segunda-feira, 22 de março de 2010


"Voa coração. Ou então arde."
[Eugénio de Andrade]

Foto: Claire Danes in Romeo e Julieta

domingo, 21 de março de 2010

"Nascemos todo dia quando nasce o sol, começa hoje mesmo a vida que te resta."
[Rubem Alves]

sábado, 20 de março de 2010

Não tenha medo

"Não tenha medo da quantidade absurda de carinho que eu quero te fazer.
Nem de eu ser assim e falar tudo na lata. Nem de eu não fazer charme quando simplesmente não tem como fazer. Nem de eu te beijar como se a gente tivesse acabado de descobrir o beijo. Nem de eu ter ido dormir com dor na alma o fim de semana inteiro por não saber o quanto posso te tocar. Não tenha medo de eu ser assim tão agora. Nem desse meu agora ser do tamanho do mundo!"

[Tari Bernardi]

Foto: Mischa Bartone Gregory Smith in Um amor para toda vida

O nosso mundo


Que importa o mundo e as ilusões defuntas?...
Que importa o mundo seus orgulhos vãos?...

O mundo, Amor?... As nossas bocas juntas!..
.[Florbela Espanca]

sexta-feira, 19 de março de 2010


Para meu coração basta teu peito
para tua liberdade bastam minhas asas.
Desde minha boca chegará até o céu
o que estava dormindo sobre tua alma.
E em ti a ilusão de cada dia. 

Chegas como o sereno às corolas.
Escavas o horizonte com tua ausência
Eternamente em fuga como a onda.


 Eu disse que cantavas no vento
como os pinheiros e como os hastes. 
 Como eles és alta e taciturna
e intristeces prontamente, como uma viagem.

Acolhedora como um velho caminho.
Te povoa ecos e vozes nostálgicas.
eu despertei e as vezes emigram e fogem
pássaros que dormiam em tua alma.


  
[Pablo Neruda]

Escute seu amor

"A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. 
É na escuta que o amor começa. 
E é na não-escuta que ele termina." 
[Rubem Alves]

Foto: Rachel McAdams e Eric Bana in Te amarei para sempre (The Time Traveler's Wife)


"Oh Deus, como estou sendo feliz. O que estraga a felicidade é o medo. Fico com medo. Mas o coração bate. O amor inexplicável faz o coração bater mais depressa."

[Clarisse Lispector in Água Viva]

quinta-feira, 18 de março de 2010

Siga em frente


"A vida voa na sua cara, esbarra no seu rosto, suja sua vaidade, corrompe suas certezas e você não pode fazer nada. A não ser lavar o rosto e começar tudo de novo."

[Tati Bernardi]
Renée Kathleen Zellweger in O Diário de Bridget Jones
 Foto:




Seja o que quiser

"Não te quero só para mim nem poderia. 
Quero-te para ti mesmo e para tua própria vida. 
Quanto mais fores o que quiseres, 
mais serás o que eu queria!"

[Luiz Poeta]

Ouça

Ouça
A canção que vem do meu coração
Uma melodia que eu comecei
Mas não consegui terminar

Ouça
O som que vem de dentro
que está apenas começando
a encontrar liberdade

É chegada a hora
de meus sonhos serem ouvidos
Eles não serão postos de lado
nem modificados por seu prazer prórpio.
tudo porque você não vai
ouvir

Ouça
Eu estou sozinha numa encruzilhada
Eu não me sinto em casa na minha própria casa
E eu tentei e tentei
dizer o que estava na minha cabeça
Você deveria saber que eu tentei

Agora eu não acredito em você
Você não sabe o que eu sinto
Eu sou mais do que você fez de mim
Eu segui a voz que você me deu
Mas agora eu tenho que encontrar
a minha própria

Você deveria ter ouvido
Há alguém aqui dentro
Alguém que eu achava que tinha morrido há muito tempo
Eu estou livre agora
e meus sonhos serão ouvidos
Eles não serão mais postos de lada por palavras suas
Tudo porque você não vai ouvir


[...]

Eu não sei de onde sou
mas eu irei mudar
Se você não
Se você nunca
Ouvir
A canção aqui no meu coração
Uma melodia que eu comecei
Mas eu vou consegui completar
Agora eu não acredito mais em você
você não sabe o que eu estou sentindo
Eu sou mais do que você fez de mim
Eu segui a voz
que você acha que me deu
Mas agora tenho que encontrar
a minha prórpia
a minha própria voz.
[Beyoncé in Listen]


Abrindo um antigo caderno
foi que eu descobri:
Antigamente eu era eterno.

[Paulo Leminski]

"Fabio me olha bravo, de pé, diante do portão. E diz que não, que estou errada, que somos felizes juntos. Agarra meu braço e o aperta com força. Porque quando alguém que você deseja se vai, você tenta mantê-lo com as mãos e espera assim prender também o seu coração. E não é assim. O coração tem pernas que você não vê. E Fabio vai embora dizendo você vai me pagar, mas o amor não é uma dívida a ser liquidada, não dá créditos, não aceita descontos."

[Federico Moccia in Desculpa se te chamo de amor. São Paulo: Editora Planeta Brasil, 2009.]

quarta-feira, 17 de março de 2010


"Eu vi que não tinha jeito. Lá embaixo todo mundo carrega o coração dentro do peito. Bem escondido, no escuro, com paletó, colete, camisa, pele, ossos, carne cobrindo. O coração trabalha sem ninguém ver. Se ele ficar fora do peito é logo ferido e morto, não tem defesa...

[Rubem Braga, in Como se fora um coração postiço]

Sim, homem é frouxo, só usa vírgula, no máximo um ponto e virgula; jamais um ponto final.
Sim, o amor acaba, como sentenciou a mais bela das crônicas de Paulo Mendes Campos: “Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar...”
Acaba, mas só as mulheres têm a coragem de pingar o ponto da caneta-tinteiro do amor. E pronto. Às vezes com três exclamações, como nas manchetes sangrentas de antigamente.
Sem reticências...
Mesmo, em algumas ocasiões, contra a vontade. Sábias, sabem que não faz sentido prorrogação, os pênaltis, deixar o destino decidir na morte súbita.
O homem até cria motivos a mais para que a mulher diga basta, chega, é o fim!!!
O macho pode até sair para comprar cigarro na esquina e nunca mais voltar. E sair por ai dando baforadas aflitas no king-size do abandono, no Continental sem filtro da covardia e do desamor.
Mulher se acaba, mas diz na lata, sem mané-metáforas.
Melhor mesmo para os dois lados, é que haja o maior barraco. Um quebra-quebra miserável, celular contra a parede, controle remoto no teto, óculos na maré, acusações mútuas, o diabo-a-quatro, barraqueiros corazones.
O amor, se é amor, não se acaba de forma civilizada.
Nem no Crato... nem na Suécia.
Se ama de verdade, nem o mais frio dos esquimós consegue escrever o “the end” sem uma quebradeira monstruosa.
Fim de amor sem baixarias é o atestado, com reconhecimento de firma e carimbo do cartório, de que o amor ali não mais estava.
O mais frio, o mais “cool” dos ingleses estrebucha e fura o disco dos Smiths, I Am Human, sim, demasiadamente humano esse barraco sem fim.
O que não pode é sair por ai assobiando, camisa aberta, relax, chutando as tampinhas da indiferença para dentro dos bueiros das calçadas e do tempo.
O fim do amor exige uma viuvez, um luto, não pode simplesmente pular o muro do reino da Carençolândia para exilar-se, com mala e cuia, com a primeira criatura ou com o primeiro traste que aparece pela frente.
E vamos ficando por aqui, pois já derrapei na curva da auto-ajuda como uma Kombi velha na Serra do Mar... e já já descambarei, eu me conheço, para o mundo picareta de Paulo Coelho. Vade retro.

[Xico Sá]


"...sempre que Gertrud e eu nos abraçávamos, eu voltava a ter a sensação de que ela não era a pessoa certa, de que o seu abraço e o seu toque eram a coisa errada, de que seu cheiro e o seu gosto eram os errados. Pensava que a sensação sumiria. Esperava que ela sumisse. Queria ficar livre de Hanna. Mas a sensação de que aquilo não estava certo nunca sumiu."
[ Bernhard Schlink in O Leitor, pag 90]

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