quarta-feira, 29 de abril de 2009
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"Passei a vida toda querendo uma coisa
E fazendo o possível pra não achar isto
Nunca ía nos lugares oonde poderia achar isto
E, de repente fico com a coisa completamente amarrada ao meu pescoço
Você é a maldita coisa
Ou melhor, você é...
Não consigo descrever você
Não escrevo sobre estas coisas.
(...)
Você é uma princesa de conto de fadas
Milhões de caras atrás dela e você é cegado por sua beleza.
Algo bem romântico!
Temos até um cara que a rapta e a leva para a caverna onde fica vigiada por um dragão de cinco cabeças. E a história sobre seu apuro espalha-se pela região e todos os homens querem ver o que aconteceu.
Mas nenhum deles tem coragem de salvá-la, exceto eu.
Eu enfrentaria qualquer coisa por você.
E, mesmo assim, lá estava eu procurando um meio de não ver isto."
(Do filme Uma história de amor)
Foto: Mandy Moore e Billy Crudup
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às vezes penso que nem fostes minha!
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terça-feira, 28 de abril de 2009
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“Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los.Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.”
(Clarice Linspector)
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segunda-feira, 27 de abril de 2009
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domingo, 26 de abril de 2009
(Mario Quitana)
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Nunca se sabe onde está uma despedida. Até no afã do até logo pode esconder-se um nunca mais. Na frase infeliz, na simples conversa, algo pode estar morrendo, do amor ou da amizade. Há despedidas que não são patentes. Não se lhes percebe o estalo do afastamento, que pode estar no instante de mau humor, na resposta infeliz, na alegria que não se repete ou na palavra que deixamos de dar e receber. Às vezes, está na palavra que dizemos. Nem sempre as pessoas se separam: esgarçam-se às vezes. Viver esgarça. É algo que se afasta sem romper completamente. Também no que esgarça pode haver despedida pois, embora não haja perda de matéria, nunca mais será como antes. Despedir-se é sutil, nem sempre aparece. Seres em mutação, vivemos a mudar sem saber. Na mudança, transforma-se em recordação o que antes era união e vontade, amizade ou convivência. Tudo faz-se retrato, álbum, caderno, poema, carta, saudade ou memória. A despedida não é por querer: acontece a despeito. Um simples "até já" pode conter inimagináveis nuncas. Ou sempres. Maravilhosa e cruel a vida! Tudo pode acontecer. As ligações, salvo poucas, fazem-se precárias e falíveis. Nosso destino é preso a acontecimentos semicontroláveis. Ou impulsos, cansaços, e as discordâncias, são imprevisíveis. E geram despedidas antes insuperáveis. Ninguém sabe de quem se afastará. Nem quais as amizades e amores de toda a vida, nada obstante existam. Raros captam a dor que estala em cada hipótese de despedida. Separar-se contém sempre a hipótese da despedida. Por isso, uma dor sempre se infiltra em cada afastamento. Algo se assusta, escondido em tudo o que se separa. Ainda que para ir ali pertinho e logo voltar.
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