quinta-feira, 27 de março de 2008

Depois de te perder
Te encontro, com certeza
Talvez num tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei, como encantado
Ao lado teu

(Chico Buarque)

A ALMA DO OUTRO

A alma do outro é uma floresta escura”, disse o poeta Rainer Maria Rilke, meu único autor de cabeceira.
A vida vai nos ensinando quanto isso é verdade. Pais e filhos, irmãos, amigos e amantes podem conviver décadas a fio, podem ter uma relação intensa, podem se divertir juntos e sofrer juntos, ter gostos parecidos ou complementares, ser interessantes uns para os outros, superar grandes conflitos – mas persiste o lado avesso, o atrás da máscara, que nunca se expõe nem se dissipa.
Nem todos os mal-entendidos, mágoas e brigas se dão porque somos maus, mas por problemas de comunicação. Porque até a morte nos conheceremos pouco, porque não sabemos como agir. Se nem sei direito quem sou, como conhecer melhor o outro, meu pai, meu filho, meu parceiro, meu amigo – e como agir direito?
Neste momento escrevo, como já disse, um livro sobre o silêncio. Começou como um ensaio na linha de O Rio do Meio e Perdas & Ganhos, mas acabou se tornando um romance, em pleno processo de elaboração. Isso me faz refletir mais agudamente sobre a questão da comunicação e sua por vezes dramática dificuldade, pois nos mal-entendidos reside muito sofrimento desnecessário.Amor e amizade transitam entre esses dois “eus” que se relacionam em harmonia e conflito: afeto, generosidade, atenção, cuidados, desejo de partilhamento ou de vida em comum, vontade de fazer e ser um bem, e de obter do outro o que para a gente é um bem, o complicado respeito ao espaço do outro, formam um campo de batalha e uma ponte. Pontes podem ser precárias, estradas têm buracos, caminhos escondem armadilhas inconscientes que preparamos para nossos próprios passos em direção do outro. O que está mergulhado no inconsciente é nosso maior tesouro e o mais insidioso perigo.Pensar sobre a incomunicabilidade ou esse espaço dela em todos os relacionamentos significa pensar no silêncio: a palavra que devia ter sido pronunciada, mas ficou fechada na garganta e era hora de falar; o silêncio que não foi erguido no momento exato – e era o momento de calar.
Mas, como escrevi várias vezes, a gente não sabia. É a incomunicabilidade, não por maldade ou jogo de poder, mas por alienação ou simples impossibilidade. Anos depois poderá vir a cobrança: por que naquela hora você não disse isso? Ou: por que naquele momento você disse aquilo?
Relacionar-se é uma aventura, fonte de alegria e risco de desgosto. Na relação defrontam-se personalidades, dialogam neuroses, esgrimem sonhos e reina o desejo de manipular disfarçado de delicadeza, necessidade ou até carinho. Difícil? Difícil sem dúvida, mas sem essa viagem emocional a existência é um deserto sem miragens.
No relacionamento amoroso, familiar ou amigo acredito que partilhar a vida com alguém que valha a pena é enriquecê-la; permanecer numa relação desgastada é suicídio emocional, é desperdício de vida. Entre fixar e romper, o conflito e o medo do erro.
Somos todos pobres humanos, somos todos frágeis e aflitos, todos precisamos amar e ser amados, mas às vezes laços inconscientes enredam nossos passos e fecham nosso coração. A balança tem de ser acionada: prevalecem conflitos ásperos e a hostilidade, ou a ternura e aqueles conflitos que ajudam a crescer e amar melhor, a se conhecer melhor e melhor enxergar o outro? O olhar precisa ser atento: mais coisas negativas ou mais gestos positivos? Mais alegria ou mais sofrimento? Mais esperança ou mais resignação?Cabe a cada um de nós decidir, e isso exige auto-exame, avaliação. Posso dizer que sempre vale a pena, sobretudo vale a pena apostar quando ainda existe afeto e interesse, quando o outro continua sendo um desafio em lugar de um tédio, e quando, entre pais e filhos, irmãos, amigos ou amantes, continua a disposição de descobrir mais e melhor quem é esse outro, o que deseja, de que precisa, o que pode – o que lhe é possível fazer.Em certas fases, é preciso matar a cada dia um leão; em outras, estamos num oásis. Não há receitas a não ser abertura, sinceridade, humildade que não é rebaixamento. Além do amor, naturalmente, mas esse às vezes é um luxo, como a alegria, que poucos se permitem.
Seja como for, com alguma sorte e boa vontade a alma do outro pode também ser a doce fonte da vida. (Lya Luft)

Fico com medo

Fico com medo.
Mas o coração bate.
O amor inexplicável faz o coração
bater mais depressa.
A garantia única é que eu nasci.
Tu és uma forma de ser eu,
e eu uma forma de te ser:
Eis os limites de minha possibilidade.
(Clarice Lispector)

"Em luta, meu ser se parte em dois. Um que foge, outro que aceita. O que aceita diz: não. Eu não quero pensar no que virá: quero pensar no que é. Agora. No que está sendo. Pensar no que ainda não veio é fugir, buscar apoio em coisas externas a mim, de cuja consistência não posso duvidar porque não a conheço. Pensar no que está sendo, ou antes, não, não pensar, mas enfrentar e penetrar no que está sendo é coragem. Pensar é ainda fuga: aprender subjetivamente a realidade de maneira a não assustar. Entrar nela significa viver."

(Caio Fernando Abreu)

quarta-feira, 26 de março de 2008


A música que atualmente está tocando no blog (Love Will Show You Everything) faz parte do filme 'Antes que termine o dia', a personagem de Jennifer Love é quem escreve a música pra o seu amado, porém não tem coragem de lhe mostrar...Lindo filme, linda história...Um dos meus romances preferidos!!! Aí vai a tradução:


Nosso Amor Vai Nos Mostrar Tudo

Hoje, hoje apostei minha vida
Você não faz idéia
Do que sinto por dentro
Não tenha medo de demonstrar
Pois nunca saberá
Se não deixar sair

Eu te amo
Você me ama
Aceite este presente e não pergunte o porquê
Pois se você me permitir
Vou pegar o que te assusta
E guardar lá dentro
E se me perguntar porque... Estou com você
E porque nunca te deixarei
Deixe
O amor vai te mostrar tudo.

Um dia, quando a juventude
for só uma memória
Sei que você estará ao meu lado

Eu te amo
Você me ama
Aceite este presente e não pergunte o porquê
Pois se você me permitir...
Vou pegar o que te assusta
E guardar lá dentro
E se me perguntar porque... Estou com você
E porque nunca te deixarei
Deixe
Meu amor vai te mostrar tudo
Meu amor vai te mostrar tudo
Meu amor vai te mostrar tudo
Nosso amor vai nos mostrar tudo
(Jennifer Love Hewitt)

Foto: Jennifer Love Hewit e Paul Nicholls in Antes que termine o dia

terça-feira, 25 de março de 2008



"...É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas.Dizem que são tão belas!"

[A Rosa - O Pequeno Príncipe]

O Mestre da Vida




Jesus, o Mestre da Vida, nos deu lições inesquecíveis. Mostrou-nos que a vida é o maior espetáculo do mundo! A vida que pulsa na criatividade das crianças, na despedida dos amigos, no abraço apertado dos pais, na solidão de um doente, no choro dos que perdem seus seres amados...
Quando você estiver só no meio da multidão, quando errar, fracassar e ninguém o compreender, quando as lágrimas que nunca teve coragem de chorar escorrerem silenciosamente pelo seu rosto e você sentir que não tem mais forças para continuar sua jornada, não se desespere!
Pare! Faça uma pausa na sua vida! Não dispare o gatilho da agressividade e do auto-abandono. Enfrente seu medo! Faça do seu medo alimento para sua força. Destrave a sua inteligência, abra as janelas da sua mente, areje o seu espírito! Permita-se ser ensinado pelos outros, aprenda lições dos seus erros e dificuldades. Liberte-se do cárcere da emoção e dos pensamentos negativos. Jamais se psicoadapte à sua miséria!
Lembre-se do Mestre da Vida! Ele nos ensinou a sermos livres mesmo diante das turbulências, perdas e fracassos, mesmo sem haver nenhum motivo aparente para nos alegrarmos. Tenha a mais legítima de todas as ambições: ambicione ser feliz!
Lembre-se que Jesus Cristo, um ser humano igual a você, passou pelos mais dramáticos sofrimentos e superou com a mais alta dignidade. Seja apaixonado pela vida como ele foi. Lembre-se que por amar apaixonadamente a humanidade, ele teve o mais ambicioso plano da história. Mantenha em mente que nesse plano, você é uma pessoa única, e não mais um número na multidão.
A vida que pulsa na sua alma torna você especial, inigualável, por mais dificuldades que atravesse, por mais conflitos que tenha. Portanto, erga seus olhos e contemple o horizonte! Enxergue o que ninguém consegue ver! Há um oásis no seu no fim do seu longo e escaldante deserto!
Saiba que as flores mais lindas sucedem aos invernos mais rigorosos. Tenha convicção de que nos momentos mais difíceis de sua vida você pode escrever os mais belos capítulos de sua história.
Nunca desista de você! Dê sempre uma chance a si mesmo! Nunca desista dos outros! Ajude-os a corrigir as rotas de suas vidas. Mas, se não conseguir, poupe energia, proteja sua emoção e aguarde que eles queiram ser ajudados. Enquanto isso, aceite-os do jeito que são, ame-os com todos os defeitos que têm. Amar traz saúde para a emoção.
Jesus encantava as pessoas com suas palavras. As multidões ao ouvi-lo, renovavam suas forças e encontravam um novo sentido para suas vidas! Ele reacendeu a esperança de muitos... Compreendeu o que é ser homem e fez poemas sobre a vida, até sangrando... Brilhou onde não havia nenhum raio de sol...

(O Mestre da Vida, Augusto Cury)

domingo, 23 de março de 2008


Aii...
Hoje tive um momento muito difícil comigo mesma. Sabe, as vezes me canso de ser eu, não aguento estar na minha vida, uma vida onde quero mudar muitas coisas e não consigo, ou não tenho coragem, estou tão cansada de sentir esse medo, de sentir essa incapacidade. Quero fugir, viver no mundo da lua mesmo, me esquecer de mim, da minha vida, das pessoas que gosto, dos meus compromissos, sei lá, estou tão cansada, virar uma esquizofrênica não seria má idéia...
São momentos assim que quero ser outra pessoa, ou de outro planeta, como a personagem de um garoto do filme que assiste nesse fim de semana (Ensinando a viver)...Esse garoto tinha um trauma, ele foi abandonado pelos pais e então pra enfrentar isso e aguentar viver ele começou a a agir e dizer que era um ser de outro planeta, que era de Marte, tendo vários comportamentos estranhos...Essas atitudes geravam a segurança que ele não encontrou em sua vida normal, só assistindo pra entender bem o que quero dizer, até por que não tem graça eu contar o filme todo.
Sei que é errado fugir dos problemas, eu nunca fui esse tipo de pessoa, sempre gostei de enfrentar, de tentar, sou brasileira mesmo, não desisto nunca. Só que agora não quero ser o que fui em muitos aspectos, quero ser melhor, quero tranquilidade, quero emoção, mas não vou continuar dando murro em ponta de faca pra ter isso...
Sei que vai chegar a hora em que precisarei encarar, e vou, vou lutar, mas agora, vai ter que valer a pena. Cansei de ser eu mesma assim como sou, vou ser outra!

PÁSCOA

quinta-feira, 20 de março de 2008



Olha, vê se exerga...
Ei...
O barco tá afundando, a casa tá ruindo.
Será que você realmente não olha mais em nossa direção?
O mundo está se partindo e você tá muito bem acomodado pra o que vier.
Ei, cara! É o nosso mundo viu? Não tá vendo? Ou tá só fingindo esse ar de superioridade, com toda essa arrogância por que acha isso bonito?
Ah, as vezes eu esqueço! Esqueci que não importa até que tudo esteja afogado de uma vez, que só reste os destroços, aí, talvez, você pare e repare em mim sem me ver como uma abominação da natureza.
Já cansei de tentar, de evitar, me enganar...
Não adianta correr tanto para te alcançar, sempre escorrego no fim da corrida. Suas cascas de banana não me deixam em pé por muito tempo.
O desprezo em sua voz já me calou, nem a escuto mais de tanto que repeti o mesmo assunto.
Não adiante te esperar, deixar a poeira baixar, esperar pra ver no que vai dar, porque a espera fica perdida num presente onde nada acontece. Essa espera vira passado e o futuro perde-se nas minhas ilusões e esperanças despedaçadas.(by Flor)

terça-feira, 18 de março de 2008



“Chorei porque não era mais uma criança com a fé cega de criança. Chorei porque não podia mais acreditar e adoro acreditar. Chorei porque daqui em diante chorarei menos. Chorei porque perdi a minha dor e ainda não estou acostumada com a ausência dela.”(Anaïs Nin)

quinta-feira, 13 de março de 2008


"Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar com ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas as tentativas de aproximação. Tenho vontade de gritar que essa dor é só minha, de pedir que me deixem só e em paz com ela, como um cão com seu osso. A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão”
(Caio Fernando Abreu)

O inevitável


O problema do vício é que nunca acaba bem. Porque uma hora, o que quer que estava nos deixando chapados pára de nos fazer bem e começa a machucar. Mesmo assim dizem que você não larga o vício até chegar ao fundo do poço. Mas como você sabe que chegou lá? Não importa o quanto algo está machucando a gente. Às vezes, deixar isso pra lá dói ainda mais.
(Grey’s Anatomy)


"Rifa-se um coração quase novo. Um coração idealista. Um coração como poucos. Rifa-se um coração que, na realidade, está um pouco usado, meio calejado, muito machucado e que teima em alimentar sonhos e cultivar ilusões. Um coração inconseqüente e precipitado, que diante de um sorriso mais malicioso já está apaixonado. Rifa-se um coração que nunca aprende. Um coração insensato que comanda o racional sendo louco o suficiente para se apaixonar. Um furioso suicida que vive procurando relações e emoções verdadeiras. Rifa-se um coração que insiste em cometer sempre os mesmos erros. Esse coração que erra, briga, se expõe. Perde o juízo por completo em nome de paixões. Sai do sério e, às vezes, revê suas posições arrependido de palavras e gestos. Rifa-se um coração tão inocente que se mostra sem armaduras e deixa louco o seu usuário. Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro, que tenha um pouco mais de juízo.” (Clarice Lispector)

segunda-feira, 10 de março de 2008


Quando chegares e eu te vir chorando
De tanto te esperar, que te direi?
E da angústia de amar-te, te esperando
Reencontrada, como te amarei?

Que beijo teu de lágrimas terei
Para esquecer o que vivi lembrando
E que farei da antiga mágoa quando
Não puder te dizer por que chorei?

Como ocultar a sombra em mim suspensa
Pelo martírio da memória imensa
Que a distância criou - fria de vida

Imagem tua que eu compus serena
Atenta ao meu apelo e à minha pena
E que quisera nunca mais perdida...
(Vinícius de Moraes)

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