quarta-feira, 27 de julho de 2011

Os amigos se queixam: você não telefona, não aparece. [...] Têm me pedido muito, ultimamente. E dado pouco. Normal: gente é assim mesmo.
Agora você me pergunta: bom, e daí? Daí que ando cansado. Hoje estou me permitindo escrever sobre este cansaço indivisível, sobre minha falta de tempo, sobre a desordem que se instaurou em minha vida.
[...]
Durante um minuto, fico pensando em parar.
Parar como param os monges budistas. Parar e olhar. Só um minuto. Pronto: agora tenho que sair correndo outra vez para ganhar a vida. Ganhar ou perder? Eu sei a resposta. Mas posso cantar baixinho um velho Roberto Carlos, aquele assim:
“Querem acabar comigo/ isso eu não vou deixar”. Juro que não.
[Caio Fernando Abreu in OESP - Caderno 2 - 1987]
Marcadores: Caio Fernando Abreu
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