terça-feira, 30 de dezembro de 2008

FELIZ 2009


Eu te desejo não parar tão cedo

Pois toda idade tem prazer e medo...

E com os que erram feio e bastante

Que você consiga ser tolerante...

Quando você ficar triste que seja por um dia

E não o ano inteiro

E que você descubra que rir é bom

Mas que rir de tudo é desespero...


Desejo!Que você tenha a quem amar

E quando estiver bem cansado

Ainda, exista amor prá recomeçar

Prá recomeçar...


Eu te desejo muitos amigos, mas que em um você possa confiar

E que tenha até inimigos, prá você não deixar de duvidar...


(...)


Eu desejo!

Que você ganhe dinheiro pois é preciso viver também

E que você diga a ele pelo menos uma vez quem é mesmo o dono de quem...


Desejo!Que você tenha a quem amar

E quando estiver bem cansado

Ainda, exista amor

Prá recomeçar

Prá recomeçar...

Recomeçar

Não importa onde você parou, em que momento da vida você cansou, o que importa é que sempre é possívele necessário "Recomeçar". Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo. É renovar as esperanças na vida e o mais importante: acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período?
Foi aprendizado.
Chorou muito?
Foi limpeza da alma.
Ficou com raiva das pessoas?
Foi para perdoá-las um dia.
Sentiu-se só por diversas vezes?
É por que fechaste a porta até para os outros.
Acreditou que tudo estava perdido?
Era o início da tua melhora.
Pois é!Agora é hora de iniciar, de pensar na luz, de encontrar prazer nas coisas simples de novo. Que tal um novo emprego? Uma nova profissão?Um corte de cabelo arrojado, diferente? Um novo curso, ou aquele velho desejo de apender a pintar, desenhar, dominar o computador, ou qualquer outra coisa?
Olha quanto desafio.Quanta coisa nova nesse mundão de meu Deus te esperando.Tá se sentindo sozinho? Besteira! Tem tanta gente que você afastou com o seu "período de isolamento", tem tanta gente esperando apenas um sorriso teu para "chegar" perto de você. Quando nos trancamos na tristeza nem nós mesmos nos suportamos. Ficamos horríveis. O mau humor vai comendo nosso fígado, até a boca ficar amarga.
Recomeçar!
Hoje é um bom dia para começar novos desafios. Onde você quer chegar?Ir alto. Sonhe alto, queira o melhor do melhor,queira coisas boas para a vida.pensamentos assim trazem para nósaquilo que desejamos.
Se pensarmos pequeno,coisas pequenas teremos. Já se desejarmos fortemente o melhore principalmente lutarmos pelo melhor, o melhor vai se instalar na nossa vida. E é hoje o dia da Faxina Mental. Joga fora tudo que te prende ao passado, ao mundinho de coisas tristes, fotos,peças de roupa, papel de bala, ingressos de cinema, bilhetes de viagens, e toda aquela tranqueira que guardamosquando nos julgamos apaixonados. Jogue tudo fora. Mas, principalmente, esvazie seu coração. Fique pronto para a vida, para um novo amor. Lembre-se somos apaixonáveis, somos sempre capazes de amar muitas e muitas vezes. Afinal de contas, nós somos o "Amor".
(Paulo Roberto Gaefke)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Amores de verão


"era verão ou qualquer troço assim
lua cheia ou algo parecido
uma saudade ou quase a mesma coisa
era amor ou mais ou menos isso"

[Martha Medeiros]

Foto: Rupert Everett e Michelle Pfeiffer in Sonho de uma noite de verão

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Má que tu foste, - me negaste aquela
última dança que eu pedi, no entanto
eu lá fiquei pelo salão, a um canto,
debruçado sozinho na janela...

E magoado, a te olhar, vi-te tão bela
nos braços de outro, - que chorei, e o pranto
secava em minhas faces por encanto
como se fosse lágrimas de vela...

De que serve chorar, pensei, - ... de nada
vale mostrar àquela que adoramos
a dor que temos na alma sepultada...

E me pus a dançar... Brinquei... Sorri...
E os dois sorrimos... e nós dois brincamos...
Mas tu sofreste!... - E eu, - quanto sofri!...
(J. G. de Araújo Jorge)

Foto: Stanislav Ianevskie e Emma Watson in Harry Potter e o Cálice de fogo

Ser humana


"Dor não tem nada haver com amargura.
Acho que tudo que acontece

é feito pra gente aprender cada vez mais,

é pra ensinar a gente a viver.

Desdobrável.

Cada dia mais rica de humanidade."

(Adélia Prado)

sábado, 13 de dezembro de 2008

Pra que isso?

... bosta de carência básica infantil, que nos torna para sempre patéticos, jamais capazes de vencer essa necessidade de alcançar o amor.
O amor, o amor, o amor.
Vá para a puta que o pariu o amor.
Todo esse imperativo de amar é puro masoquismo. De ser amado, mero sadismo. Os fatos simplesmente são como são: Amar é mais importante até que ser amado, amar faz com que a gente tente ser melhor pra conquistar o outro e acaba conquistando o mundo.

(Fernanda Young)

saudade de você

"Venha sonhar esse sonho comigo
Traz teu corpo amigo pra eu me sentir bem
Vem saciar a sede desse fogo
Vem jogar meu jogo
Diz pra mim que vem
Tô te esperando
Vem trazer a cura
Pra minha loucura que é essa paixão
Quero de novo ter prazer contigo
Faz o teu abrigo no meu coração
(Santanna, O cantador in A cura - Composição Anchieta Dali / Bia Marinho)

em outro tempo


"Éramos simples, e tínhamos o direito do abraço.
Isso foi em outro século, e o tempo sempre faz aniversário"
(Álvaro Alves de Faria)

Caderno


Eu não sei se você se recorda do seu primeiro caderno, eu me recordo do meu.
Com ele eu aprendi muita coisa, foi nele que eu descobri que a experiência dos erros é tão importante quanto às experiências dos acertos.
Porque vistos de um jeito certo, os erros, eles nos preparam para nossas vitórias e conquistas futuras.Porque não há aprendizado na vida que não passe pelas experiências dos erros. O caderno é uma metáfora da vida, quando os erros cometidos eram demais, eu me recordo, que a nossa professora nos sugeria que a gente virasse a página. Era um jeito interessante de descobrir a graça que há nos recomeços. Ao virar a página, os erros cometidos deixavam de nos incomodar e a partir deles, a gente seguia um pouco mais crescido. O caderno nos ensina que erros não precisam ser fontes de castigos. Erros podem ser fontes de virtudes! Na vida é a mesma coisa, o erro tem que estar à serviço do aprendizado; Ele não tem que ser fonte de culpas e vergonhas. Nenhum ser humano pode ser verdadeiramente grande sem que seja capaz de reconhecer os erros que cometeu na vida. Uma coisa é a gente se arrepender do que fez! Outra coisa é a gente se sentir culpado. Culpas nos paralisam. Arrependimentos não! Eles nos lançam pra frente, nos ajudam a corrigir os erros cometidos. Deus é semelhante ao caderno. Ele nos permite os erros pra que a gente aprenda a fazer do jeito certo.
Você tem errado muito?
Não importa, aceite de Deus essa nova página de vida que tem nome de HOJE! Recorde-se das lições do seu primeiro caderno.Quando os erros são demais, vire a página!

(Pe. Fábio de Melo)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O amor estará


Ah, meu amor, não tenhas medo da carência: ela é o nosso destino maior. O amor é tão mais fatal do que eu havia pensado, o amor é tão inerente quanto a própria carência, e nós somos garantidos por uma necessidade que se renovará continuamente. O amor já está, está sempre. (Clarice Linspector - A Paixão Segundo G.H)

Tanto pra te dizer

"Olha, eu estou te escrevendo só pra dizer que se você tivesse telefonado hoje eu ia dizer tanta, mas tanta coisa. Talvez mesmo conseguisse dizer tudo aquilo que escondo desde o começo, um pouco por timidez, por vergonha, por falta de oportunidade, mas principalmente porque todos me dizem que sou demais precipitado, que coloco em palavras todo o meu processo mental (processo mental: é exatamente assim que eles dizem, e eu acho engraçado) e que isso assusta as pessoas, e que é preciso disfarçar, jogar, esconder, mentir. Eu não queria que fosse assim. Eu queria que tudo fosse muito mais limpo e muito mais claro, mas eles não me deixam, você não me deixa"
(Caio Fernando Abreu)

Só descobrimos depois


"Por que é que para ser feliz é preciso não sabê-lo?"
(Fernando Pessoa)

A verdadeira beleza

"Só o que possui uma ligeira incorreção nos desperta profundamente os sentidos: donde se pode concluir que a irregularidade, isto é, a surpresa, o espanto e o inesperado constituem parte essencial e característica da beleza."

(Charles Baudelaire)

Preciso de alguém


Meu nome é Caio F.
Moro no segundo andar,
mas nunca encontrei você na escada.

Preciso de alguém, e é tão urgente o que digo. Perdoem excessivas, obscenas carências, pieguices, subjetivismos, mas preciso tanto e tanto. Perdoem a bandeira desfraldada, mas é assim que as coisas são-estão dentro-fora de mim: secas. Tão só nesta hora tardia - eu, patético detrito pós-moderno com resquícios de Werther e farrapos de versos de Jim Morrison, Abaporu heavy-metal -, só sei falar dessas ausências que ressecam as palmas das mãos de carícias não dadas. Preciso de alguém que tenha ouvidos para ouvir, porque são tantas histórias a contar. Que tenha boca para, porque são tantas histórias para ouvir, meu amor. E um grande silêncio desnecessário de palavras. Para ficar ao lado, cúmplice, dividindo o astral, o ritmo, a over, a libido, a percepção da terra, do ar, do fogo, da água, nesta saudável vontade insana de viver. Preciso de alguém que eu possa estender a mão devagar sobre a mesa para tocar a mão quente do outro lado e sentir uma resposta como - eu estou aqui, eu te toco também. Sou o bicho humano que habita a concha ao lado da concha que você habita, e da qual te salvo, meu amor, apenas porque te estendo a minha mão. No meio da fome, do comício, da crise, no meio do vírus, da noite e do deserto - preciso de alguém para dividir comigo esta sede. Para olhar seus olhos que não adivinho castanhos nem verdes nem azuis e dizer assim: que longa e áspera sede, meu amor. Que vontade, que vontade enorme de dizer outra vez meu amor, depois de tanto tempo e tanto medo. Que vontade escapista e burra de encontrar noutro olhar que não o meu próprio - tão cansado, tão causado - qualquer coisa vasta e abstrata quanto, digamos assim, um Caminho. Esse, simples mas proibido agora: o de tocar no outro. Querer um futuro só porque você estará lá, meu amor. O caminho de encontrar num outro humano o mais humilde de nós. Então direi da boca luminosa de ilusão: te amo tanto. E te beijarei fundo molhado, em puro engano de instantes enganosos transitórios - que importa? (Mas finjo de adulto, digo coisas falsamente sábias, faço caras sérias, responsáveis. Engano, mistifico. Disfarço esta sede de ti, meu amor que nunca veio - viria? virá? - e minto não, já não preciso.) Preciso sim, preciso tanto. Alguém que aceite tanto meus sonos demorados quanto minhas insônias insuportáveis. Tanto meu ciclo ascético Francisco de Assis quanto meu ciclo etílico bukovskiano. Que me desperte com um beijo, abra a janela para o sol ou a penumbra. Tanto faz, e sem dizer nada me diga o tempo inteiro alguma coisa como eu sou o outro ser conjunto ao teu, mas não sou tu, e quero adoçar tua vida. Preciso do teu beijo de mel na minha boca de areia seca, preciso da tua mão de seda no couro da minha mão crispada de solidão. Preciso dessa emoção que os antigos chamavam de amor, quando sexo não era morte e as pessoas não tinham medo disso que fazia a gente dissolver o próprio ego no ego do outro e misturar coxas e espíritos no fundo do outro-você, outro-espelho, outro-igual-sedento-de-não-solidão, bicho-carente, tigre e lótus. Preciso de você que eu tanto amo e nunca encontrei. Para continuar vivendo, preciso da parte de mim que não está em mim, mas guardada em você que eu não conheço. Tenho urgência de ti, meu amor. Para me salvar da lama movediça de mim mesmo. Para me tocar, para me tocar e no toque me salvar. Preciso ter certeza que inventar nosso encontro sempre foi pura intuição, não mera loucura. Ah, imenso amor desconhecido. Para não morrer de sede, preciso de você agora, antes destas palavras todas cairem no abismo dos jornais não lidos ou jogados sem piedade no lixo. Do sonho, do engano, da possível treva e também da luz, do jogo, do embuste: preciso de você para dizer eu te amo outra e outra vez. Como se fosse possível, como se fosse verdade, como se fosse ontem e amanhã.

(Caio Fernando Abreu - Crônica publicada no “Estadão” Caderno 2 de 29/07/87)

Seguindo a vida


"...e a vida segue acontecendo nos detalhes, nos desvios, nas surpresas e nas alterações de rota que não são determinadas por você, mas sim por um olhar que antes passava desapercebido, por uma palavra que você não esperava escutar e por fim escutou."


( Martha Medeiros )

''A um certo modo de olhar, a um jeito de dar a mão, nós nos reconhecemos, e a isto chamamos Amor.''


(Clarice Linspector)

Foto: Sarah Jessica Parkere John Corbett como Carrie e Aidan in Sex and the City, ep 63

Quereres

"Sim, afligia muito querer e não ter. Ou não querer e ter. Ou não querer e não ter. Ou querer e ter. Ou qualquer outra enfim dessas combinações entre os quereres e os teres de cada um, afligia tanto. "

(Caio Fernando Abreu in Depois de Agosto)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Vamos ser românticos



"Seremos ainda românticos
- e entraremos na densa mata,
em busca de flores de prata,
de aéreos, invisíveis cânticos. (...)

Respiraremos a frescura
dos verdes reinos encantados."
(Cecília Meirelles in Romantismo, do livro Obra Poética (José Aguilar)

Não é o fim

Thoreau escreveu: "Se você construiu castelos no ar, seu trabalho não precisa ser perdido. Lá é onde eles deveriam estar. Agora, coloque as fundações debaixo deles." A história pode ser complicada e dolorosa, mas não é a nossa destruição. Se formos afortunados, isso é a nossa fundação. Você só tem que trabalhar o seu modo de atravessar a bagunça para encontrar o que realmente importa. para encontrar os fragmentos do seu passado que você ainda carrega com você. E algumas vezes, se você tem justamente a vista certa, e justamente o castelo certo, você mesmo pode construir a fundação para a sua nova história. (Meen in Trees - 13º episódio)

Sempre você



"Dentro de mim guardo sempre teu rosto e sei que por escolha ou fatalidade, não importa, estamos tão enredados que seria impossível recuar para não ir até o fim e o fundo disso que nunca vivi antes e talvez tenha inventado apenas para me distrair nesses dias onde aparentemente nada acontece e tenha inventado quem sabe em ti um brinquedo semelhante ao meu para que não passem tão desertas as manhãs e as tardes buscando motivos para os sustos e as insônias e as inúteis esperas ardentes e loucas invenções noturnas."
(Caio F. Abreu in “Os Dragões não Conhecem o paraíso)

Insatisfação



Já nem sei quais são os motivos que me fazem perder o sono. Meus livros continuam no mesmo lugar em que os deixei há uma semana. Ao menos uma página foi mexida, uma linha sequer. Estamos ali, inertes, indiferentes um ao outro. Eu não quero ler; eles não fazem questão de serem lidos. Há livros fechados, lacrados como chegaram da livraria. Talvez já tenham morrido sufocados pela falta de cuidado que os assola. Mas eles sabem pelo que estou passando, sabem que a minha história ainda é mais importante para o curso de minha vida.E eles sabem dos amores que desfiz, das paixões perdidas ao longo do caminho. Eles, mais do que ninguém, sabem dos olhos verdes que estão roubando meu sono, meus sonhos, meu equilibrio e meu pensamento.

Aqueles mesmos olhos verdes que levaram minha paz há alguns meses. Os olhos verdes que foram capazes de segurar meu coração nas mãos e depois jogá-lo para o alto como confetes de carnaval.

nesse instante



...agora eu só queria estar em seus braços e dizer o que você já sabe só pra ver você sorrir mais uma vez.. não posso te tocar nem olhar em seus olhos agora, mas aqui dentro eu me encontro com você e por mais escuro que seja, você ilumina o meu caminho e eu canto uma canção que me faz lembrar o quanto a vida é bela com você.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

É mágica

ATUAL MÚSICA DO BLOG

Magic Snow Music do Christhoper Beck in Buffy, a Caça Vampiros, Episódio 3.10 Amends (Reparos)


EM HOMENAGEM A MÁGICA DO NATAL, DA VIDA, OU DE QUALQUER OUTRO TIPO...



QUANDO ESCUTO ESSA MÚSICA EU SINTO A MÁGICA DOS CONTOS DE FADAS...

Para baixar:
http://members.xoom.virgilio.it/buffygalaxy/audio/chrisbeck/MagicSnowMusic(Amends).zip

Foto: Sarah Michelle Gellar e David Boreanaz in Buffy The Vampire Slayer ep Amens (Reparos), 3ª temporada

Lírica, nº 55



"Onde andarás? Que braços te colherão
sem que um estremecimento me pertube?

E dizer que morria
se teus olhos não estavam nos meus..."
(J.G. de Araújo Jorge in Os mais belos poemas que o amor inspirou, Vol 3)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Apaixonante


"Comovo-me em excesso, por natureza e por ofício. Acho medonho alguém viver sem paixões."

(Graciliano Ramos)

Foto: Sarah Jessica Parker in Sex an the City - o filme

Quando te vi


"... quando te vi pela primeira vez sem jeito de repente te vi assim como se não fosse ver nunca mais e seria bom que eu não tivesse visto nunca mais porque de repente vi outra vez e outra e outra e enquanto eu te via nascia um jardim nas minhas faces ..."


(Caio Fernando Abreu)

Tanto que eu pedi pra ver o que nem eu mesma sabia...sem nem conhecer ou ter nada formado em minha mente, mas então te vi. Quando menos esperava te ver, ou ser você, nem eu sabia, mas soube quando te vi e principalmente quando você me viu... Seria tão bom não ter te visto me preenchendo, assim talvez, não te ver não me fizesse falta.

Sem saber como



Vou explicar de novo, talvez não me tenha feito entender.
Quero você pra mim, mas isso não lhe dá o direito de agir como quiser. Lembre-se: sentimentos pedem correspondência, e se não nutridos, na melhor das hipóteses, morrem. Não se engane: quando ligo e você não atende, quando falo e você não ouve, quando olho e seu olhar desvia, algo acontece: não há pedido de desculpas, ainda mais quando repetido à exaustão, capaz de curar todas as feridas; se quer curar todas, aja como quem quer curar todas.
Talvez eu veja agora o que já deveria ver desde o início: que nenhum amor deve ser maior que aquele por si mesmo, e que nisto nada há de narcisismo; apenas a constatação de que, em todas as instâncias, é apenas conosco que podemos ter a certeza de sempre estar, a todo dia, em todas as horas, e que da nossa companhia é impossível fugir; assim, da mesma forma, é impossível fugir das cobranças que nos fazemos. Talvez agora eu veja que o egoísmo não é somente introspecctivo, mas também se mostra quando o outro parece-nos mais importante do que aquilo que nos compõe. Talvez eu tenha visto que as noites de choro, o entorpecimento do vinho e os ouvidos amigos não são opção de destino para aquilo que pretendia lhe oferecer.
Talvez eu tenha visto que a quero pra mim, mas não a qualquer preço.
Coloco-me onde devia estar: como quem a vê, como quem a quer, mas como alguém que responde àquilo que recebe.
Minha espera, agora, é em movimento.

(Renato Alt , in Outono)

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Se se morre de amor



Se se morre de amor! - Não, não se morre,
Quando é fascinação que nos surpreende
De ruidoso sarau entre os festejos;
Quando luzes, calor, orquestra e flores
Assomos de prazer nos raiam n’alma,
Que embelezada e solta em tal ambiente
No que ouve e no que vê prazer alcança!

Simpáticas feições, cintura breve,
Graciosa postura, porte airoso,
Uma fita, uma flor entre os cabelos,
Um quê mal definido, acaso podem
Num engano d’amor arrebentar-nos.
Mas isso amor não é; isso é delírio
Devaneio, ilusão, que se esvaece
Ao som final da orquestra, ao derradeiro
Clarão, que as luzes ao morrer despedem:
Se outro nome lhe dão, se amor o chamam,
D’amor igual ninguém sucumbe à perda.

Amor é vida; é ter constantemente
Alma, sentidos, coração - abertos
Ao grande, ao belo, é ser capaz d’extremos,
D’altas virtudes, té capaz de crimes!
Compreender o infinito, a imensidade
E a natureza e Deus; gostar dos campos,
D’aves, flores, murmúrios solitários;
Buscar tristeza, a soledade, o ermo,
E ter o coração em riso e festa;
E à branda festa, ao riso da nossa alma
fontes de pranto intercalar sem custo
Conhecer o prazer e a desventura
No mesmo tempo, e ser no mesmo ponto
O ditoso, o misérrimo dos entes;
Isso é amor, e desse amor se morre!

Amar, é não saber, não ter coragem
Pra dizer que o amor que em nós sentimos;
Temer qu’olhos profanos nos devassem
O templo onde a melhor porção da vida
Se concentra; onde avaros recatamos
Essa fonte de amor, esses tesouros
Inesgotáveis d’lusões floridas;
Sentir, sem que se veja, a quem se adora,
Compreender, sem lhe ouvir, seus pensamentos,
Segui-la, sem poder fitar seus olhos,
Amá-la, sem ousar dizer que amamos,
E, temendo roçar os seus vestidos,
Arder por afogá-la em mil abraços:
Isso é amor, e desse amor se morre!
(Gonçalves Dias, fevereiro de 1852, Recife-PE)

Foto: Gwyneth Paltrow e Jeremy Northam in Emma, 1996

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O teu amor, pra mim, é o princípio do mundo.
(Raduan Nassar, Lavoura Arcaica)

Todos os sonhos


Essa noite sonhei que usava uma camisa de força mal lavada e era prisioneira de um manicômio de pobre. Eu e meu medo de ficar pobre e de ficar suja e de ficar louca e de ficar presa. E entendi tudo. E então um homem com cara de sábio veio com uma injeção azul clara e eu sentia dor, muita dor, tanta dor. E ele disse: deixa. Deixa que passa tudo. Deixa eu te dar a injeção que passa tudo. E eu perguntei se toda essa angustia e esse medo de vomitar até morrer, até secar, até assustar, iam passar. E eu perguntei se eu nunca mais morreria de amor como de fato já não morro há anos e está maravilhoso assim. E eu perguntei se nunca mais eu teria que ir pra onde não quero e morar onde não quero e ficar perto de gente que não quero e trabalhar pra gente que não quero. Porque não querer pra mim tem a força de mil mundos e mal estar pra mim tem a dor de mil mundos e não ir com a cara de alguém, pra mim, tem a ojeriza de mil vidas. E por isso eu tomo chá vendo a novela, pra ver se aquieto meu peito que já nasceu com potencial de explodir sozinho, ainda mais quando tem gente querendo apertar o botão. Eu só quero descansar, porque meu trabalho é sentir tanto tudo e ninguém entende e fica achando que não trabalho. Eu aqui, sentada, sentindo assim tão absurdamente tudo. Eu só quero descansar. Eu só quero que passe a dor na nuca, na boca do estômago, nos ombros. A dor de olhar tudo com tanta clareza como eu olho. Sabendo tudo de uma maneira tão grande que me curvo e tenho medo de não agüentar. Se ia passar essa descompensação da minha alma ser infinitamente mais que meu corpinho. E eu viver torta e descompensada. E ele me sorriu discretamente como parecem sorrir os mortos que morrem em paz na nossa imaginação e me disse que sim. Era o fim de tudo isso. A injeção azul era o fim de tudo isso. E então, eu entendi. Mais uma vez com a minha inocência e quase estupidez que me dão essa clareza absurda e que me fazem entender tudo muito mais do que os espertos e descolados. E eu entendi que era uma injeção letal e que eu pararia de sentir simplesmente porque deixaria de existir. E então eu corri. Corri e voltei a voar. Há muito tempo eu não voava em meus sonhos e eu voei muito rápido. Tanto que me doeu a sinusite do rosto e o coração recebeu aquela onda de ar gelado que a gente só sente quando é criança e corre feliz demais mesmo sabendo que se pega gripe correndo assim de boca gigantescamente aberta para sentir o mundo. Que se danem as gripes, eu pensei. Que se danem as injeções azuis do mundo querendo me deixar com aquele cinza plástico indecente das pessoas anti-depressivas. Elefantes murchos. E voei, voei. Eu e minha loucura e minha vontade de vomitar tanto até secar por dentro. Eu e o meu medo de me magoar de novo com todo mundo e precisar de novo odiar tanto e me proteger tanto que fico demasiadamente má e me sinto má e começo a fazer maldades comigo. Eu prefiro esse peito todo errado do que outro peito. Eu gritava. Eu prefiro mil vezes me assumir do que assumir o mundo mil vezes errado. Eu gritei. E então, tudo continuava ali, prestes a dar muito errado, a falir, a cair no chão e fazer meu próprio buraco. Tudo estava ali. Todo o meu potencial gigantesco pra fazer da minha vida um inferno imenso. E eu assumi meu peso, eu assumi meu medos, eu assumi toda a merda. E assim, voei ainda mais alto, como se flutuasse. Eu peguei pra mim tudo o que soltava por aí e, surpreendentemente, fiquei mais leve. Se dava pra ir de pesadelo pra sonho deitada, imagina o que eu não poderia fazer da minha vida a hora que ficasse em pé.


(Tati Bernardi IN Todos-os-sonhos)

aventura de sempre


"Só o desejo inquieto que não passa

Faz o encanto da coisa desejada.

E, terminamos desdenhando a caça

Pela doida aventura da caçada."

(Mário Quitana in Canção do dia de sempre)

Momento mágico

"Pois só o que nos leva para o dia seguinte é essa esperança de que a vida não é tão seca como parece. Que um pequeno momento, de pura magia, pode nos comover. Que ainda é possível acreditar que uma emoção inesperada pode resgatar nossa fé: nem tudo está dominado."
(Martha Medeiros in Um único beijo)

Do outro lado da tarde


"Mas nada disso tem nenhuma importância, o que eu queria te dizer é que chegando na janela, há pouco, vi a chuva caindo e, atrás da chuva, difusamente, uma roda-gigante. E que então pensei numas tardes em que você sempre vinha, e numa tarde em especial, não sei quanto tempo faz, e que depois de pensar nessa tarde e nessa chuva e nessa roda-gigante, uma frase ficou rodando nítida e quase dura no meu pensamento. Qualquer coisa assim: depois daquela nossa conversa - depois daquela nossa conversa na chuva, você nunca mais me procurou." (Caio Fernando Abreu in Do outro lado da tarde)

o inacabado que há em mim



"Por vezes o cansaço me faz querer parar. Sensação de que já vivi mais do que meu coração suporta. Os encontros são muitos; as pessoas também. As chegadas e partidas se misturam e confundem o coração.

É nesta hora em que me pego alimentando sonhos de cotidianos estreitos, previsíveis. Mas quando me enxergo na perspectiva de selar o passaporte e cancelar as saídas, eis que me aproximo de uma tristeza infértil.


Melhor mesmo é continuar na esperança de confluências futuras. Viver para sorver os novos rios que virão. Eu sou inacabado. Preciso continuar.

Se a mim for concedido o direito de pausas repositoras, então já anuncio que eu continuo na vida. A trama de minha criatividade depende deste contraste, deste inacabado que há em mim. Um dia sou multidão; no outro sou solidão. Não quero ser multidão todo dia. Num dia experimento o frescor da amizade; no outro a febre que me faz querer ser só. Eu sou assim. Sem culpas."

(Pe. Fábio de Melo)

NOVA MÚSICA DO BLOG:

FIRST LOVE DO YIRUMA


Quem gostar e quiser baixar, segue o link abaixo, só tem um problema, não é o link de uma música só, mas sim de um albúm inteiro do Yiruma, vale a pena!

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