
no caminho que cruzo.
Quem sabe essa não seja
a confirmação de que preciso continuar.
Acho que isso é o que me salva todos os dias.
É essa esperança de vida que me consome.
[Bibiana Benites]
Marcadores: Bibiana Benites, Vanessa Leonardi
terça-feira, 7 de junho de 2016
"Comece - ironicamente - seguindo o conselho de quem deixou de te amar. Cuide de você." [Gabito Nunes]
0 sentimentos Postado por Flor às 10:29
"(...)Tá vendo a felicidade ali na frente? Não, você não tá vendo, porque tem uma montanha de dor na frente. Continue andando. Você vai subir, vai sentir frio lá em cima, cansaço. Vai querer desistir, mas não vai desistir, porque você é forte e porque depois do topo a montanha começa a diminuir e o único jeito de deixá-la pra trás é continuar andando. Você vai ser feliz.
Tá vendo essa dor que agora samba no seu peito de salto de agulha? Você ainda vai olhá-la no fundo dos olhos e rir da cara dela. Juro que tô falando a verdade. Eu não minto. Vai passar."
[Antonio Prata]
Marcadores: Autores Diversos, Gabito Nunes
Foi aí que a solidão deixou de ser involuntária para se transformar em escolha. E foi bom, está sendo bom. [Caio Fernando Abreu in Cartas]
0 sentimentos Postado por Flor às 06:51
Não me iludo mais com metades que a gente encontra pelo caminho. Hoje, se tem uma coisa que eu me transbordo e me encanto - pateticamente -, é com pessoas inteiras. Reconheço de longe a vastidão que essas almas carregam dentro.
[Bibiana Benites]
Marcadores: Bibiana Benites, Caio Fernando Abreu
segunda-feira, 6 de junho de 2016
Ainda é cedo amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora da partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Presta atenção querida
embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho
Vai reduzir as ilusões a pó
Preste atenção querida
Em cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavastes com teus pés
[Cartola]
Marcadores: Cartola
domingo, 5 de junho de 2016
Neste momento, não sou mesmo capaz de compreender como deve ser ter o coração partido de verdade. Se eu sentir uma dor apenas um por cento mais forte do que a que já sinto agora, abdico do amor.
Não vale a pena.
[Colleen Hoover in “Métrica”]
img: Lucy Hale e Holly Marie Combs in Pretty Little Liars
Marcadores: Imagens de famosos, p, Séries da Tv
sábado, 4 de junho de 2016
Existe um único antídoto para a falta de tempo.
Um único.
Estar apaixonado.
Esquecer de si para inventar o desejo.
O desejo transforma-se no próprio tempo.
Tudo é adiado.
[Fabrício Carpinejar]
Marcadores: Fabricio Carpinejar
sexta-feira, 3 de junho de 2016
E seja pelo que for, por teimosia talvez, eu sempre vou seguir. [Bibiana Benites]
0 sentimentos Postado por Flor às 09:02
"Aí eu te pergunto: crescer pra que? Eu já trabalho, me sustento, mato meus leões diários, lido com quem quer atrapalhar, com a saudade do passado, com a necessidade de olhar pra frente.. Eu busco o otimismo, o sorriso, o sonho.. Matar a criança que vive em mim? Não! NUNCA! Foi essa criança que sustentou quando nada fazia sentido. É ela que dá luz ao meu sorriso e dá a fé necessária pra ser uma pessoa melhor."
[Raffaella Herman]
Marcadores: Autores Diversos, Bibiana Benites
Assim como as flores, sentimentos que não são regados com ternura e cuidados diariamente, acabam por morrer. [Bibiana Benites]
0 sentimentos Postado por Flor às 08:42
Penso, com mágoa, que o relacionamento da gente sempre foi um tanto unilateral, sei lá, não quero ser injusto nem nada — apenas me ferem muito esses teus silêncios.
[Caio F.Abreu in Cartas]
img: Katie Morosky (Barbra Streisand) e Hubbell Gardiner (Robert Redford)
in Nosso amor de ontem - 1973
Marcadores: Bibiana Benites, Caio Fernando Abreu, Filmes, Imagens de famosos
E agora falta quase nada pra gente abraçar a ilusão de que tudo vai ser novo. Que seja mesmo, especialmente pra você. [Martha Medeiros in “Doidas e Santas]
0 sentimentos Postado por Flor às 08:10
Entre sobreviver e viver há um precipício, e poucos encaram o salto. Encerro esta crônica com dois versos que não são de Vinicius, e sim de uma grande poeta Chamada Vera Americano, que em seu novo livro, Arremesso livre (editora Relume Dumará), reverencia a mudança. Não te acorrentes/ ao que não vai voltar, diz ela, provocando ao mesmo tempo nosso desejo e nosso medo. Medo que costuma nos paralisar diante da decisão crucial: Viver/ o u deixar para mais tarde.O poeta espalmaria sua mão direita nas nossas costas (a outra estaria segurando o copo) e diria: vai.
[Martha Medeiros in [Doidas e Santas]
Marcadores: Martha Medeiros
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