quarta-feira, 30 de maio de 2012

"É tudo vasto. essencialmente vasto. Generosamente vasto. Assustadoramente, também. Inclusive, o próprio amor. Que não tem limites. Que tudo pode curar. Que tudo pode abraçar. Que tudo pode transformar, contrariando as perspectivas apertadas e assustadíssimas das temporadas nos cárceres."

[Ana Jácomo]

terça-feira, 29 de maio de 2012

"Dia propício para esparramar por aí a nossa Luz, compartilhar a nossa Boa Sorte de ter absolutamente tudo que precisamos para nossa Plenitude, inclusive a ausência de algumas coisas, que é a lapidação para os nosso mais precioso aprendizado.
Dia propício para renovar nossa Fé no Amor e no Outro e para vibrar positivamente, de forma que sejamos um ímã para relacionamentos inteiros, recíprocos, saudáveis, verdadeiros.
Dia propício para nos desvencilhar dos vícios e de tudo aquilo que nos ofusca por ser artificial a nós.
Dia propício para benzermos nossa água e pronunciar alegrias antes de ingerir suas moléculas de Cura.
Dia propício para o Perdão, para fazer as pazes com nós mesmos e com o Outro, mesmo que apenas internamente, se só assim for possível.
Dia propício para desenhar uma Caminhada NOVA!
Dia propício para receber com Consciência mais esta parcela de VIDA!"

[Marla de Queiroz]

segunda-feira, 28 de maio de 2012

"...Sei que passam a saudade e a tristeza e o entusiasmo que vivem comigo. Por isso, faço do transitório meu amigo.O que a vida exige de mim é constante aceitação e mudança para que eu continue sendo merecedora da minha Boa Sorte e valorize a cada dia mais a Esperança. " 

[Marla de Queiroz]



domingo, 27 de maio de 2012

"Então, cuide bem de você. Do que você sente, do que você faz, do que você vê e agrega. Cuide dos seus, avalie a sua importância. Tome conta de si, reajuste – se, pergunte - se. Inclua o necessário, desligue o menos importante. Abra mão quando for preciso. Aumente a beleza do verbo permanecer. Descuidos são nocivos. Ligeirezas arranham."

[Priscila Rôde]

sábado, 26 de maio de 2012

"A felicidade precisa estar onde nós estamos, não importa quantos sonhos ainda temos para passar a limpo com as nossas ações. Não importa o tanto de realizações que ainda podemos concretizar. Não importa quantas pendências nos aguardam. Ou ela está onde nós estamos ou não está em lugar nenhum, porque o daqui a pouco não existe além da nossa intenção. Há um único instante para sermos felizes, apesar de um bocado de coisas: este aqui. Os outros podem vir, esperamos que venham, mas, seguramente, não sabemos se virão. A melhor maneira de ser infeliz é acreditar que só se pode ser feliz quando e se. 


[...]

Ser feliz é a melhor arte que podemos nos flagrar aprontando. Quando estamos relaxados fica mais fácil sentir que a alegria não vem só do brinquedo: começa em quem brinca. Nós, adultos, nos esquecemos que a felicidade já é. Que está disponível mesmo quando não conseguimos acessá-la. Que mora nas coisas mais simples do mundo. Essas aqui, bem próximas do nosso alcance, agora." 

[Ana Jácomo]

sexta-feira, 25 de maio de 2012

"Há fases em que somos tocados com tanta rispidez pelas experiências do nosso caminho, que, muitas vezes, sem sequer percebermos, trocamos de mal com o riso, com a felicidade, com o compromisso maior, aquele que temos com o nosso coração. De alguma maneira, geralmente sutil, rompemos com tudo. Com todos. Principalmente, com nós mesmos. Sentimo-nos muito tristes e tentamos paralisar o movimento da vida a partir do núcleo do nosso medo.


Fases em que não nos encantamos com mais nada. Esquecemos o gosto bom das alegrias mais simples. Vedamos nossos olhos à grandeza do milagre presente em todas as coisas. Agarramo-nos à nossa dor com tanto zelo que nem o ser mais luminoso e bem intencionado do universo parece ser capaz de nos dissuadir de soltá-la. Assustados, na tentativa de nos protegermos de mais dor, ignoramos que a dor maior é a própria estagnação. A tentativa de interrupção do fluxo. A negação em nos rendermos, outra vez, à dança da vida.

Nessas fases doídas da caminhada, a gente esquece, sim, de que tudo passa. Esquece, sobretudo, que precisamos permitir que passe. E que não há muito o que fazer nesses momentos, senão entregar e confiar, eta tarefa difícil. Deixar que as coisas morram e abram espaço para o novo. Aceitar o intervalo da travessia, em que as coisas não têm mais a forma antiga nem ainda a forma nova. O tempo da crisálida: nem mais lagarta nem vôo ainda. Respeitar a cadência natural das gestações. Lembrar que precisamos ser delicados e generosos com nós mesmos para atravessar a frente fria até o sol surgir de novo. Lembrar que tudo é impermanente."


[Ana jÁcomo]

quinta-feira, 24 de maio de 2012

"(...) Sim, é verdade, eu tenho medo das gentes, pra dizer a verdade eu me cago de medo das gentes!

O que eu tenho visto de pulhas, de máscaras atadas dia e noite sobre umas caras de pedra...
O que eu tenho visto de mesquinharia, de crueldade, de torpeza, de estupidez..."


[Hilda Hilst]

quarta-feira, 23 de maio de 2012

"Porque é isso: o amor, primeiro, é toque na pele arrepiada de encanto que reveste a alma. Depois, sopra o seu arrepio pra pele encantada que reveste o corpo. Então, acontece o milagre do corpo e da alma se encontrarem, se abraçarem, e se misturarem num encanto só." 

[Ana Jácomo]

terça-feira, 22 de maio de 2012

"Mas o melhor do abraço não é a ideia dos braços facilitarem o encontro dos corpos. O melhor do abraço é a sutileza dele. A mística dele. A poesia. O segredo de literalmente aproximar um coração do outro para conversarem no silêncio que dá descanso à palavra. O silêncio onde tudo é dito sem que nenhuma letra precise se juntar à outra. O melhor do abraço é o charme de fazer com que a eternidade caiba em segundos. A mágica de possibilitar que duas pessoas visitem o céu no mesmo instante." 

[Ana Jácomo]

"Fiquei pensando nessa minha capacidade de acreditar (em mim). Sempre. Otimista ou sonhadora? Nem vou rotular. Mas eu gosto de parar só pra pensar, e olho pra trás e lembro bem de cada tombo. E me orgulho de cada recomeço. E tudo parece menor quando eu penso nas coisas que já vivi. E tudo parece melhor quando lembro das pessoas que tem me feito sorrir...
Viver é tão bonito. De verdade. Cada dia, cada minuto. Cada momento. Até sofrer tem um lado bom, que é notar as voltas que a vida dá, trazendo dias melhores, e abraços mais verdadeiros. E aquelas coisa bobas de sair pra caminhar no fim da tarde, tomar café vendo um filme qualquer, e acordar de ressaca depois de uma noite memorável com amigos, são os momentos que realmente não devemos abrir mão. São uma espécie de cura pra todo mal.
E eu sei que posso passar por tudo nessa vida, desde que eu não me perca de mim. Que no fim, eu sempre enxergue uma luz que ilumina a estrada mais bonita, e a escolha mais feliz. Que de todos os caminhos, eu siga sempre o que o coração pedir, e a consciência permitir. E se eu errar o caminho, que eu tenha humildade e fôlego pra voltar...e achar o caminho certo. E segui-lo cantando, e sorrindo, e chorando às vezes, e encontrando motivos pra sorrir de novo. E que eu consiga achar graça até nos tombos que ainda virão. Mas que me levante rápido. Cada vez mais forte. E sempre, sempre acreditando. Sem esquecer que depois da chuva é que vem o arco-íris."

[Karla Tabalipa]

segunda-feira, 21 de maio de 2012

"Porque é isso: quando sorri, eu tenho a impressão de que apertaram o interruptor que acende o sol, pois tudo clareia ao seu redor. Quando fala, eu tenho a impressão de que toda a vida canta a música bonita que a sua alma diz. Quando silencia, eu tenho a impressão de que todas as coisas adormeceram um pouquinho até você acordá-las outra vez." 

[Ana Jácomo]

domingo, 20 de maio de 2012

"E se um dia hei de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada
Que me saiba perder... pra me encontrar..."

[Florbela Espanca]

sábado, 19 de maio de 2012

Eu me permito mais liberdade e mais experiências.
E aceito o acaso.
Anseio pelo que ainda não experimentei.
Maior espaço psíquico.
Estou felizmente mais doida.


[Clarice "Divina" Lispector]

sexta-feira, 18 de maio de 2012

"Ah, para tudo! Se é pra viver, vamos viver direito. Com conteúdo. Troque o verbo, mude a frase, inverta a culpa. O sujeito da oração é você. A história é sua, mãos à obra! Melhore aquele capítulo, jogue fora o que não cabe mais, embole a tristeza, o medo, aceite seus erros, reescreva-se. Republique-se. Reinvente-se. E transforme-se na melhor edição feita de você." 

[Fernanda Mello]
Img: Scarlett Johansson

quinta-feira, 17 de maio de 2012

"Estou desconfiada de que a gente cresce quando começa a aprender, com o sentimento, muito além da retórica, a não permitir que uma desilusão ou outra nos afaste de nós mesmos e nem dos nossos sonhos mais bonitos. Estou desconfiada de que agente cresce quando é capaz de entender que estar vivo é perigoso, sim, é trabalhoso, sim, mas também é uma oportunidade rara e imperdível. Que há que se pagar o preço, se a ideia é ser feliz e inteiro[...]" 

[Ana Jácomo]

quarta-feira, 16 de maio de 2012

"Sonhos são molas que nos impulsionam. São minha inspiração e força. São a minha fé. Ao meu ver, quem não sonha (nem que seja um pouco, quando ninguém está olhando), nunca se sente vivo de verdade. Mas como tudo tem dois lados, é bom ficar de olhos abertos. Ou melhor: com os pés bem fincados no chão. Viver só de sonhos não basta. Quem se alimenta apenas de ilusão, perde a realidade da vida e se esconde em um mundo paralelo. Complicado, não? Também acho. Haja discernimento para viajar, se aventurar nas estrelas e saber a hora certa de voltar!"

[Fernanda Mello]

"O que prevalece agora é essa maneira nova de sentir a vida. Essa perspectiva que me faz admirar, incansáveis vezes, antigas preciosidades. Essa vontade de bendizer tantas maravilhas. Esse sentimento de gratidão pelas coisas mais simples que existem. Esse canal que escolho assistir com mais frequência. Esse jeito mais amigo de ouvir meu coração.
O que prevalece agora é essa apreciação mais desperta, que me permite reinaugurar flores e céus e pessoas no meu olhar. Essa graça que encontro, de graça, nos detalhes mais singelos. Essa vontade de contribuir. Esse desejo de brincar de roda.
O que prevalece agora é a confortável suposição de que, por trás de tantas e habituais nuvens, esse contentamento faz parte da nossa natureza perene.
Os problemas, os desafios, as limitações, não deixaram de existir. Deixaram apenas de ocupar o espaço todo."

[Ana Jácomo]

terça-feira, 15 de maio de 2012

"Cace a liberdade que anda tão rara, liberdade de pensamento, de atitudes, vá ao encontro de tudo que não tem regras, patrulha, horários. Cace o amanhã, o novo, o que ainda não foi contaminado por críticas, modismos, conceitos, vá atrás do que é surpreendente, o que se expande."

[Martha Medeiros]

segunda-feira, 14 de maio de 2012

A tal felicidade

"Como loucos, vivemos perseguindo a tal felicidade. Meio cegos, nem percebemos quando ela de fato está sentada no nosso colo. Surdos, não ouvimos os sinais que a vida nos dá diariamente.

É uma perseguição sem fim. Uma busca constante. E uma pequena descrença, já que existem aqueles ditados que falam que felicidade dura pouco. Quer saber? Não concordo. A felicidade mora dentro da gente. Só que nem sempre temos capacidade de perceber.

A felicidade é sutil. É uma poesia, um pedaço de manga, um gole de vinho, uma música que arrepia. A felicidade é tão simples. Um abraço em quem a gente não vê faz tempo, um carinho de um amigo, um beijo em seu amor. É andar de mãos dadas, encostar a cabeça no ombro do outro no cinema, dormir juntinho. É cheiro de café passado, susto que passa logo, lambida de cachorro no nariz e perfume de flor. A felicidade é serena. Uma ferida que sara, a calça que finalmente entra, a tão desejada voz do outro lado do telefone. Um filho que aprende a dizer mamãe, a receita que dá certo, o olhar que se encontra.

Estou em uma fase muito feliz. E saboreando cada momento, sem perder um segundo sequer da tal felicidade."


[Clarissa Corrêa]

domingo, 13 de maio de 2012

Para minha mãe

"Minha mãe, pra mim, é sol mesmo quando chove. É chuva, com direito a cheiro de terra molhada do quintal lá de casa, quando tudo fica árido. Silêncio capaz de amansar ruídos que eu não sei como fazer dormir. Voz que me ajuda a acordar esperanças quando elas ficam com preguiça de levantar. Uma presença que sabe acender o meu ânimo quando o breu se esparrama. Primavera para o meu olhar, não importa qual seja a minha estação. Um perfume inigualável. Ela e as coisas todas do mundo dela. Quando chega, traz lembranças minhas que apenas ela reflete e apenas eu consigo ver. Uma espécie de poema que o sentimento lê em voz alta somente para dentro. 

[...] 

Minha mãe é maciez pra minha alma quando a vida se faz áspera e quando não. Um lugar de conforto, onde eu posso ser. Amor, quando as minhas folhas caem e quando floresço. A mesa sempre posta, até quando sinto fome apenas de lembrar quem sou. 

Estou convencida de que ninguém me conhece melhor do que ela. Sente a emoção da vez, antes da minha voz. Sente quando omito alguma coisa, por mais sofisticados que sejam os meus disfarces. Sente a atmosfera da minhas palavras, antes que eu consiga ou resolva dizê-las. Conhece mais variações de sorrisos, silêncios e olhares meus e suas respectivas mensagens do que suponho mostrar. Ela não me conhece assim porque é versada em psicologia. Minha mãe é versada em mim, desde quando eu ainda nem era eu direito. 

Parece ser especialista em previsões climáticas. Chove, quando não lembro do chapéu e ela diz pra eu não esquecer. Faz um frio absurdo, de repente, quando não levo o casaco e ela diz pra eu levar. Geralmente costuma doer quando alerta que vou me machucar e eu não ligo. [...] Mas a verdade é que mãe parece mesmo ter um olhar diferente. Capaz de ver coisas que quaisquer outros olhos do mundo não sabem enxergar. Nem os nossos. 

Minha mãe cantou para me fazer adormecer. Ensinou-me, com toda a paciência, a rezar para o meu anjo da guarda antes de eu dormir e de levantar da cama. Ensinou-me a respeitar o espaço das pessoas, a ser educada com gente de toda idade, a ser cuidadosa com as plantas e os bichos, a não me apropriar de nada que não me pertencesse. De mãos dadas, seguíamos pelas ruas e seguir de mãos dadas com ela pelas ruas era uma espécie de festa que acontecia toda manhã. Encapava meus cadernos. Perguntava o que havia acontecido na escola quando percebia que eu havia chorado, mas não contava para ela. De vez em quando, me surpreendia com meus lanches preferidos enquanto eu assistia "Sessão da Tarde": bolo "Ana Maria"... bolinhos de chuva.[...] E quando eu sentia cólicas terríveis, lá estava ela, com seu chá de erva-cidreira e as toalhinhas quentes que passava a ferro para pôr sobre a minha barriga. Às vezes é preciso que o mundo dê algumas voltas e a gente amadureça um pouco para ser capaz de leituras mais amorosas sobre um bocado de coisas. Leituras com braços e coração mais abertos..."

[Ana Jácomo]

Mãe

Mãe é bom em qualquer idade. Sem ela, ficamos órfãos de tudo, já que o mundo lá fora não é nem um pouco maternal conosco.
O mundo nos olha superficialmente. Não consegue enxergar através. Não detecta nossa tristeza, nosso queixo que treme, nosso abatimento. O mundo quer que sejamos lindos, sarados e vitoriosos para enfeitar ele próprio, como se fôssemos objetos de decoração do planeta. O mundo não tira nossa febre, não penteia nosso cabelo, não oferece um pedaço de bolo feito em casa.
Para o mundo, quem menos corre, voa. Quem não se comunica se estrumbica. Quem com ferro fere, com ferro será ferido. O mundo não quer saber de indivíduos, e sim de slogans e estatísticas. Mãe é de outro mundo. É emocionalmente incorreta: exclusivista, parcial, metida, brigona, insistente, dramática, chega a ser até corruptível se oferecermos em troca alguma atenção. Sofre no lugar da gente, se preocupa com detalhes e tenta adivinhar todas as nossas vontades, enquanto que o mundo propriamente dito exige eficiência máxima, seleciona os mais bem-dotados e cobra caro pelo seu tempo.

[Martha Medeiros]

sábado, 12 de maio de 2012

De coração aberto

"Muitas vezes eu também já me perguntei se adianta a gente se empenhar para abrir o coração num tempo de tantos corações rigidamente trancados, em que o medo parece dar as cartas e descartar possibilidades de troca, espontaneidade e amor. 
Houve instantes em que duvidei e me questionei se não seria mais seguro, mais tranquilo, mais fácil, tentar interromper o fluxo e fechar o meu coração de novo. No máximo, deixar apenas uma fresta aberta por onde espiar a vida de longe. 
Embora não seja necessariamente mais seguro, mais tranquilo, muito menos mais fácil, continuo sentindo que é bem mais leve, alegre e desapertado viver com o coração mais aberto. Sobretudo, para nós mesmos. Ainda que às vezes a gente sinta estar na contramão. Ainda que às vezes esse nos pareça ser um movimento solitário.
No mínimo, corre mais vento."


[Ana Jácomo]

sexta-feira, 11 de maio de 2012

"O ser humano me apavora. Não que eu seja melhor que alguém, não sou, não. Mas quem é meu amigo é meu amigo. Não finjo amores. E não passo a perna, não sou mascarada, minha diversão não é falar mal de você e depois fazer coraçãozinho com a mão. Se eu não vou com a sua cara ou não concordo com as suas atitudes, vou te respeitar, ser educada e ponto. Acho muito triste quem vive a vida alheia."

[Clarissa Corrêa]
Foto: Sarah Jessica Park in Sex  And The City -  6ª temporada

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Cheiro

"Se o cheiro não atrai, inútil apelar para gentilezas.
É o cheiro que chama, o cheiro que abraça, o cheiro que aperta.
O cheiro das pernas, o cheiro da nuca, o cheiro dos cotovelos, o cheiro dos joelhos.
O cheiro da voz lambendo, beijando, chupando.


[Fabrício Carpinejar in Mulher Perdigueira 'A carne é Forte']
Reese Whiterspoon e Robert Pattinson in Água Para Elefantes

quarta-feira, 9 de maio de 2012

"E muito tempo se passou durante as horas vagas... E a música que eu escutava repetidas vezes, tive que substituir por novas vozes. Pois se é novo o momento, para que lembrar o ido, o frouxo, o genérico, o amor antigo, as coisas que foram levadas pelo vento? Eu que quero coisas de verdade, que sinto as coisas de verdade e busco histórias tão mais reais e me retiro dos platonismos com toda a falta de elegância que me foi ensinada.
[...]
E muito tempo se passou e durante instantes eu estive mais vaga que as horas todas. E cuidei dos vazios, e busquei os vazios inteiros, mergulhei fundo nos abismos, e achei que estar lá no fundo das coisas é tão bom quanto respirar na superfície. E das pessoas eu vi as sombras para proferir a luz, que é do mesmo tamanho. E das carícias eu recebi apenas as que tinham calor, pois este penetra a pele do poema que é a palavra.
E hoje, até posso olhar para trás, pois não sei andar de costas. Mas o passado, já dizia aquela música que escutei repetidas vezes, é uma roupa que não me serve mais."

[Marla de Queiroz]


terça-feira, 8 de maio de 2012

''Parabéns para você, que tem um sonho. 
Que não desiste, apesar do que falam. 
Que não se abala, apesar do medo.''

[Clarissa Corrêa]

"Igualzinho ao que acontece com todas as pessoas, num trecho ou outro da estrada, eu já senti tanta dor que parecia que os golpes haviam me quebrado toda por dentro. Não sabia se era possível juntar os pedaços, por onde começar, nem se o cansaço me permitiria movimentos na direção de qualquer tentativa. Quando o susto é grande e dói assim, a gente precisa de algum tempo para recuperar o fôlego. Para voltar a caminhar sem contrair tanto os ombros e a vida. Um espaço para a gente quase se reinventar.

O tempo passa. O fôlego retorna. Parece milagre, mas as sementes de cura começam a florescer nos mesmos jardins onde parecia que nenhuma outra flor brotaria. A alma é sábia: enquanto achamos que só existe dor, ela trabalha, em silêncio, para tecer o momento novo. E ele chega."


[Ana Jácomo]

segunda-feira, 7 de maio de 2012

"Algumas pessoas me cativam de cara, sem esforço, só um sorriso e basta, outras já precisam se mostrar um pouco mais, precisam me fazer tirar a ruga da testa. Agora, existem outras tantas, que não importa o que façam, não conseguem arrancar nada de mim. Sinto como se a pessoa se contivesse para não demonstrar aquilo que é realmente, como se vivesse preocupada com a posição da máscara.

Talvez seja por isso que dizem que cada alma exala seu próprio perfume, algumas almas cheiram mal e não adianta a pessoa tentar camuflar o cheiro.
Hipocrisia fede e eu não achei meu nariz no lixo."


[Renata Fagundes]

domingo, 6 de maio de 2012

Amores

"Você vem falar de amor de um modo que emociona, e eu vou falar de amor como se fosse sua resposta. agradeço, primeiramente, o amor recebido e negado, demonstrado e não, seus adjetivos, seus diagnósticos e o tempo percorrido, se foi um amor de verão ou se comemorou vinte bodas anuais, o amor que sinto não é dado a configurações, o amor transcende, nunca foi mortal como a gente.
Gosto destes sons, embala o amor a rima, navego empurrada pelos ais e por sufixos e sílabas que remam, remam, aqui vão minhas palavras navais. O amor não tem ancoradouro, porto, cais – o amor é navegante e recolhe pessoas neste mar de distraídos, salva vidas.  O amor que você narra e a mim dirige é amor primitivo, fora de catálogo, é sorte dos amores ambientais, estão por toda parte, para senti-lo requer apenas querê-lo. Conceitos fugazes do amor? Não creio. Há os amores produzidos e os amores naturais, os amores duros e os rarefeitos, há os que nascem do peito e os ancestrais, amores vários, todos iguais.
Em diversas cartas há seu apelo e sua culpa pelo amor não-vivido. O amor vive apesar de nós, tudo o que se sente é validado por ser existente, não sofra mais. Foram cartas não assinadas, não enviadas, talvez escritas por mais de uma pessoa, tanto faz. São cartas de amor, e mesmo com angústia e anonimato, sobrevive nelas o tesouro de um sentimento bruto, porém não violento.
O amor comentado nestes tempos que correm é produto, assunto de revistas e jornais, o amor nos tempos que correm deveria ir mais devagar, aceitarem-se múltiplos, gozo, gás. Você que escreve mentalmente, você que escreve cartas para ficar, você que não sabe direito que amor é esse e que só quer se desculpar, você que ama livre e você, entre grades, você que ama em pensamento, você e você e você, nós todos e nossos amores ornamentais, que ainda nos fazem chorar e mal entender, carentes existenciais, você e você e você e nossas cartas abortadas, digamos para nós mesmos: comunicar é lindo e gritar o amor é nobre, dizer te amo é bálsamo e mais ainda, escutar. Mas o amor independe, o amor, remetente, é transcrito no olhar, há quem entenda e há quem procure lê-lo em outro lugar.
Amor é carta que mesmo extraviada está ora chegando e partindo, e pode cair em mãos que não as destinadas, mas onde estiverem as palavras, escritas ou caladas, onde estiverem os desejos e seus códigos postais, não importa a data em que foram selados, serão sempre cartas de amor e amores que alcançaram seus finais."

[Martha Medeiros in Carta extraviada e outros poemas]

sexta-feira, 4 de maio de 2012

"Cansei de me flagrar em circunstâncias em que eu jurava que havia ocorrido uma falha do cenógrafo na montagem do ambiente: tudo o mais poderia estar no lugar correto, mas não era para eu estar ali. Aí era um tal de listar os supostos culpados, lamentar a má sorte, um blablablá triste toda vida, sob o fundo musical de “Ó, Deus, como sou infeliz”. Muitas cenas depois, porque só o tempo é capaz de nos dar olhos que veem um pouco além das aparências, comecei a encaixar as peças daquelas tais circunstâncias e a perceber que estive exatamente onde eu me coloquei. Nem um centímetro a mais nem a menos. Eram os meus sentimentos, minhas dores pendentes de cura, minha resistência à mudança, minhas crenças equivocadas sobre mim, que me atraíam para aqueles cenários. Peças encaixadas, descobri que, no fim das contas, a roteirista o tempo todo era eu.
Se a história não me agrada, preciso aprender a reescrevê-la até que se torne parecida com a ideia que passa pelo meu coração. O roteiro só muda quando eu assumo a minha responsabilidade por ele e me trabalho para ser capaz de modificá-lo. Não adianta culpar o cenógrafo."

[Ana Jácomo]
Img: Amy Acker  in Once Upon a Time - 1ª temporada.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

"Desejo que haja cumplicidade. Que o entendimento aconteça no olhar. Que as palavras sejam estilingues e não pedras. Desejo que haja tolerância e muita paciência. Que os defeitos de um, não machuquem o outro. Que as qualidades de um, não ofusquem o outro. Desejo que o tempo seja generoso. Que os dias passem em paz. Que as noites sejam de festa. Desejo que a rotina não seja cruel. Que a paixão seja sempre descoberta. Que o abraço seja sempre conforto. Desejo que as vontades caminhem de mãos dadas. Que as diferenças e distâncias só sirvam para aproximar. E que a fé no amor, seja salvação para todos os dias."

[Briza Mulatinho]

quarta-feira, 2 de maio de 2012


"O que fica de hoje é a saudade. Mas como a vida é um ciclo que sempre indica o constante recomeço das coisas, que amanhã seja um novo dia. Ou uma nova saudade, ao menos."

[Bibiana Benites]

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