sexta-feira, 5 de março de 2010

Olhares que renovam


“Eu acredito que o amor mais bonito e mais verdadeiro que a gente possa experimentar na vida é aquele que nos recorda quem a gente é. Porque não são poucas as vezes, nem as situações da vida em que a gente se perde da gente mesmo. E que a gente percebe que todo o processo de destruição está se instaurando dentro de nós, porque a gente esqueceu quem a gente é. O ser humano que não sabe quem ele é. Esqueceu dos valores que tinha porque se prendeu naquilo que não deu certo na vida, na mentira que a própria vida foi construindo e ele foi se tornando vítima da própria mentira. Amigo, irmão, padre, tem que ser assim: fazer a gente se recordar o tempo todo de quem a gente é. Quando olho pra você eu não tenho que ver outra coisa senão aquilo que Deus vê em você. E essa foi justamente a capacidade de Jesus, de no meio da multidão encontrar uma prostituta que havia esquecido quem ela era. O mundo havia contado pra ela que ela era uma prostituta e ela havia acreditado nessa mentira, mesmo que aquilo tivesse sido a realidade dela, de todos os dias, mas ninguém pode se tornar naquilo que faz, ninguém tem o direito de transformar a sua vida no pecado que comete.  SE ERROU, SE CAIU, LEVANTE PORQUE VOCÊ É MUITO MAIS DO QUE O PECADO QUE VOCÊ COMETEU. Você é muito mais. E é isso que nós pedimos a Jesus, para todos os dias a gente recordar ao outro quem ele é.

Eu fico tentando compreender 
O que nos Teus olhos pôde ver
Aquela mulher na multidão
Que já condenada acreditou
Que ainda havia o que fazer
Que ainda restara algum valor
E ao se prender em Teu olhar
Por certo haveria de vencer
E assim fizeste a vida
Retornar aos olhos dela
E quem antes condenava
Se percebe pecador
Teu amor desconcertante
Força que conserta o mundo
Eu confesso não saber compreender

Sou humano demais pra compreender
Humano demais pra entender
Este jeito que escolheste de amar, quem não merece
Sou humano demais pra compreender
Humano demais pra entender, que aqueles que escolheste
E tomaste pela mão geralmente eu não os quero do meu lado

Eu fico surpreso ao ver-te assim
Trocando os santos por Zaqueu
E tantos doutores por Simão
Alguns sacerdotes por Mateus
E, mesmo na cruz, em meio à dor
Um gesto revela quem Tu és
Te tornas amigo do ladrão
Só pra lhe roubar o coração
E assim foste o contrário,
O avesso do avesso
E por mais que eu me esforce
Não sei bem se Te conheço
Tu enxergas o profundo
Eu insisto em ver a margem
Quando vês o coração
Eu vejo a imagem
Existem olhares que tem  poder superior ao poder das palavras, existem olhares que tem o poder de inaugurar, existem olhares que tem o poder de fazer sentir como se estivéssemos vivendo o primeiro dia da nossa vida, como se estivéssemos vivendo o primeiro sopro que nos alimenta, nessa história, nessa vida. Da mesma forma como existem olhares que tem o poder de nos fulminar a ponto de nos fazer acreditar que chegou o fim, que já não há mais nada o que fazer. Por isso que cada vez mais eu me convenço, que se eu quiser ser Jesus de novo pros outros, se eu quiser ser Jesus, antes de dizer uma palavra, eu tenho que olhá-lo, do mesmo jeito que Jesus olharia se pudesse estar como eu estou aqui. E quando olho pra você eu não sei quase nada sobre você. E é bom que seja assim, porque posso lhe olhar sem preconceitos. Eu não sei nada, eu não sei seu nome, eu não sei de onde você vem, não sei as histórias que você traz no seu coração, gostaria de saber, mas uma coisa é certa pra mim: quando olho pra você, não me importa aquilo que você já viveu ou aquilo que você é até o dia de hoje, porque se eu quiser te olhar do mesmo jeito que Jesus olha, eu só preciso olhar pra você pensando naquilo que você ainda pode viver. Nisso está à salvação. Declara isso, celebra essa vitória, por que hoje Deus pode lhe inaugurar, hoje pode ser o primeiro dia da sua vida. Por causa disso, a mensagem que nós podemos anunciar ao mundo é essa: Jesus nos olha como se fosse o primeiro dia da nossa vida e por isso não há condenação, ninguém está falido, ninguém está derrotado. Porque você pode ser tudo hoje...”
 [Pe. Fábio de Melo]

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