sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Saudade



"Perdida, pra sempre perdida

Mas tão viva, tão linda

Batendo os saltos

Na cidade da minha saudade."

(Rubem Braga)

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Perdidamente Perdida

Eu sei que tenho estado vazia.
Eu sei que as postagens estão fracas, meio perdidas. Tento preenchê-las com imagens, mais o vazio fica mais sem sentido ainda. Desculpem a falta de mensagens inspiradoras, a falta de nexo.
Não é só no blog que estou assim, anda refletindo em tudo na minha vida. Estou pequena, perdida de mim. Estou cada vez mais fundo, queria encotrar logo a mola no fundo no poço, pra poder saltar. Só que dessa vez tá difícil. Talvez seja porque ainda não cheguei realmente ao fundo do poço. Não aguento mais esperar.
Não sei o que fazer, o que sei que posso, não tenho coragem, nem determinação.
Será que estou com depressão
?
Também não sei.
Eu vou tentar melhorar, tentar não ficar louca, tentar...
Só...tentar...

Cicatrizes

As pessoas, têm cicatrizes nos lugares mais inesperados. São como mapas secretos de suas histórias pessoais, diagramas de todas as suas velhas feridas. A maioria das nossas feridas saram, deixando só uma cicatriz. Algumas não saram. Algumas feridas levamos conosco, pois embora o corte já tenha desaparecido, a dor ainda permanece.
O que é pior?
Novas feridas que sao terrivelmente dolorosas ou velhas feridas, que já deveriam ter sarado há anos, mas nunca o fizeram. Talvez as velhas feridas nos ensinem algo. Elas nos lembram de onde estivemos e o que conseguimos superar. Elas nos ensinam o que evitar no futuro. É o que gostamos de pensar. Mas nunca é assim, não é?
Certas coisas nós temos que aprender de novo, de novo e de novo.

(Grey's Anatomy - Season 3)

Apaixone-se



Ninguém deseja saber de verdade como é se apaixonar, porque é um saco. É como um diamante; por fora parece lindo, mas por dentro é duro, cheio de arestas e cortante.
O ato de verdadeiramente amar alguém nunca deveria ser confundido com uma fase agradável. Amar alguém é tão doloroso e decepcionante quanto é conhecer a si mesmo.
É provável que seja a única coisa que vale a pena fazer, mas nem por isso quer dizer que será um passeio.”
(Ethan Hawke in “Quarta-Feira de Cinzas”)

terça-feira, 26 de agosto de 2008

A grande ilusão

“E então não é necessário o disfarce: embora não se fale, também não se mente, embora não se diga a verdade, também não é mais necessário dissimular. Amor é quando é concedido participar um pouco mais. Poucos querem o amor, porque amor é grande desilusão de tudo o mais. E poucos suportam perder todas as outras ilusões. Há os que se voluntariam para o amor, pensando que o amor enriquecerá a vida pessoal. É o contrário: amor é finalmente a pobreza. Amor e não ter. Inclusive amor é desilusão do que se pensava que era amor. E não é prêmio, por isso envaidece, amor não é prêmio é uma condição concedida exclusivamente para aqueles, que sem ele corromperiam ovo com a dor pessoal. Isso não faz do amor uma exceção honrosa; ele é exatamente concedido aos maus agentes, àqueles que atrapalhariam tudo se não lhes fosse permitido adivinhar vagamente.”

(Clarice Lispector)

Cadê você?

 
Aonde está você pelo amor de Deus! Aonde está você? Não vê que estou cansada de pertencer a todos e não ser de ninguém? Não vê que minha devolução me enfraquece cada vez mais em me entregar? Não vê que na loucura de te encontrar não meço as entregas? E elas nunca são entregas porque eles nunca são você. Porque comecei este texto tão bem e mais uma vez esqueci de ser a mulher moderna que eu tanto gostaria de ser para lembrar a mulher romântica que espera por você a cada esquina, a cada decote, a cada riso nervoso que solto em forma de grito à espera do seu socorro. Eu vou continuar vendo você em todos esses crápulas que fingem ser você para vulgarizar o meu amor. Eu vou continuar cheirando você em todos esses suores fugazes que me querem num conto pequeno. Eu vou continuar lendo a nossa história em contos pequenos. Cadê você que some a cada som que não me procura? Cadê você que parece ser e nunca é porque desaparece no cansaço das relações? O meu amor acaba por todos, a minha espera cansa por todos, a minha raiva ameniza por todos. Mas a minha fé por você cresce a cada dia. Eu posso transar no primeiro encontro, eu posso transar por transar. Eu posso trepar. Eu posso te encontrar num flat na hora do almoço para uma rapidinha. Eu posso reclinar o banco do meu carro e mandar ver. Eu posso deixar você não me beijar na boca. Eu posso aceitar que você nunca me leve de mãos dadas a um cinema. Eu posso ser uma noite e nada demais. Eu posso ser um banheiro e nada mais. Eu posso ser nada mais. Mas eu nunca, em nenhum momento, deixo de romantizar a vida, cada segundo, por mais podre que seja, dela. Eu nunca deixo de procurar você. Eu nunca deixo de acreditar que você exista, e eu nunca deixo de acreditar que você faz o mesmo a minha espera.
(Tati Bernardi in Romântica pra cacete)

A paixão segundo G.H

"Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar. Até agora achar-me era já ter uma idéia de pessoa e nela me engastar: nessa pessoa organizada eu me encarnava, e nem mesmo sentia o grande esforço de construção que era viver."

[Clarice Linspector - A paixão segundo G.H.]

Falta de fé

Não que você me tenha mentido, mas que eu não mais creia em você me perturbou profundamente”.
(Friedrich Nietzsche)

O outro

"A presença do outro latejaria a teu lado, quase sangrando, como se o tivesses apunhalado com tua emoção não dita. Tuas mãos apoiadas em bengalas mentirosas não conseguiriam desvencilhar o gesto para romper essa espessa e invisível camada que te separa dele. Por um momento desejarás então acender a luz, dar uma gargalhada ridícula, acabar de vez com tudo isso, fácil fingir que tudo estaria bem, que nunca houve emoções, que não desejas tocá-lo nem conhecê-lo, que o aceitas assim latejando amigo velo remoto, completamente independente de tua vontade, te todos esses teus informulados sentimentos. "

(Caio Fernando Abreu in Natureza viva)

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Nunca é como queremos

 
"(...) e o amor em ambos permanece,
não cumprido e real como deveria,
mas real e cumprido como é".

(Nouvelle Café)

Eu te amo


♪ Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir

Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu

Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu

Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair

Não, acho que estás se fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir ♪

(Chico Buarque)

=OBS= eu amo ouvir essa música cantada por Ana Carolina

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

O inevitável



"Não há tragédia, mas o inevitável. Tudo tem sua razão de ser. Você só precisa saber distinguir o que é passageiro , do que é definitivo.

O inevitável, é passageiro. E o definitivo são as lições que o passageiro deixa."

(Paulo Coelho)

Grandes expectativas



Ninguém acredita que sua vida vai se realizar mais ou menos. Todos achamos que vamos nos sair muito bem. Ficamos cheios de expectativas. Expectativas sobre os caminhos que vamos abrir, sobre aquele que vamos ajudar, sobre a diferença que vamos fazer. Grandes expectativas sobre quem seremos, aonde iremos.
E, então, chegamos lá.
Todos achamos que vamos nos sair muito bem. E nos sentimos como roubados quando as expectativas não dão certo. Mas, às vezes, nossas expectativas nos entregam.
Às vezes, o esperado simplesmente empalidece em comparação ao inesperado. A gente fica pensando por que nos apegamos as expectativas.
Por que o esperado é o que nos mantém firmes. De pé. Imóveis. O esperado é só o começo. O inesperado é o que muda nossas vidas.
(Grey's Anatomy)

Razões



"Conheci um homem que construiu a própria ferrovia.

E o melhor, é que construiu totalmente em linha reta. Sem nenhuma curva.
Ele tinha uma razão para isso. Não me lembro qual era.
As razões se esquecem."

(Baldabiou in Paixão proibida)

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Fora de mim

A noite ultrapassou a si mesma, encontrou a madrugada, se desfez em manhã, em dia claro, em tarde verde, em anoitecer e em noite outra vez. Fiquei. Você sabe que eu fiquei. E que ficaria até o fim, até o fundo. Que aceitei a queda, que aceitei a morte. Que nessa aceitação, caí. Que nessa queda, morri. Tenho me carregado tão perdido e pesado pelos dias afora. E ninguém vê que estou morto.
(Caio F. Abreu)

Paixão Proibida

No começo eu achei o filme um pouco parado, mas ainda sim, bom. Depois, fiquei com raiva dos acontecimentos, da paixão sem pé nem cabeça de Herve (Michael Pitt) pela japonesa, que vale ressaltar, nem bonita era. Porém, a carta me emocionou já na primeira vez que foi lida, embora eu tenha ficado com raiva por que eu queria que a mulher dele fosse a mulher da carta, fiquei com raiva por ele ficar pensando na japonesa, com uma carta daquelas, linda daquele jeito, aquele amor todo, por algo sem sentido, nunca vivido, ele nem conhecia aquela japonesa, amor imaginário. Mas aí...


Vem o final, realmente me emociono nessa parte, o filme chega a valer a pena apenas por seu final, quando descobri quem realmente tinha escrito a carta, alguém que sentiu e que viveu. Alguém que merecia realmente ser a autora da carta. Realmente o amor não conhece fronteiras, como diz na capa do filme, mas acredito que a afirmação é feita não pela paixão descabida de Herve pela japonesa, mas pelo amor de Helene por ele, esse sim foi sem fronteiras.


Transcrevo então a carta de amor de Helene para Herve:

Meu querido amo
Não tenha medo, não se mova. Não fale.
Ninguém irá nos ver. Fique onde está.
Quero olhar para você.
Temos a noite toda para nós e quero olhar para você.
Seu corpo para mim. Sua pele, seus lábios.
Feche os olhos.
Ninguém pode nos ver e eu estou aqui ao seu lado.
Está me sentindo?
Quando eu o tocar pela primeira vez será como os meus lábios.
Você vai sentir o calor, mas não saberá onde.
Pode ser que seja nos olhos.
Vou pressionar minha boca contra seus olhos e você ira sentir o calor.
Abra seus olhos agora, meu amado. Olhe para mim.
Seus olhos nos meus seios. Seus braços me erguendo, fazendo-me deslizar sobre você.
Meu choro abafado, seu corpo estremecendo.
Não há fim para isso. Não está vendo?
Você está para sempre jogando a cabeça para trás e eu estarei para sempre enxugando minhas lágrimas.
Este momento tinha que acontecer. Este momento acontece. E este momento continuará a acontecer a partir de agora e para sempre.
Nunca mais vamos nos ver. O que tínhamos de fazer, nós fizemos.
Acredite, meu amor, nós fizemos para sempre.
Mantenha sua vista fora do meu alcance.
E se isso pode fazê-lo feliz não hesite um só instante em esquecer a mulher que agora diz, sem nenhum vestígio de arrependimento: Adeus." (Helene in Paixão proibida)

Fotos: Keira Knightley e Michael Pitt in Paixão Proibida

Jason

Mas então, até quando
vamos reabrir cicatrizes,
persistir em escolher não ser felizes,
de novo e de novo o bis das mesmas crises
quantas vezes?
Nós vamos repetir quantas fases,
nós vamos ser quantos quases,
o quanto eu ainda posso ser kamikase
todos os meses?

O quanto as minhas verdades
ainda têm que fazer strip tease
e até quando seremos essa mesma reprise
De sexta-feira
treze?


Eu ainda estou aqui



♪...e eu estou aqui, esperando

embora eu ainda tenha minhas dúvidas

(...)

E eu ainda vejo seu reflexo
dentro de meus olhos
eles estão procurando um propósito
eles ainda estão procurando vida
(...)

Então eu estou aguentando
estou aguentando
outro dia
só pra ver
o que você jogará no meu caminho

Estou me segurando
Nas palavras que você diz
Você disse que eu ficaria bem ♪

(Lifehouse - Broken)

Fechada

"Agora não havia choros para enxugar, o desespero era todo dentro, os olhos estavam secos."
(José Saramago in “Ensaio sobre a Cegueira”)

segunda-feira, 18 de agosto de 2008


"A história pode continuar.

Nossa história pode continuar.

Eu simplesmente continuarei."

(Robbie in Desejo e Repareção)


Foto: Keira Knightley e James McAvoy in Desejo e Reparação

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Sofrendo



{…} Sinto-me tão cansado de sofrer, tão cansado!
─ algum dia, em alguma parte
Hei de lançar também

as âncoras ardentes das promessas
Mas no meu coração intranquilo
Não há senão fome e sede
De lembranças inexistentes”

(Vinícius de Moraes in Solilóquio)

Escolho você.

"O que eu escolho... é você! Você é com quem quero acordar e com quem quero ir pra cama a noite.
E com quem quero fazer tudo no meio."

(Denny Duquette in Grey's Anatomy - episódio 2.27)

Foto: Katherine Heigl e Jeffrey Dean Morgan 

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

VAI PASSAR

“Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada “impulso vital”. Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo como “estou contente outra vez”. Ou simplesmente “continuo”, porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como “sempre” ou “nunca”. Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituímos expressões fatais como “não resistirei” por outras mais mansas, como “sei que vai passar”. Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente - e não importa - essa coisa que chamarás com cuidado, de “uma ausência”. E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços.Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome, a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás - aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada. Mas no espelho cru, os teus olhos já não acham graça.Tão longe ficou o tempo, esse, e pensarás, no tempo, naquele, e sentirás uma vontade absurda de tomar atitudes como voltar para a casa de teus avós ou teus pais ou tomar um trem para um lugar desconhecido ou telefonar para um número qualquer (e contar, contar, contar) ou escrever uma carta tão desesperada que alguém se compadeça de ti e corra a te socorrer com chás e bolos, ajeitando as cobertas à tua volta e limpando o suor frio de tua testa.Já não é tempo de desesperos. Refreias quase seguro as vontades impossíveis. Depois repetes, muitas vezes, como quem masca, ruminas uma frase escrita faz algum tempo. Qualquer coisa assim:- … mastiga a ameixa frouxa. Mastiga , mastiga, mastiga: inventa o gosto insípido na boca seca …
(Caio F. Abreu)

Vou viver

Não se preocupe, não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais auto destrutiva do que insistir sem fé nenhuma? Ah, passa devagar a tua mão na minha cabeça, toca meu coração com teus dedos frios, eu tive tanto amor um dia”
(Caio Fernando Abreu)

Não era amor


Se não era amor, Lopes, era da mesma família. Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados. A carência. A saudade. A mágoa. Um quase desespero, uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não sabe se vai ser antes ou depois de se chocar com o solo. Eu bati a 200Km/h e estou voltando a pé pra casa, avariada. Eu sei, não precisa me dizer outra vez. Era uma diversão, uma paixonite, um jogo entre adultos.
Talvez seja este o ponto. Talvez eu não seja adulta suficiente para brincar tão longe do meu pátio, do meu quarto, das minhas bonecas. Onde é que eu estava com a cabeça, Lopes, de acreditar em contos de fadas, de achar que a gente manda no que sente e que bastaria apertar o botão e as luzes apagariam e eu retornaria minha vida satisfatória, sem seqüelas, sem registro de ocorrência?
Eu nunca amei aquele cara, Lopes. Eu tenho certeza que não. Eu amei a mim mesma naquela verdade inventada. Não era amor, era uma sorte. era amor, era uma travessura. Não era amor, era sacanagem. Não era amor, eram dois travessos. Não era amor, eram dois celulares desligados. Não era amor, era de tarde. Não era amor, era inverno. Não era amor, era sem medo. Não era amor, era melhor."

(Martha Medeiros)

Cansaço


"Não sei se quero descansar por estar realmente cansada ou se quero descansar para desistir" .(Clarice Lispector)

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Além do Ponto

"Chovia sempre e eu custei para conseguir me levantar daquela poça de lama, chegava num ponto, eu voltava ao ponto, em que era necessário um esforço muito grande, era preciso um esforço muito grande, era preciso um esforço tão terrível que precisei sorri mais sozinho e inventar mais um pouco, aquecendo meu segredo, e dei alguns passos, mas como se faz? me perguntei, como se faz isso de colocar um pé após o outro, equilibrando a cabeça sobre os ombros, mantendo ereta a coluna vertebral, desaprendia, não era quase nada, eu mantido apenas por aquele fio invisível ligado à minha cabeça, agora tão próximo que se quisesse eu poderia imaginar alguma coisa como um zumbido eletrônico saindo da cabeça dele até chegar na minha, mas como se faz? eu reaprendia e inventava sempre, sempre em direção a ele, para chegar inteiro, os pedaços de mim todos misturados que ele disporia sem pressa, como quem brinca com um quebra-cabeça para formar que castelo, que bosque, que verme ou deus, eu não sabia, mas ia indo pela chuva porque esse era meu único sentido, meu único destino: bater naquela porta escura onde eu batia agora."

(Caio Fernando Abreu in 'Além do Ponto')

Desde que seja amor

Mato por amor, mas não mato o amor. Prefiro estar perturbado por um amor ao invés de seguro, calmo e salvo fora dele. Amor resolvido ou não, pouco importa. Que eu perca a cabeça, o saldo, a casa, os gostos. Perder é prova de que ainda tenho algo.Um amor com nó de balanço, nó de pião, nó de barco, nó de cadarço, que cruze as cordas como pernas excitadas.Que seja um amor inacabado, quebrado, ferrado, com nó cego de uma forca, desde que aperte bem forte para não soltar. Um amor rápido como um infarto, sem sinal-da-cruz. Um amor que desafie a sabedoria que vem depois da morte. Um amor burro que dependa apenas de um quarto para se cumprir. Um amor que não tire os sapatos para deitar. Um amor sofreguidão e gozo. Um amor hesitação irritante entre beijos. Um amor que não dá trégua para voltar atrás. Um amor que não oferece chance para ir à frente. Um amor que fica no mesmo lugar, que não traz sorte e azar, traz o desespero de ser amado um pouco mais.Amar é mais importante do que viver. Viver pode vir depois.Amor dói e me mobiliza, me desperdiça a encontrar o que não procurei. Eu me sinto melhor no mais fodido amor do que se estivesse pleno de saúde e reconhecimento. Sinto que dependo de alguém, e não somente de mim. A miséria do amor é um luxo.Mesmo na separação, o amor diminui o espaço entre os dedos e afiança o olhar para mais longe. Qualquer lugar é passível de uma aparição, de um reencontro, da tremedeira dos joelhos, como se fossem autônomos e independentes do resto do corpo e rezassem para um Deus prestes a surgir.Repara-se nas pessoas ao lado a adivinhar se alguma delas experimenta o mesmo torpor silencioso de mastigar as palavras e não digeri-las ou cuspi-las. O amante está sempre com uma palavra na boca, lapidada, aperfeiçoada, repensada, reescrita, que não sairá para passear com o mar. Não sairá numa confidência. Ficará como semente de uva, pequena demais para ser colhida do chão, mas de aspereza reconhecível para uma língua com sede.O amor é infantil. Uma alegria de se entornar pela casa e se despreocupar com a arrumação. Ser adulto estafa, a recolher os brinquedos escondidos na areia sem ao menos ter brincado. O amor é insuportavelmente tolo. Quem não é tolo não permite carícias.O amor não cansa de caminhar como a luz, não cansa de barulho como a chuva, não cansa de repetir as lembranças como o fogo.Morro por amor, mas não morro o amor.

(Fabricio Carpinejar)

Doce mentira

Para manter-me vivo, saio à procura de ilusões como o cheiro das ervas ou reflexos esverdeados de escamas pelo apartamento e, ao encontrá-los, mesmo apenas na mente, tornar-me então outra vez capaz de afirmar, como num vício inofensivo: tenho um dragão que mora comigo. E, desse jeito, começar uma nova história que, desta vez sim, seria totalmente verdadeira, mesmo sendo completamente mentira. Fico cansado do amor que sinto, e num enorme esforço que aos poucos se transforma numa espécie de modesta alegria, tarde da noite, sozinho neste apartamento no meio de uma cidade escassa de dragões, repito e repito este meu confuso aprendizado para a criança-eu-mesmo sentada aflita e com frio nos joelhos do sereno velho-eu-mesmo:- Dorme, só existe o sonho. Dorme, meu filho. Que seja doce. Não, isso também não é verdade.
(Caio F. Abreu in “Os Dragões não Conhecem o paraíso)


Foto: Keira Knightley

vivo nas estrelas


“Vivo nas estrelas
Porque é lá
Que brilha a minha alma”
(Manoel Bandeira)

Quanto mais?



Afinal, de quantas formas um coração podia ser maltratado e ainda esperar continuar batendo?

Eu havia vivido muitas coisas que podiam ter acabado comigo nesses ultimos dias, mas isso não me fez sentir mais forte.
Ao invés disso, eu me sentia horrivelmente frágil, como se uma palavra pudesse me fazer em pedaços.
(

Stephanie Meyer in “Lua Nova”)

Destino

 
O que for a profundeza do teu ser, assim será teu desejo. O que for o teu desejo, assim será tua vontade. O que for a tua vontade, assim serão teus atos. O que forem os teus atos, assim será teu destino. (Deepak Chopra)

Divergindo-me


“Eu sou é eu mesmo. Diverjo de todo o mundo…Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa.”

(Guimarães Rosa in “Grande Sertão: Veredas)

Te esperar

 
Não me importo de esperar vinte minutos com a mão na maçaneta enquanto diz que já está pronta para trocar novamente de vestido. Não me importo de esperar dez minutos sozinho no saguão do cinema cumprimentando conhecidos e tentando segurar o refrigerante e os dois baldes de pipoca enquanto vai ao banheiro. Não me importo de esperar chegar em casa para que me diga quem é o amigo que a abraçou efusivamente na festa. Não me importo de esperar três horas na salinha do hospital para saber se a nossa criança nasceu. Não me importo de esperar as longas conversas de sua mãe sobre o meu temperamento. Não me importo de esperar seu corte de cabelo, que sempre envolve pintura, hidratação e escova. Não me importo de esperar a aprovação de suas amigas. Não me importo de esperar nossos filhos regressarem das baladas para me enfurnar em seu cheiro. Não me importo de esperar que tranque as portas antes de tirar o salto. Não me importo de esperar que volte das lojas com as sacolas dentro das outras sacolas para parecer que gastou menos. Não me importo de esperar que faça as pazes com Deus. Não me importo de esperar quando arruma o armário e doa metade das roupas. Não me importo em esperar que encontre a roupa que já deu na semana passada. Não me importo de esperar que o filme acabe para namorar. Não me importo de esperar que devolva as cobertas que rouba para seu lado de noite. Não me importo de esperar você consultar suas mensagens antes de sair. Não me importo de esperar sua irritação em dias de chuva. Não me importo de esperar você nunca me retornar ligações depois das reuniões. Não me importo de esperar que se acorde no domingo, com receio de que fique nublada. Não me importo de esperar que o ciúme desapareça e volte a me ver como se eu fosse somente seu. Não me importo de esperar sua TPM. Não me importo de esperar o melhor momento para viajar. Não me importo de esperar o tempo que precisa para descobrir que me ama. Ou o tempo que precisa para descobrir que não me ama. Não me importo de esperar que venha de repente nossa música no rádio. Não me importo de esperar as revelações de fotografias de sua máquina antiga. Não me importo de esperar o embrulho de um presente. Não me importo de esperar suas discussões de fim de noite. Não me importo de esperar seu beijo de café cortado. Não me importo de esperar sua ressaca depois da dança.
O que desejo dizer é que não precisa se apressar. Nunca chegará atrasada porque sempre estarei a esperando.
(Fabrício Carpinejar)

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Sem olhar pra trás

"Olharam-se sem palavras, desalento contra desalento.Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se, com urgência, com encabulamento, surpreendidos.Mas ambos eram comprometidos.Ela com sua infância impossível. (…) Ele, com sua natureza aprisionada.Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos. Acompanhou-o com olhos pretos que mal acreditavam, até vê-lo dobrar a outra esquina.Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma só vez olhou para trás."
(Clarice Lispector in “Tentação)

Parece com ele




♪"Eu não estou pedindo uma segunda chance
Estou gritando com toda força da minha voz
Você me deu a razão
Mas não me deu a escolha
Por que eu simplesmente cometeria
O mesmo erro
Outra vez

E talvez algum dia nós nos encontremos
E talvez conversemos
Não apenas falemos
Não cobrando promessas
Porque,
Não há promessa que eu mantenha
E minha reflexão me perturba
Então aqui vou eu".♪

(Same Mistake - James Blunt)

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Viver sonhando


"Queria sempre essa alegria
viver sonhando quem me dera"

(Sandy e Junior)

Foto: Amanda Peet e  Ashton Kutcher in De repente é amor

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