quarta-feira, 25 de maio de 2016

Às vezes tudo se ilumina de uma intensa irrealidade
E é como se agora este pobre, este único,
este efêmero instante do mundo
Estivesse pintado numa tela,
Sempre...

[Mário Quintana]

"Não nos é permitido ver a magnitude de nossa Divindade, nem compreender

o alcance de nosso Destino e o futuro glorioso que está diante de nós,
se assim fosse, a vida não seria uma prova nem envolveria esforço, nem testaria o nosso mérito.
Nossa virtude consiste em estarmos esquecidos na maior parte dessas coisas grandiosas,
e ainda assim ter fé e coragem para viver bem e dominar as dificuldades desta terra.
Contudo, podemos, por comunhão com nosso EU Superior, manter essa harmonia
que nos torna capazes de superar todos os obstáculos terrenos e 
empreender nossa jornada ao longo do caminho reto para cumprirmos
nosso destino, imunes ás influências que nos possam desviar.".

[Edward Bach in Os Remédios Florais do Dr. Bach]


Um texto do Rubem Alves (1933-2014) sobre a liberdade do vôo dos pássaros e a sonhada liberdade humana, que cita a obra “Os Irmãos Karamazov” (1879), de Fiódor Dostioévski (1821-1881), foi compartilhado  na net como um pequeno trecho, e abaixo segue o trecho inteiro — como reproduzido no blog Rubem Alves Dois, da introdução do livro “Religião & Repressão” (Edições Loyola, 2005). Rubem Alves fala da liberdade que é ao mesmo tempo um grande sonho e um imenso pesadelo, dizendo que “não há nada mais sedutor aos olhos dos homens do que a liberdade de consciência, mas também não há nada mais terrível”. O trecho também traz um poema de Fernando Pessoa (1888-1935), “Abdicação” (1921), que também fala dos vôos de ave e da alma humana.

O vôo do pássaro humano é um tema querido a Rubem Alves, aos humanos que vislumbram a liberdade. Em outro livro, “Dogmatismo & Tolerância” (Edições Loyola, 2004), Rubem Alves explicava o que significava o vôo dos pássaros:

“O vôo pode ser visto, mas não pode ser dito.
 O vôo dos pássaros está além das palavras. 
Quando os poetas falam sobre o vôo eles não estão dizendo o vôo. 
O poema é o dedo do poeta apontando para o vôo do pássaro que está além das suas palavras”.
[Rubem Alves, em “Dogmatismo & Tolerância”, pg.9]



Segue o texto do outro livro.

RELIGIÃO & REPRESSÃO [ Introdução ] Por Rubem Alves

De tudo o que Dostoiévski escreveu em Os irmãos Karamazov; o que mais me impressionou foi o relato sobre o “Grande Inquisidor”. Jesus havia voltado à terra e andava incógnito entre as pessoas. Todos o conheciam e sentiam o seu poder, mas ninguém se atrevia a dizer o seu nome. Não era necessário.

O Grande Inquisidor o observava de longe, no meio da multidão, e ordena que ele seja preso e trazido à sua presença. Então, diante do prisioneiro silencioso ele profere a sua acusação.

Não há nada mais sedutor aos olhos dos homens do que a liberdade de consciência, mas também não há nada mais terrível. E em lugar de pacificar a consciência humana de uma vez por todas, mediante sólidos princípios, tu lhes ofereceste o que há de mais estranho, de mais enigmático, de mais indeterminado, tudo o que ultrapassava as forças humanas, a liberdade.

Agiste, pois, como se não amasses os homens. […] Em vez de te apoderares da liberdade humana, tu a multiplicaste e, assim fazendo, envenenaste com tormentos a vida do homem, para toda a eternidade…

O Grande Inquisidor estava certo. Ele conhecia o coração dos homens. Os homens dizem amar a liberdade, mas de posse dela são tomados por um grande medo e fogem para abrigos seguros. A liberdade é amedrontadora.

Os homens são pássaros que amam o vôo, mas têm medo de voar. Por isso abandonam o vôo e se protegem em gaiolas.

Não me recordo o nome do autor. Mas não importa. O texto vale por ele mesmo e não pelo nome daquele que o escreveu. Eu o reconto com as minhas palavras.

Havia um bando de patos selvagens que voavam nas alturas. Lá em cima era o vento, o frio, os horizontes sem fim, as madrugadas e os poentes coloridos. Tão lindo! Mas era uma beleza que doía. O cansaço das asas, o não ter casa fixa, o estar sempre voando, as espingardas dos caçadores…

Foi assim que um pato selvagem, olhando lá das alturas para essa terra de anões aqui em baixo, viu um bando de patos domésticos. Estavam tranqüilamente deitados à sombra de uma árvore, poupados do esforço de voar. E havia comida em abundância.

O pato selvagem invejou os patos domésticos e resolveu juntar-se a eles. Disse adeus aos seus companheiros, desceu e passou a viver a vida que pedira a Deus.

E assim viveu por muitos anos até que de novo chegou o tempo da migração dos patos. Eles apareciam, lá no fundo do azul do céu, formações em “V”, grasnando, um grupo após o outro. Aquela visão dos patos em vôo, a memória das alturas, aqueles grasnados de outros tempos começaram a mexer com algum lugar esquecido dentro do pato domesticado.

Uma saudade, uma nostalgia de belezas, o fascínio do perigo e o vazio que se abria… Até que não foi mais possível agüentar. Resolveu voltar a ser pato selvagem. Abriu as asas e bateu-se para voar, como outrora, mas não voou. Caiu, esborrachou-se no chão.

Estava gordo demais. E assim passou o resto de sua vida: em segurança, protegido pelas cercas e triste por não poder voar.

Acho que Fernando Pessoa se sentiu um pouco como o pato. Pelo menos é o que sinto ao ler esse poema:

Ah, quanto vez, na hora suave
Em que não me esqueço,
Vejo passar o vôo de ave
E me entristeço!

Por que é ligeiro, leve, certo
No ar de amavio?
Por que vai sob o céu aberto
Sem um desvio?

Por que ter asas simboliza
A liberdade
Que a vida nega e a alma precisa?
Sei que me invade

Um horror de me ter que cobre
Como uma cheia
Meu coração, e entorna sobre
Minh’alma alheia

Um desejo, não de ser ave,
Mas de poder
Ter não sei quê do vôo suave
Dentro em meu ser.

Somos assim. Sonhamos o vôo, mas tememos as alturas. Para voar é preciso amar o vazio. Porque o vôo só acontece se houver o vazio. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Os homens querem voar, mas temem o vazio. Não podem viver sem certezas. Por isso trocam o vôo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram.

É um engano pensar que os homens seriam livres se pudessem, que eles não são livres porque um estranho os engaiolou, que se as portas das gaiolas estivessem abertas eles voariam. A verdade é o oposto. Os homens preferem as gaiolas ao vôo. São eles mesmos que constroem as gaiolas onde passarão as suas vidas.

“Prisioneiro”, dize-me, quem foi que fez essa inquebrável corrente que te prende?”, perguntava Tegore. “Fui eu”, disse o prisioneiro, “fui eu que forjei com cuidado esta corrente”.

Deus dá a nostalgia pelo vôo.
As religiões constroem gaiolas.
Quando o vôo se transforma em gaiolas, isso é idolatria.

As religiões são instituições que pretendem haver colocado numa gaiola o pássaro encantado. E não percebem que o pássaro que têm nas suas gaiolas de palavras é um pássaro empalhado.

Era por isso que no Antigo Testamento era proibido falar o nome de Deus. Hoje, ao contrário, os religiosos não só falam o nome sagrado como também escrevem tratados de anatomia e fisiologia divinas. E proclamam que o pássaro só pode ser encontrado dentro das suas gaiolas.

Religiões: uma enorme feira onde se vendem pássaros engaiolados de todos os tipos. Os hereges que as religiões queimam e matam não são assassinos, terroristas, ladrões, adúlteros, pedófilos, corruptos. Esses são pecados de um pássaro engaiolado que precisa ser curado pelo perdão e pelos sacramentos.

Os hereges, ao contrário, são os pássaros que recusam as gaiolas das palavras que os prendem, que falam palavras proibidas. Para esses não há perdão.

Vivi, durante muitos anos, numa gaiola de palavras. Eu gostava dela. Não me sentia engaiolado. Sentia-me protegido. Minha gaiola era minha armadura. Quando as gaiolas são feitas de ferro é fácil perceber a prisão. Os prisioneiros sonham o tempo todo com fugas.

Mas há gaiolas que não são feitas com ferro. São feitas com palavras. As gaiolas de ferro nos prendem por fora. As gaiolas de palavras nos prendem por dentro. Porque as palavras, como dizem as Sagradas Escrituras, se fazem carne.

Eu era a minha gaiola. Quem tenta quebrar uma grade da minha gaiola é como se estivesse arrancando um órgão do meu corpo. Ah, pedaço arrancado de mim… Odeio aqueles que tentam dilacerar-me.

Este livro foi escrito com o propósito de desatar as malhas de palavras que faziam a minha gaiola. Era um tipo de protestantismo a qual dei o nome de Protestantismo da Reta Doutrina.

O Protestantismo da Reta Doutrina é aquele que cuida com zelo especial das palavras certas. Da palavra certa depende a salvação da alma. Quem fala as palavras erradas está condenado ao inferno eterno.

[…]

A obsessão com a verdade que caracteriza isso a que dei o nome de Protestantismo da Reta Doutrina não é coisa típica do protestantismo. Ela se manifesta nas mais variadas formas de associação humana.

A invocação da “verdade” é o instrumento de que se valem os inquisidores, nas suas múltiplas versões, para matar – ou silenciar – aqueles que têm idéias diferentes das suas. Trata-se de uma tentação universal, possivelmente uma variação da tentação original (“… e sereis como Deus”). Dessa tentação não estão livres nem mesmo as instituições científicas, como mostrou Thomas Kuhn, historiador da ciência…

Muita coisa mudou. Entre as mudanças, o tsunami dos “evangélicos”, provocando devastações incalculáveis na Igreja católica e denominações protestantes. Quando o protestantismo clássico veio para o Brasil no século XIX, através do movimento missionário, os protestantes se denominavam “evangélicos” para se distinguirem dos papistas.

Como se dissessem: “O nosso Deus está num livro sagrado inspirado e não na cabeça de um homem”. Por mais de um século, ser evangélico era sinônimo de ser protestante. Hoje, os grupos conhecidos como evangélicos nenhuma relação têm com o protestantismo clássico.

O protestantismo clássico, como o catolicismo, se aproximava de uma filosofia, de uma visão de mundo, do universo, da história. Nessa arquitetura de tempos e espaços havia um problema central: o destino da alma depois a morte.

A teologia cristã ortodoxa se construiu, toda ela, sobre o pressuposto do inferno. Todas as suas doutrinas foram desenvolvidas e só fazem sentido tendo-se o inferno como cenário dominante. Tão importante é a idéia de inferno que Santo Tomás de Aquino afirmou que a visão do inferno faz parte da bem-aventurança de Deus e dos salvos, no céu…

Os grupos “evangélicos” de hoje, ao contrário, não se preocupam com o destino da alma depois da morte. As pessoas não são mais convertidas para serem “salvas”. Elas se convertem para viver melhor esta vida. O que interessa é a vida antes da morte, neste mundo.

O que se busca é a “bênção”. Deus é o poder mágico que, se corretamente manipulado, conserta os estragos que o Diabo faz na vida de cada um. Talvez essa seja a razão para o seu sucesso. Parece que hoje são poucas as pessoas que vivem em função do medo do inferno.

Os horrores desta vida são mais prementes. Como disse Dostoievski, “os homens não estão atrás de Deus. Estão atrás do milagre”. Deus é o poder que faz a vontade dos homens, se as fórmulas mágicas forem usadas segundo a receita.

Todos aqueles que se julgam possuidores da verdade são inquisidores. Leszek Kolakowski, filósofo polonês que viveu sob o comunismo, experimentou isso na sua própria vida. São dele as palavras que transcrevo a seguir:

Falo de consistência em apenas um sentido, limitado à correspondência entre comportamento e pensamento, à harmonia íntima entre princípios gerais e sua aplicação.

Portanto, considero como consistente simplesmente um homem que, possuindo um certo número de conceitos gerais e absolutos, esforça-se honestamente em tudo o que faz, em todas as suas opiniões sobre o que deve ser feito, para manter-se na maior concordância possível com aqueles conceitos.

Por que deveria qualquer pessoa, inflexivelmente convencida da verdade exclusiva dos seu conceitos relativos a qualquer e a todas as questões, estar pronta para tolerar idéias opostas? Que bem ela pode esperar de uma situação em que cada um é livre para expressar opiniões que, segundo o seu julgamento, são patentemente falsas e, portanto, prejudiciais à sociedade?

Por que direito deveria ela abster-se de usar quaisquer meios para atingir o alvo que julga correto? Em outras palavras: consistência total equivale, na prática, ao fanatismo, enquanto a inconsistência é a fonte da tolerância.

[…] Temos de notar que a humanidade tem sobrevivido somente graças à inconsistência […] a raça das pessoas inconsistentes continua a ser uma das maiores fontes de esperança de que a espécie humana conseguirá, de alguma forma, sobreviver.

Leszek Kolakowski, “Em louvor à inconsistência”.

A tentação dos absolutos é uma característica universal do espírito humano. Todos queremos possuir a verdade. E para possuir a verdade é preciso que se a engaiole. E para engaiolar a verdade é necessário engaiolar a liberdade e o pensamento….

[Rubem Alves, Introdução do livro “Religião e Repressão”]

*Compartilhado pelo site Rubem Alves Dois (blog não-oficial do Rubem Alves).

terça-feira, 24 de maio de 2016

Tomara que os olhos de inverno das circunstâncias mais doídas não sejam capazes de encobrir por muito tempo os nossos olhos de sol. Que toda vez que o nosso coração se resfriar à beça, e a respiração se fizer áspera demais, a gente possa descobrir maneiras para cuidar dele com o carinho todo que ele merece. Que lá no fundo mais fundo do mais fundo abismo nos reste sempre uma brecha qualquer, ínfima, tímida, para ver também um bocadinho de céu. Tomara que os nossos enganos mais devastadores não nos roubem o entusiasmo para semear de novo. Que a lembrança dos pés feridos quando, valentes, descalçamos os sentimentos, não nos tire a coragem de sentir confiança. Que sempre que doer muito, os cansaços da gente encontrem um lugar de paz para descansar na varanda mais calma da nossa mente. Que o medo exista, porque ele existe, mas que não tenha tamanho para ceifar o nosso amor. Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo. Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer d
o nosso. Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes. Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito. Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria. Tomara que apesar dos apesares todos, dos pesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz. Tomara.

[Ana Jácomo]

"E o meu exercício diário continua sendo decifrar as questões que a vida me dá. É quase um malabarismo, onde manter a lucidez é imprescindível. Então vasculho todos os espaços existentes em mim, e percebo que não preciso ter todas as respostas, basta não me fazer de desentendida e aceitar todas as perguntas. O maior erro do ser humano não é o vacilo que muitas vezes comete, mas se submeter a cegueira para obter somente a resposta que lhe interessa!"

[Fernanda Gaona]

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Bem no fundo

no fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nosso problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela -- silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas

[PAULO LEMINSKI]

quinta-feira, 12 de maio de 2016

O ser humano é uma criatura literalmente extraordinária. Descobriu o fogo, construiu cidades, escreveu magníficos poemas, deu interpretações do mundo, inventou imagens mitológicas etc. Porém, ao mesmo tempo, não cessou de guerrear seus semelhantes, de se enganar, de destruir seu meio ambiente etc. O equilíbrio entre a alta virtude intelectual e abaixa idiotice dá um resultado mais ou menos neutro. Logo, decidindo falar da burrice, de certa forma prestamos uma homenagem a essa criatura que é um tanto genial e outro tanto imbecil”.

[Umberto Eco in Não Contem com o Fim do Livro]

"Beleza não é ter um cabelo longo, pernas finas, pele bronzeada e dentes perfeitos. Acredite em mim. Beleza é o rosto de quem chorava e agora sorri. Beleza, é a cicatriz no seu joelho que você tem desde aquela vez que você caiu quando era criança, beleza é quando o amor não te deixa dormir de noite, beleza é a expressão no seu rosto quando o despertador toca de manhã. É a maquiagem borrada quando você toma banho, é a gargalhada de quando você conta uma piada e só você entende. Beleza é encontrar o seu olhar e ficar sem rumo, beleza é o seu olhar quando eu olho para ele, é quando você chora por suas paranoias, são as linhas de expressão marcadas pelo tempo. Beleza é o que a gente sente por dentro e que também reflete por fora. Beleza são as marcas que a vida nos deixa, todos os chutes e caricias que as memórias nos dão. Beleza, é se deixar viver."

[Emma Watson]



sexta-feira, 6 de maio de 2016

Pai, começa o começo

Quando eu era criança e pegava uma tangerina para descascar, corria para meu pai e pedia: – “Pai, começa o começo!”. O que eu queria era que ele fizesse o primeiro rasgo na casca, aquele mais difícil e resistente para as minhas pequenas mãos. Depois, sorridente, ele sempre acabava descascando toda a fruta pra mim. Mas, outras vezes, eu mesmo tirava o restante da casca a partir daquele primeiro rasgo providencial que ele havia feito.

Meu pai faleceu há muito tempo e não sou mais criança. Mesmo assim, sinto grande desejo de tê-lo ainda ao meu lado para, pelo menos, “começar o começo” de tantas cascas duras que encontro pelo caminho.

Hoje, minhas “tangerinas” são outras. Preciso “descascar” as dificuldades do trabalho, os obstáculos dos relacionamentos com os amigos, os problemas no núcleo familiar, o esforço diário que é a construção do casamento, os retoques e pinceladas de sabedoria na imensa arte de viabilizar filhos realizados e felizes, ou então, o enfrentamento sempre tão difícil de doenças, perdas, traumas, separações, mortes, dificuldades financeiras e, até mesmo, as dúvidas e conflitos que nos afligem diante de tantas decisões e desafios que enfrentamos.

Em certas ocasiões, minhas tangerinas transformam-se em enormes abacaxis…

Lembro-me, então, que a segurança de ser atendido pelo papai quando lhe pedia para “começar o começo” era o que me dava a certeza que conseguiria chegar até ao último pedacinho da casca e saborear a fruta.

O carinho e a atenção que eu recebia do meu pai me levaram a pedir ajuda a Deus, meu Pai do Céu, que nunca morre e sempre está ao meu lado. Meu pai terreno me ensinou que Deus, o Pai do Céu, é eterno e que Seu amor é a garantia de nossas vitórias.

Quando a vida parecer muito grossa e difícil, como a casca de uma tangerina para as mãos frágeis de uma criança, lembre-se de pedir a Deus:

“Pai, começa o começo!”. Ele não só “começará o começo”, mas resolverá toda a situação para você.

Não sei que tipo de dificuldade eu e você estamos enfrentando ou encontraremos pela frente. Sei apenas que vou me garantir no Amor Eterno de Deus para pedir, sempre que for preciso: “Meu Pai, começa o começo.”

([Texto lido pelo Padre Fábio de Melo no Programa Direção Espiritual ]

quarta-feira, 4 de maio de 2016

É tempo.
É tempo de ainda ires a tempo. 
(...) 
Porque o tempo, se não sabes deverias saber, 
apenas se mede em suspiros. 
Há quanto tempo deste o teu último?

[Pedro Chagas Freitas]

Img: Penelope Cruz in Vanila Sky (Amo esse filme)



"Afinal, todos queremos no peito o nó de um outro peito, 
o devolver da metade que perdemos ao nascer."

[Mia Couto]

Tudo Passa

Não permitir a manifestação de grande júbilo ou grande lamento em relação a qualquer acontecimento, uma vez que a mutabilidade de todas as coisas pode transformá-lo completamente de um instante para o outro; em vez disso, usufruir sempre o presente da maneira mais serena possível: isso é sabedoria de vida. Em geral, porém, fazemos o contrário: planos e preocupações com o futuro ou também a saudade do passado ocupam-nos de modo tão contínuo e duradouro, que o presente quase sempre perde a sua importância e é negligenciado; no entanto, somente o presente é seguro, enquanto o futuro e mesmo o passado quase sempre são diferentes daquilo que pensamos. Sendo assim, iludimo-nos uma vida inteira.
Ora, para o eudemonismo, tudo isso é bastante positivo, mas uma filosofia mais séria faz com que justamente a busca do passado seja sempre inútil, e a preocupação com o futuro o seja com frequência, de modo que somente o presente constitui o cenário da nossa felicidade, mesmo se a qualquer momento se vier a transformar-se em passado e, então, tornar-se tão indiferente como se nunca tivesse existido. Onde fica, portanto, o espaço para a nossa felicidade?

[Arthur Schopenhauer in A Arte de Ser Feliz]
Zac Efron e Taylor Schilling in Um homem de Sorte.

“E naquele momento eu seria capaz 
de jurar que éramos infinitos.”

 [Stephen Chbosky in “As Vantagens de Ser Invisível]

Livos, velhos amigos

Uma biblioteca é um pouco uma companhia, um grupo de amigos vivos, de indivíduos. O dia em que você se sentir um pouco isolado, um pouco deprimido, você pode se dirigir a eles. Eles estão ali. Aliás, às vezes, faço buscas e descubro coisas escondidas cuja presença eu esquecera.

[Jean-Claude Carriére in Não Contem com o Fim do Livro]

Quando o amor chegou

"pega de surpresa, o amor
me atravessou a pele, me
rasgou a carne, devorou
meus ossos, converteu o meu
espírito e trocou as roupas
da minha alma exausta..."

[Cáh Morandi]

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