quinta-feira, 30 de junho de 2016

"Sim, chorar eu chorei!
São mornas as  Auroras!
Toda lua  é cruel e todo sol, engano:
O amargo amor opiou de ócios minhas horas
Ah! que esta  quilha rompa!
Ah! Que me  engula o oceano!"

[Rimbaud; Rimbaud Livre in trecho do poema O Barco Bêbado]

Vamos ser pessoas melhores

Acho que a grande revolução, e o livro Ensaio sobre a Cegueira» fala disso, seria a revolução da bondade. Se nós, de um dia para o outro, nos descobríssemos bons, os problemas do mundo estariam resolvidos. Claro que isso nem é uma utopia, é um disparate. Mas a consciência de que isso não acontecerá, não nos deve impedir, cada um consigo mesmo, de fazer tudo o que pode para reger-se por princípios éticos. Pelo menos a sua passagem pelo este mundo não terá sido inútil e, mesmo que não seja extremamente útil, não terá sido perniciosa. Quando nós olhamos para o estado em que o mundo se encontra, damo-nos conta de que há milhares e milhares de seres humanos que fizeram da sua vida uma sistemática ação perniciosa contra o resto da humanidade. Nem é preciso dar-lhes nomes”.

[José Saramago in Folha de S. Paulo, Outubro 1995]

"Me entenda. Eu não sou como um mundo comum. 
Eu tenho a minha loucura, eu vivo em outra dimensão, 
eu não tenho tempo para coisas que não têm alma." 

 [Charles Bukowski]
img: Lana DelRey

domingo, 19 de junho de 2016

notas sobre ela

ela se permite
está na vida para viver
para sentir
para amar
para rir alto
para errar
e voltar a errar
se isso for preciso para aprencer
aprender é a sua maior ambição
aprender com a natureza
com as crianças e com Chico Buarque
com as amigas, com os  idosos
e aprender, quando silencia o mundo
e escuta  o seu próprio coração

[Zack Magiezi]

sábado, 18 de junho de 2016

Lembrar de:

Não desistir
Mas se algo pesar,  descansar
Apreciar a chuva
Mas se banhar  de sol
não permitir
que suguem energias
Mas emanar amor
Sorrir
e desafiar a dor

[Beatriz Amaral]

sexta-feira, 17 de junho de 2016

"Não é apenas uma biblioteca. É uma nave espacial que vai levá-lo até aos confins do Universo, uma máquina do tempo que vai levá-lo para o extremo passado e o futuro distante, um professor que sabe mais do que qualquer ser humano, um amigo que divertirá você e o consolará — e , acima de tudo, uma porta de entrada para uma vida melhor, mais feliz e mais útil”.

[Isaac Asimov]

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Pisca-Pisca

" A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem para de piscar, chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos - viver é isso. É um dorme e acorda, dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais. A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscados. Cada pisco é um dia. Pisca e mama; pisca e brinca; pisca e estuda; pisca e ama; pisca e cria filhos; pisca e geme os reumatismos; por fim pisca pela última vez e morre.

- E depois que morre? - perguntou o Visconde.
- Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?"

[Monteiro Lobato- Memórias de Emilia]

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Essas coisas


Você não está mais na idade
de sofrer por essas coisas".

Há então a idade de sofrer
e a de não sofrer mais
por essas, essas coisas?

As coisas só deviam acontecer
para fazer sofrer
na idade própria de sofrer?

Ou não se devia sofrer
pelas coisas que causam sofrimento
pois vieram lá de fora, e a hora é calma?

E se não estou mais na idade sofrer
é por que estou morto, e morto
é a idade de não sentir as coisas, essas coisas?

[Carlos Drummond de Andrade]
img: Juliet Martin in Ringer -1ª Temporada

terça-feira, 14 de junho de 2016

“Não desista, vá em frente. Sempre há uma chance de você tropeçar em algo maravilhoso. 
Nunca ouvi falar em ninguém que tivesse tropeçado em algo enquanto estava sentado. "

[Charles F. Kettering]

[jennifer lawrence  in Jogos Vorazes - A esperança]

segunda-feira, 13 de junho de 2016




Poema de Despedida

Não saberei nunca
dizer adeus
Afinal,
só os mortos sabem morrer
Resta ainda tudo,
só nós não podemos ser
Talvez o amor,
neste tempo,
seja ainda cedo
Não é este sossego
que eu queria,
este exílio de tudo,
esta solidão de todos
Agora
não resta de mim
o que seja meu
e quando tento
o magro invento de um sonho
todo o inferno me vem à boca
Nenhuma palavra
alcança o mundo, eu sei
Ainda assim,
escrevo

[Mia Couto]
img: Nina Dobrev in the Vampire Diaries

domingo, 12 de junho de 2016

NÃO TE RENDAS


Não te rendas, ainda é tempo 
De se ter objetivos e começar de novo, 
Aceitar tuas sombras, 
Enterrar teus medos 
Soltar o lastro, 
Retomar o voo. 
Não te rendas que a vida é isso, 
Continuar a viagem, 
Perseguir teus sonhos, 
Destravar o tempo, 
Correr os escombros 
E destapar o céu. 
Não te rendas, por favor, não cedas, 
Ainda que o frio queime, 
Ainda que o medo morda, 
Ainda que o sol se esconda, 
E o vento se cale, 
Ainda existe fogo na tua alma. 
Ainda existe vida nos teus sonhos. 
Porque a vida é tua e teu também o desejo 
Porque o tens querido e porque eu te quero 
Porque existe o vinho e o amor, é certo. 
Porque não existem feridas que o tempo não cure. 
Abrir as portas, Tirar as trancas, 
Abandonar as muralhas que te protegeram, 
Viver a vida e aceitar o desafio, 
Recuperar o sorriso, 
Ensaiar um canto, 
Baixar a guarda e estender as mãos 
Abrir as asas 
E tentar de novo 
Celebrar a vida e se apossar dos céus. 
Não te rendas, por favor, não cedas, 
Ainda que o frio te queime, 
Ainda que o medo te morda, 
Ainda que o sol ponha e se cale o vento, 
Ainda existe fogo na tua alma, 
Ainda existe vida nos teus sonhos 
Porque cada dia é um novo começo, 
Porque esta é a hora e o melhor momento 
Porque não estás sozinho, porque eu te amo 

[Mario Benedetti]

sábado, 11 de junho de 2016

Estavam ali as portas
Janelas e varandas.
Estavam ali
Na fronteira do olhar
Onde o de dentro encontra
Justamente
Com o de fora.
Nesse ponto exato
Elas estavam:
Bastava um gesto.
Mas o meu estar parado
Era maior que eu.
Estar parado
Estar vivo:
A mesma incompreensão
E medo
Entre mim
E aquele estar das coisas.
Estar ali
Como nunca ter chegado.
Estar ali
Por estar ali
E além de mim
O que eu não ousava.
Ah
Relembro a amplidão dessas varandas intocadas
Os pequenos raios de luz
Nos vidros coloridos das janelas.
Revejo a dura consistência da porta
Cerrando seu segredo.
E me retomo
Ali
No imóvel do gesto que não fiz.
Como se pudesse
Agora
Escancarar portas e janelas
Para sair nu pelas varandas
Desvairado e nu
Profeta, louco, infante,
Sair para o vento
O sol, as tempestades, as neves,
As quedas de estrelas e Bastilhas,
O cheiro de jasmins
Entontecendo os quintais.
(pudesse retomar manhãs, amigo,
manhãs perdidas como tudo
que não fui)
Mas continuo
Ali.
Aqueles espaços
Permanecem mortos dentro de mim.
Como um corpo que se ama
E não se toca.

[Caio Fernando Abreu in  Cartas]
img: Kate Winslet

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Sentimento revivido

"Alguém fez uma pergunta sobre a poesia deles, se era difícil ter de reviver as palavras toda vez que se apresentavam. A resposta foi que, apesar de o ideal ser eles superarem aquilo (a pessoa ou o evento que inspirou as palavras naquela época), isso não significa que uma pessoa que estiver escutando não tenha passado pela mesma coisa.
“E daí? E daí que a dor sobre a qual você escreveu ano passado não é o que você está sentindo hoje? Pode ser exatamente o que a pessoa na primeira fila está sentindo. O que você está sentindo agora, e a pessoa a quem suas palavras talvez afetem daqui a cinco anos — é por isso que se escreve poesia.”

[Colleen Hoover in Métrica]

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Poesia sempre

Poesia serve exatamente para a mesma coisa que serve uma vaca no meio da calçada de uma agitada metrópole. Para alterar o curso do seu andar, para interromper um hábito, para evitar repetições, para provocar um estranhamento, para alegrar o seu dia, para fazê-lo pensar, para resgatá-lo do inferno que é viver todo santo dia sem nenhum assombro, sem nenhum encantamento. 

[Martha Medeiros in Doidas e Santas]

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Se você ama, diga que ama. Diga o seu conforto por saber que aquela vida e a sua vida se olham amorosamente e têm um lugar de encontro. Diga a sua gratidão. O seu contentamento. A festa que acontece em você toda vez que lembra que o outro existe. E se for muito difícil dizer com palavras, diga de outras maneiras que também possam ser ouvidas. Prepare surpresas. Borde delicadezas no tecido às vezes áspero das horas. Reinaugure gestos de companheirismo. Mas, não deixe para depois. Depois é um tempo sempre duvidoso. Depois é distante daqui. Depois é sei lá...

[Ana Jácomo]

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