sexta-feira, 22 de abril de 2016

O amor pode nos parecer muito cruel 
se visto com o olhar da emoção, 
da posse, do prazer.
Amar é uma coisa inventada.
Inventada pelo sentir. 
Amor é renúncia, é verdade, sem apego, 
desprendido, é anular-se pelo outro.
Acho que enquanto existir o ego não saberemos amar.

[Charles Bukowski]


"No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento..."

[Mario Quintana]

É difícil aceitar que se perdeu, mas é corajoso retomar o caminho de volta pra se reencontrar. 

A gente se perde aos pouquinhos, se afastando de amizades verdadeiras, de amores eternos, de abraço de mãe, de carinho de gente que te conhece de verdade. E quando faz o caminho de volta, percebe que seu cantinho estava guardado na vida de cada um, que os braços continuavam estendidos, o colo pronto, o riso fácil e a casa segura. 
A gente se perde pra se encontrar maior, mais inteiro, mais completo. A gente se perde pra descobrir que, o que é verdadeiramente nosso está nos esperando.

[Renata Fagundes]

sexta-feira, 18 de março de 2016

Ela falava de sonhos sem medo de parecer ridícula. Gostava da leveza descompromissada de vez ou outra marcar encontro com seu livro favorito. Colecionava filmes água com açúcar sem se preocupar com o que achavam do seu intelecto. Enquanto todos buscavam o dourado do sol, ela comemorava o cheiro da chuva perfumando a casa. Afinal,era feita de barro, podia ser moldada de acordo com os dias e se o resultado não fosse o esperado, se deixava quebrar e se refazia.

[Renata Fagundes]

"Não tenho nenhuma queixa a fazer quanto ao meu percurso e aos lugares aonde ele me levou; talvez sobre outras coisas eu tenha reclamações, suficientes para encher uma tenda de circo, mas o caminho que escolhi tem sido sempre o certo, e tampouco gostaria que tivesse sido de outro jeito."

[Nicholas Sparks in Diário de uma paixão]

"...Somando os prós e os contras, as boas e más opções, onde, afinal, é o melhor lugar do mundo?
Meu palpite: dentro de um abraço.
Que lugar melhor para uma criança, para um idoso, para uma mulher apaixonada, para um adolescente com medo, para um doente, para alguém solitário? Dentro de um abraço é sempre quente, é sempre seguro. Dentro de um abraço não se ouve o tic-tac dos relógios e, se faltar luz, tanto melhor. Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve..."

[Martha Medeiros in   Feliz por Nada]
Img:  Ana Brenda Contreras  e Ivan Sanchez in Lo imperdonable

Perdoe minha deselegância de não saber o que quero da vida. Às vezes confundo mesmo vontades com pássaros em alvoroço, voando em bando para o nada mais próximo mas que faça recordar em algo o aconchego de um ombro morno. Tenho estado fora do lugar ultimamente. Não peço que você me entenda, só peço que você me perdoe a deselegância de ter medo e de raciocinar demais quando o que eu deveria fazer era sentir, e mais nada. E não pense que estou fugindo, apenas não estou aqui e digo, sei o caminho, só não tenho certeza se já é hora de voltar.

[Flávia Brito]
img: Sam Heughan e Caitriona Balfe in Outlander 

"Um dia seus olhares se cruzam. Você sente uma coisa que nunca sentiu. Seu coração acelera. Seu corpo arrepia. Seu olhar ilumina. Sua boca fica seca. Sua barriga sente um frio interminável. Borboletas dançam uma dança bonita no seu estômago. O mundo de repente para por um segundo. E você pensa oi, sorte."

[Clarissa Corrêa]

Felicidade

És precária e veloz, Felicidade. 
Custas a vir, e, quando vens, não te demoras. 
Foste tu que ensinaste aos homens que havia tempo, 
e, para te medir, se inventaram as horas. 

Felicidade, és coisa estranha e dolorosa. 
Fizeste para sempre a vida ficar triste: 
porque um dia se vê que as horas todas passam, 
e um tempo, despovoado e profundo, persiste.

[Cecília Meireles]

segunda-feira, 14 de março de 2016

Para vencer

para ganhar é necessário
a renúncia, o mérito
a gota de suor
a integridade do caminho
a honra da palavra
a verdade do afeto
essencial ainda é
descobrir a dor
de tudo que se
perde ao vencer

[Cáh Morandi]

Qual é essa guerra que travamos, na evidência de nossa derrota? Manhã após manhã, já exaustos com todas essas batalhas que vêm, reconduzimos o pavor do cotidiano, esse corredor sem fim que, nas derradeiras horas, valerá como destino por ter sido longamente percorrido. Sim, meu anjo, eis o cotidiano: enfadonho, vazio e submerso em tristezas. As alamedas do inferno não são estanhas a isso; lá caímos um dia por termos ficado ali muito tempo. De um corredor ás alamedas: então se dá a queda, sem choque nem surpresa. Cada dia reatamos com a tristeza do corredor e, passo após passo, executamos o caminho da nossa sombria danação.
Ele terá visto as alamedas? Como se nasce, depois de se ter caído? Que pupilas novas em olhos calcinados? Onde começa a guerra, e onde cessa o combate?

Então, uma camélia.

[Muriel Barbery in A Elegância do Ouriço]

"Tantos trancos. 
E o meu olho nem conseguindo ver mais nada bonito."

[Caio Fernando Abreu in Cartas]

terça-feira, 8 de março de 2016

A cada manhã, exijo ao menos a expectativa de uma surpresa, quer ela aconteça ou não. Expectativa, por si só, já é um entusiasmo.
Quero que o fato de ter uma vida prática e sensata não me roube o direito ao desatino. Que eu nunca aceite a idéia de que a maturidade exige um certo conformismo.
Que eu não tenha medo nem vergonha de ainda desejar.
Quero uma primeira vez outra vez. Um primeiro beijo em alguém que ainda não conheço, uma primeira caminhada por uma nova cidade, uma primeira estréia em
algo que nunca fiz, quero seguir desfazendo as virgindades que ainda carrego, quero ter sensações inéditas até o fim dos meus dias.
Quero ventilação, não morrer um pouquinho a cada dia sufocada em obrigações e em exigências de ser a melhor mãe do mundo, a melhor esposa do mundo, a melhor qualquer coisa. Gostaria de me reconciliar com meus defeitos e fraquezas, arejar minha biografia, deixar que vazem algumas idéias minhas que não são muito abençoáveis.
Queria não me sentir tão responsável sobre o que acontece ao meu redor.
Compreender e aceitar que não tenho controle nenhum sobre as emoções dos outros, sobre suas escolhas, sobre as coisas que dão errado e também sobre as que dão certo. Me permitir ser um pouco insignificante.
E, na minha insignificância, poder acordar um dia mais tarde sem dar explicação,
conversar com estranhos, me divertir fazendo coisas que nunca imaginei, deixar de ser tão misteriosa pra mim mesma, me conectar com as minhas outras possibilidades de existir. O que eu quero mais? Me escutar e obedecer ao meu
lado mais transgressor, menos comportadinho, menos refém de reuniões familiares, marido, filhos, bolos de aniversário e despertadores na segunda-feira de manhã. E também quero mais tempo livre. E mais abraços.

[Martha Medeiros in Doidas e Santas]
img:  Kirsten  Dunst in Maria Antonieta

"O inesperado me fascina Nossa visão momentânea é cega, pois se concentra apenas no que nossos olhos conseguem alcançar. O inesperado vê além dos fatos pra ele, nada é o que parece acho até que ele se diverte com nossas agonias. Consigo visualiza-lo com um sorriso sarcástico dizendo: espere por mim... Aprendi a confiar nele, a me deixar conduzir. Nunca me arrependi. Pois sei que ele está a espreita, esperando eu me distrair."

[Renata Fagundes]

"...amar o outro nas suas fragilidades e incertezas. É aceitar que uma união é para trazer alegria e cumplicidade, e não sufocamento e repressão. É ter noção de que a cada idade estamos um pouquinho transformados, com anseios e expectativas bem diferentes dos que tínhamos quando casamos, e quem nos ama de verdade vai procurar entender isso, e não lutar contra. Sendo aberto nesse sentido, o casal construirá uma relação que seja plena e feliz para eles mesmos, e não para a torcida."

[Martha Medeiros in Doidas e Santas]

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