terça-feira, 29 de abril de 2008

 “Lembra de quando você era criança e acreditava em contos de fadas? Aquela fantasia de como sua vida seria. O vestido branco, o príncipe encantado que te levaria embora para um castelo na montanha. Você deitava de noite na cama e fechava os olhos e tinha total e completa fé. O Papai Noel, a Fada Madrinha, o príncipe encantado, todos tão perto que dava pra sentir o gosto. Mas, eventualmente, você cresce. Um dia você abre os olhos e o conto de fadas desaparece. A maioria procura pessoas e coisas em que possam confiar. Mas o negócio é que é difícil abrir mão totalmente daquele conto de fadas. Pois quase todo mundo ainda tem aquele mínimo de esperança, de fé de que um dia abrirão os olhos e tudo virará realidade. No final de tudo, a fé é uma coisa engraçada. Ela surge quando você não a espera. É como se um dia você se desse conta de que o conto de fadas talvez seja ligeiramente diferente do que sonhou. O castelo, bem, talvez não seja um castelo. E não é tão importante que seja feliz pra sempre. Mas só que seja feliz agora. Sabe, de vez em quando, muito de vez em quando, as pessoas irão te surpreender. E de vez em quando as pessoas podem até te deixar arrepiada”.
(Grey’s Anatomy)

“Uns duzentos anos atrás, Benjamin Franklin revelou para o mundo o segredo do seu sucesso. ‘Nunca deixa para amanhã’, ele disse, ‘o que pode fazer hoje’. Isto veio do homem que descobriu a eletricidade. É de pensar que mais gente ouviria o que ele tem a dizer. Não sei por que adiamos as coisas, mas se tivesse que adivinhar, diria que tem muito haver com o medo. Medo do fracasso, medo da dor, medo da rejeição. Às vezes é só o medo de tomar uma decisão. Pois... e se você estiver errada? Se estiver cometendo um erro que não pode consertar?
Do que quer que tenhamos medo uma coisa é certa. Quando a dor causada por não se fazer uma coisa fica pior que o medo de fazê-la, parece que carregamos um grande tumor.
Deus ajuda quem cedo madruga. Assa-se o pão enquanto o forno está quente. Quem vacila está perdido. Não dá pra fingir que ninguém nos avisou.
Ouvimos os provérbios, os filósofos, ouvimos nossos avós nos avisar sobre o tempo perdido, ouvimos os malditos poetas nos ungindo aproveitar o dia.
Mesmo assim às vezes precisamos ver com nossos próprios olhos. Temos que cometer nossos próprios erros. Temos que aprender nossas próprias lições. Temos que varrer as possibilidades de hoje debaixo do tapete de amanhã, até não podermos mais, até finalmente compreendermos o que Benjamin Franklin quis dizer.
Que saber é melhor do que imaginar.
Que acordar é melhor que dormir.
E que até mesmo o pior fracasso, até o pior e mais irremediável erro é mil vezes melhor do que nunca tentar”. (Grey’s Anatomy)

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Mutação





Não é que vivo em eterna mutação, com novas adaptações a meu renovado viver e nunca chego ao fim de cada um dos modos de existir. Vivo de esboços não acabados e vacilantes. Mas equilibro-me como posso, entre mim e eu, entre mim e os homens, entre mim e o Deus.Um sopro de vida. (Clarice Linspector)

Porque precisamos de alguém



Pode acontecer a qualquer hora do dia, de qualquer dia. Numa sexta-feira às 17h20m de uma tarde nublada. Você decide que não quer mais fazer o que faz, que precisa trocar de profissão ou trocar de país mas lembra que pra isso precisa de uma grana que não tem, o sonho de repente fica distante mas a angústia segue brutal, e então a solução: o telefone. Você liga pra pessoa que mais conhece você, que melhor decifra suas neuroses, e não é sua mãe nem seu psiquiatra: é ele. Aquela pessoa a quem você chama intimamente de amor.
Do outro lado da linha, o seu amor ouve pacientemente toda sua narrativa turbulenta e irracional, dá uma risada que não é de deboche e sim de quem já viu/ouviu essa cena duas mil vezes e diz: daqui a pouco eu tô aí e a gente conversa sobre isso.
Daqui a pouco passa rápido e ele chega. Você não está mais pensando exatamente aquilo que estava pensando antes. Aquilo evoluiu para um diagnóstico emocional torturante: você não vai mais trocar de emprego nem de país, simplesmente porque descobriu que é uma pessoa instável, maluca e com fraquezas que se revelam no meio de uma tarde nublada, e que sendo assim é melhor ficar onde está. Mas chora. Não vai perder esta oportunidade.
Seu amor lhe dá um abraço de urso, faz estalar sua terceira e quarta vértebras e fala que bom que você não vai embora, então que tal um cinema pra comemorar? Ao se olhar no espelho você se depara com uma mulher seis anos mais velha e 750ml de lágrimas mais inchada, mas antes que comece a chorar de novo, ele diz: tá linda. Vamos nessa.
O filme termina e você quer conversar. Mais calma, conta pra ele como é difícil pra você manter suas escolhas, que às vezes você gostaria de experimentar sensações novas mas é complicado abrir mão do conhecido em favor do desconhecido e, olha, juro, dessa vez não é TPM. Então ele diz que também sente isso às vezes, dá um puta beijo nela e, olhando bem no seu olho, diz: é TPM, sim, mas não tem importância. (Martha Medeiros)


Amor...
Meu bem...
Obrigada pela compreensão e ajuda nessa semana infernal de TPM.
Você está sendo maravilhoso, muito companheiro.
Obrigada por ficar ao meu lado, mesmo com todos os meus abusos...
Adorei o fim de semana.
E desculpe o mau humor de alguns momentos.
A gente aproveitou mesmo assim né?!!
Te amo

domingo, 27 de abril de 2008

Medo

"Eu tenho medo. Mas não tenho medo de ter medo. Medo é o avesso da coragem. É por meio dele que eu alcanço algumas vitórias. Quem não tem medo corre o risco de se tornar um herói sem graça, pronto demais. A vida é bonita justamente por ser inacabada. A metade que falta, o detalhe que ainda não alcançamos, o objetivo que ainda está pela metade. Tudo se torna mais bonito quando visto do avesso. Os medos também. Há muito tipos e estão por toda parte:Medo de não vencer, de não chegar, de não saber, de não conseguir, de subir a escada, de errar no tempero, de perder, de morrer...O avesso do medo é o cuidado redobrado, porque quem tem medo, cuida. Não se expõe ao perigo, mas resguarda. O medo é bom, porque não nos enche de falsa coragem. O medo nos torna reais, nos mostra quem somos, mensura o tamanho de nossas pernas...O medo nos coloca no nosso lugar e nos prepara para o sorriso do pódio.Há medos que nos paralisam. São temores doentios. Eles nos entorpecem, nos amarram e precisam ser vencidos. Precisam ser olhados de frente, para que voltem à condição de medo, apenas... medo saudável.Medo que me faz ser humano na medida certa porque no humano bem medido, o divino prevalece.Só isso. O resto é lição que a lousa da vida espera por ser escrita". (Pe. Fábio de Melo)

O instante mágico



É preciso correr riscos. Só entendemos direito o milagre da vida quando deixamos que o inesperado aconteça.
Todos os dias Deus nos dá – junto com o sol – um momento em que é possível mudar tudo que nos deixa infelizes. Todos os dias procuramos fingir que não percebemos este momento, que ele não existe, que hoje é igual à ontem - e será igual à amanhã.
Mas, quem presta atenção ao seu dia, descobre o instante mágico.
Ele pode estar escondido na hora em que enfiamos a chave na porta pela manhã, no instante de silêncio logo após o jantar, nas mil e uma coisas que nos parecem iguais. Este momento existe – um momento em que toda a força das estrelas passa por nós, e nos permite fazer milagres.
A felicidade às vezes é uma bênção – mas geralmente é uma conquista.
O instante mágico do dia nos ajuda a mudar, nos faz ir em busca de nossos sonhos.
Vamos sofrer, vamos ter momentos difíceis, vamos enfrentar muitas desilusões – mas tudo é passageiro, e não deixa marcas. E, no futuro, podemos olhar para trás com orgulho e fé.
Pobre de quem teve medo de correr os riscos. Porque este talvez não se decepcione nunca, nem tenha desilusões, nem sofra como aqueles que têm um sonho a seguir. Mas quando olhar para trás – porque sempre olhamos para trás – vai escutar seu coração dizendo: “o que fizeste com os milagres que Deus semeou por teus dias? O que fizeste com os talentos que teu Mestre te confiou? Enterraste fundo em uma cova, porque tinhas medo de perdê-los. Então, esta é a tua herança: a certeza de que desperdiçaste tua vida”.
Pobre de quem escuta estas palavras. Porque então acreditará em milagres, mas os instantes mágicos da vida já terão passado.
(Paulo Coelho)

Quando a chuva chegar, não abra o guarda-chuva que tem, espere a chuva te molhar, espere eu te enxugar também.
Basta apenas um olhar pra você me hipnotizar, basta apenas um sorriso pra você me arrepiar, basta apenas o seu corpo pra eu me extasiar...



"A verdade é que a saudade começa quando nos despedimos"...
(J. G. de Araújo Jorge)

Chovia...chovia


Naquela tarde, como chovia!

Me lembro de que a chuva caia
lá fora
sem parar,
e seu surdo rumor até parecia
um sussurro de quem chora
ou uma cantiga de embalar...

Me lembro de que tu chegaste
inquieta, ansiosa,
mas logo te aconchegaste
em meus braços, quietinha...
(...enroladinha como uma gatinha...)

E eu quase não sabia que fazer:
se de encontro ao meu peito te deixava adormecer...
se te mantinha acordada, para seres minha...

Me lembro que chovia, chovia sem parar...
E que a chuva caía a turvar as vidraças
anoitecendo o quarto em tons baços...
Me lembro de que te sentia
aconchegada em meus braços...
Me lembro de que chovia...
E de que era bom porque chovia,
e porque estavas alí, e porque eu te queria...
Sim, me lembro que tudo era bom...
E que a chuva caía, caía,
monótona, sem parar,
naquele mesmo tom...

Naquela tarde, amor, como chovia!

Agora, quando longe de ti, nem sou mais eu
em minha melancolia,
não posso mais ouvir a chuva cair
que não fique a lembrar tudo que aconteceu
naquele dia...

Naquele dia
enquanto chovia...
(J.G. de Araújo Jorge)


É tudo uma questão de linhas...
É como ter limites entre você e o resto do mundo. As outras pessoas são complicadas demais.É tudo uma questão de linhas. Você risca linhas na areia e depois reza para que ninguém as atravesse (...)
A certa altura você tem que tomar uma decisão. Limites não mantém os outros de fora. Eles te prendem dentro. A vida é complicada.É assim que somos feitos. Portanto, você pode passar a vida traçando linhas ou viver sua vida atravessando-as. MAs existem certas linhas que são perigosas demais para se cruzar. Aqui está o que sei: se vc estiver disposto a arriscar, a vista do outro lado é espetacular.
(Grey's Anatomy)

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Agosto de 2007


“Nós todos ficamos um pouco no escuro quando se trata de amor. Algumas vezes você tem de fugir disso para enxergar com clareza. E algumas vezes você precisa voltar para casa para tentar novamente. Os otimistas sabem que há uma quantidade infinita de amor suficiente para todos. Outros de nós podem somente esperar que não sejamos os únicos deixados sem cadeiras quando a música parar. Mesmo quando você consegue o que quer, na melhor das hipóteses, o amor é um tiro no escuro. É a chance de esclarecer coisas sobre você mesmo que você não sabia… Ou que talvez você será, depois de uma longa noite muito escura.”(Men in Trees)
Para uma noite do mês de Agosto de 2007, talvez todo o mês e o medo infantil que esse dia, época ainda me traz!

quinta-feira, 24 de abril de 2008






…faz de conta que ela nao estava chorando por dentro ─ pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado“.
(Clarice Lispector)

Só por Hoje

Hoje vou fazer de conta
que o improvável
se tornou palpável
e que na indecifrável
roda da vida
essa ferida
sequer se abriu
e nem fluiu
em silêncio triste
apagando tudo que existe
de bom no amor.

Hoje vou viver fatos inconsumados
vou correr contigo pelos prados
vou sentir teu cheiro por todos os lados
e sorrir sem pressa
olhando na tua alma
vou te beijar com a calma
de quem descança na palma
transparente da mão de Deus

Hoje vou imaginar
que você não foi embora
que teu perfume continua presente
e que você ainda sente
um carinho especial
pelo teu menino teatral
que vê borboletas em teu olhar

Hoje vou te amar com bossa nova
e te dar toda prova
de amor que você pedir
só pra te fazer sorrir
no teu exílio conciliador

Hoje vou fazer de conta
só vou fazer de conta
que não quero chorar de amor.

(autor desconhecido)

quarta-feira, 23 de abril de 2008



A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.
(Carlos Drummond de Andrade)

Escolhendo uma amor


Escolher o amor é encontrar e descobrir quem é para nós. Isto não quer dizer apontar quem pode ser um bom marido, uma boa esposa, o amante, a namorada. Tem a ver com intuição e eleição. E independência.

Sim, escolher o amor é exercer a independência. E, em nome desta independência, serão aceitas todas as dependências naturais, aderentes à relação. Parece contraditório, contudo não é. Só quem está inteiro na sua escolha e é total na direção de seu destino aceita as inevitáveis dependências naturais na vida e no amor. É que, na escolha do amor, está o encontro com a verdade individual e profunda de cada ser, uma verdade sem disfarces, que liberta.
Quem chegou ao amor por independência terá aceito a carga de sofrimentos, sustos, solidão e agressões aí originados. Não considera dependentes certos atos em prol do ser amado que, em outro contexto, seriam feitos com sacrifício, ou pareceriam servidão. E, assim livre, consegue ser feliz nas dependências naturais do amor.
Como o amor, a independência é filha da crise. Escolher caminhos ou pessoas é sempre crise, é conflito. Implica abrir mão, deixar, renunciar, abandonar, para operar a (nova) escolha. E o que se deixa, larga ou abandona, também dói, fere, dá culpa, sobretudo se não nos é indiferente ou descartável.

Escolher é, pois, viver a crise. Também. O verdadeiro sentido da palavra crise é dividir, separar. Provém do grego krisis. Krisis é o ato de escolher, de separar, de julgar. É escolha, julgamento, eleição, divisão. Ao ter que escolher, somos tomados por uma crise, vale dizer, por uma divisão. O fato de estar dividido, fragmentado pelos vários pólos de cada escolha é um ato crítico. Crise é, portanto, uma situação completa de escolha de caminhos ou decisões.
Não há independência sem crise. Logo, não há amor sem crise. E o amor só se torna feliz, se pode escolher e ser escolhido num misterioso ato completo de liberdade.
(Arthur da Távola)

Tempo


Tudo neste mundo tem o seu tempo; cada coisa tem a sua ocasião.
Há tempo de nascer e tempo de morrer;
Tempo de plantar e tempo de arrancar;
Tempo de matar e tempo de curar;
Tempo de derrubar e tempo de construir.
Há tempo de ficar triste e tempo de se alegrar;
Tempo de chorar e tempo de dançar;
Tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las;
Tempo de abraçar e tempo de afastar.
Há tempo de procurar e tempo de perder;
Tempo de economizar e tempo de desperdiçar;
Tempo de rasgar e tempo de remendar;
Tempo de ficar calado e tempo de falar.
Há tempo de amar e tempo de odiar;
Tempo de guerra e tempo de paz.
{Eclesiastes 3:1-8}

terça-feira, 22 de abril de 2008

Duas em mim

"Existiram sempre em mim pelo menos duas mulheres, uma desesperada e desnorteada, que se sentia a naufragar, e outra que queria apenas trazer beleza, graciosidade e vida às pessoas, e que estava pronta a entrar em cena como no teatro, pronta a ocultar as suas verdadeiras emoções, porque elas eram fraqueza, desamparo, desespero, e a apresentar ao mundo apenas um sorriso…”

(Anaïs Nin)

OBRIGADO POR INSISTIR

Até o mais seguro dos homens e a mais confiante das mulheres já passaram por um momento de hesitação, por dúvidas enormes e dúvidas mirins, que talvez nem merecessem ser chamadas de dúvidas, de tão pequenas. Vacilos, seria melhor dizer. Devo ir a este jantar, mesmo sabendo que a dona da casa não me conhece bem? Será que tiro o dinheiro do banco e invisto nesta loucura? Devo mandar um e-mail pedindo desculpas pela minha negligência? Nesta hora, precisamos de um empurrãozinho. E é aos empurradores que dedico esta crônica, a todos aqueles que testemunham os titubeios alheios e dizem: vá em frente!
“Obrigada por insistir para que eu pintasse, que eu escrevesse, que eu atuasse, obrigada por perceber em mim um talento que minha autocrítica jamais permitiria que se desenvolvesse.”
“Obrigada por insistir para que eu fosse visitar meu pai no hospital, eu não me perdoaria se não o tivesse visto e falado com ele uma última vez, eu não teria ido se continuasse sendo regida apenas pela minha teimosia e orgulho.”
“Obrigada por insistir para que eu conhecesse Veneza, do contrário eu ficaria para sempre fugindo de lugares turísticos e me considerando muito esperta, e com isso teria deixado de conhecer a cidade mais surreal e encantadora que meus olhos já viram.”
“Obrigada por insistir para que eu fizesse o exame, para que eu não fosse covarde diante das minhas fragilidades, só assim pude descobrir o que trago no corpo para tratá-lo a tempo. Não fosse por você, eu teria deixado este caroço crescer no meu pescoço e me engolir com medo e tudo.”

“Obrigada por insistir para eu voltar pra você, para eu deixar de ser adolescente e aceitar uma vida a dois, uma família, uma serenidade que eu não suspeitava. Eu não sabia que amava tanto você e que havia lhe dado boas pistas sobre isso, como é que você soube antes de mim?”
“Obrigada por insistir para que eu deixasse você, para que eu fosse seguir minha vida, obrigada pela sua confiança de que seríamos melhores amigos do que amantes, eu estava presa a uma condição social que eu pensava que me favorecia, mas nada me favorece mais do que esta liberdade para a qual você, que me conhece melhor do que eu mesma, apresentou-me como saída.”
“Obrigada por insistir para que eu não fosse àquela festa, eu não teria agüentado ver os dois juntos, eu não teria aturado, eu não evitaria outro escândalo, obrigada por ficar segurando minha mão e ter trancado minha porta.”
“Obrigada por insistir para eu cortar o cabelo, obrigada por insistir para eu dançar com você, obrigada por insistir para eu voltar a estudar, obrigada por insistir para eu não tirar o bebê, obrigada por insistir para eu fazer aquele teste, obrigada por insistir para eu me tratar.”
Em tempos em que quase ninguém se olha nos olhos, em que a maioria das pessoas pouco se interessa pelo que não lhe diz respeito, só mesmo agradecendo àqueles que percebem nossas descrenças, indecisões, suspeitas, tudo o que nos paralisa, e gastam um pouco da sua energia conosco, insistindo.
Martha Medeiros

sábado, 19 de abril de 2008

Mudando


Mudança. Não gostamos, temos medo dela. Mas não podemos impedí-las. Ou nos adaptamos à mudança, ou ficamos para trás. É doloroso o processo de crescer. Quem diz que não é está mentindo. Mas a verdade é que algumas vezes quanto mais as coisas mudam, mais elas continuam iguais. E algumas vezes, a mudança é boa. Algumas vezes, a mudança é tudo.

(Grey’s Anatomy)

quarta-feira, 16 de abril de 2008



"Talvez os nossos erros escrevam os nossos destinos.
Senão, o que mais formaria nossas vidas?
Talvez se nunca mudássemos de direção jamais nos apaixonaríamos ou teríamos bebês ou seríamos quem somos.
Afinal de contas, as estações mudam. As cidades também. As pessoas entram e saem de sua vida, mas é bom saber que quem se ama está sempre no seu coração. E, se você tiver muita sorte...a um vôo de distância." (Sex and the City)

DOU RISADA DE UM GRANDE AMOR

Tinha cá pra mim que agora sim, eu vivia enfim o grande amor, mentira!”
Encontro minha amiga A., no nosso botequim predileto, e a desalmada vai logo anunciando, com a ironia fina que a acompanha na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença.
Sempre tem boas histórias e uma mania louca de escolher uma música, normalmente Chico Buarque, para trilha das sagas românticas.
Como Chico tem um vasto elenco de personagens femininos e incorpora as dores e delícias das mulheres, ela escolhe no capricho, no ponto. Moleza, garoto.
“Tinha cá pra mim que agora sim, eu vivia enfim o grande amor, mentira!”, ela repete e repete, enche o saco com o “Samba do grande amor”.
Essa música nem é protagonizada por uma fêmea, e sim por um homem desiludido do amor, um cabra cujo destino parafusou-lhe na testa belos objetos pontiagudos, como diria o compay Marçal Aquino.
Mas ela insiste e canta assim mesmo. Pior: canta e ri, uma loucura. Que diabo de sofrimento é esse com essas gargalhadas todas?
A moça é assim mesmo. Não tem jeito. E olhe que nem pediu caipiroscas de frutas vermelhas nesse dia, ficou apenas no chope, coisa fina e civilizada.
“Morrer dessa vez é que não vou”, tira onda. “Ih, estou escaldada, velho Francisco”.
O que A. me contou uma das coisas banais que mais escuto das minhas amigas nos últimos tempos. E olhe que sou conselheiro, ombudsman das moças, cupido e ouvidor-geral de muitas crias das nossas costelas.
“Sua carteira de desesperadas é grande”, ela mesma tira uma boa onda sobre um ofício que desenvolvo com gosto e curiosidade desde os verdes anos –quando sequer eu sabia o era uma mulher para valer, conhecia apenas as cabritas e as bananeiras.
A amiga deparou-se com mais um desses homens que prometem, ensaiam, jogam um charme, cultivam, cantam de galo... comparecem e..., sem dizer nada, tomam o clássico chá de sumiço.
“Por essas e por outras é que agora prefiro um bom canalha a um homem frouxo”, prega a amiga, conquistando rapidinho o apoio da mesa feminina ao lado. “Um canalha pelo menos me pega com gosto e temos noites deliciosas”.
Defende a tese e emenda, riso desavergonhado: “Passava um verão a água e pão, dava o meu quinhão pro grande amor, mentira!”
É rapazes, é tempo de homem frouxo, que corre mesmo diante da possibilidade de uma história mais densa e afetiva. Não sabem o que estão perdendo. A começar pela minha amiga cantante, belo exemplar da raça, no auge dos seus 3 ponto 6, boa conversa, boa lábia, gostosa, bocão e um humor capaz de tornar o mais nublado dos dias no dia mais alegre e comovente para o cara que estiver ao seu lado. Sorte deste hombre!
(Xico Sá)

Foto: Kim Cattrall, Sarah Jessica Parker, Kristin Davis e Cynthia Nixon Como Samantha, Carrie, Chalotte e Miranda in Sex and the City, ep 19

Sugar e ser sugado pelo amor



Sugar e ser sugado pelo amor
Sugar e ser sugado pelo amor
no mesmo instante boca milvalente
o corpo dois em um o gozo pleno
que não pertence a mim nem te pertence
um gozo de fusão difusa transfusão
o lamber o chupar e ser chupado
no mesmo espasmo
é tudo boca boca boca boca
sessenta e nove vezes boquilíngua.
(Carlos Drummond de Andrade)

ALGO SOBRE O AMOR...

Para meus amigos que estão... SOLTEIROS.

O amor é como uma borboleta. Por mais que tente pegá-la, ela fugirá. Mas quando menos esperar, ela estará ali do seu lado. O amor poderá te fazer feliz, mas às vezes também poderá te ferir. E ele, o amor, só será verdadeiramente especial, quando você tiver por objetivo dá-lo somente a um alguém, que seja realmente valioso. Por isso, aproveite o tempo livre para escolher melhor.

Para meus amigos... NÃO TÃO SOLTEIROS.
Amor não é se envolver com a "pessoa perfeita", aquela dos nossos sonhos. Não existem príncipes e nem princesas. Encare a outra pessoa de forma sincera e real, exaltando suas qualidades, mas sabendo também de seus defeitos. O amor só é lindo quando encontramos alguém, que nos transforme no melhor que podemos ser.

Para meus amigos que gostam de... PAQUERAR.
Nunca diga "te amo" se não te interessa. Nunca fale sobre sentimentos se estes não existem. Nunca Toque numa vida, se não pretende romper um coração. Nunca olhe nos olhos de alguém, se não quiser vê-los se derramar em lágrimas por causa de ti. A coisa mais cruel que alguém pode fazer é permitir que alguém se apaixone por você, quando você não pretende fazer o mesmo.

Para meus amigos... CASADOS...
O amor não te faz dizer "a culpa é sua", mas o amor te faz dizer "me perdoe". Não é "onde você está?", mas "estou aqui".
Não é "como pôde fazer isso?", mas "eu te compreendo". Não é "eu gostaria que você fosse", mas "te amo, porque você é". Diz o ditado que um casal feliz é aquele feito de dois bons perdoadores. A verdadeira medida de compatibilidade não são os anos que passaram juntos; mas sim de quantos desses anos vocês foram bons um para o outro.

Para meus amigos que têm um... CORAÇÃO PARTIDO...
Uma coração assim dura tanto tempo que você deseje que ele dure, e ele lastimará o tempo que você permitir. Um coração partido sente saudades, imagina como seria bom.
Mas não permita que ele chore para sempre. Permita-se rir e conhecer outros corações. Aprenda a viver, aprenda a amar as pessoas com solidariedade, aprenda a fazer coisas boas, aprenda a ajudar os outros, aprenda a viver sua própria vida. A dor de um coração partido é inevitável, mas o sofrimento é opcional. E lembre-se: é melhor ver alguém que você ama feliz com outra pessoa, do que vê-la infeliz ao seu lado.

Para meus amigos que são... INOCENTES...
Ela se apaixonou por ti, e você não teve culpa, é verdade. Mas pense que poderia ter acontecido com você. Seja sincero, mas não seja duro; não alimente esperanças, mas não seja crítico; você não precisa ser namorado, mas pode descobrir que ela é uma ótima pessoa e pode vir se tornar uma grande amiga.

Para meus amigos que tem... MEDO DE TERMINAR...
Às vezes é duro terminar com aquele alguém, e isso dói em você. Mas dói muito mais quando aquela pessoa rompe contigo, não é verdade? O amor também dói muito quando ela não sabe o que você sente. Não engane tal pessoa, não seja grosso e rude esperando que ela adivinhe o que você quer. Não a force terminar contigo, pois a melhor forma de ser respeitado é respeitar. E a melhor forma de respeitá-la é sendo verdadeiro e sincero.

À TODOS OS MEUS AMIGOS ...
Eu desejo que sejam pessoas com muito amor, sejam honestos, fortes, maduros, que mudem sempre para melhor, e que isso os ajude a crescer como Homens e Mulheres, cheios de virtudes e defeitos.
Pense nisso, mas seja feliz, é sua obrigação.


Não sei a quem pertence esse texto, se alguém souber, manda comentário avisando, por favor...


Por acaso o meu amor não está impresso em todos os objetos que me rodeiam? Não está escrito na minha testa, nos meus olhos, em todas as minhas ações?
MInhas palavras, meus suspiros, até no meu silêncio, aquele silêncio mudo e tão longo, tão profundo, não expressam vivamente os afetos do meu coração?

(Torquato Tasso)

terça-feira, 15 de abril de 2008


Afinal,o fato de o mar estar calmo na superfície não significa que alguma coisa não esteja acontecendo nas profundezas.
(O Mundo de Sofia - Jostein Gaarder)


“Você já abriu seus braços e girou bem rápido?
Assim é o amor. Ele faz o seu coração acelerar. Vira o mundo de cabeça pra baixo. Mas se você não tiver cuidado... Se você não mantiver os olhos em algo parado, você pode perder o equilíbrio. Você pode não ver o que está acontecendo com as pessoas ao seu redor. Você não verá que está prestes a cair”.
(Gilly Owens - personagem de Nicole Kidman em Da Magia à Sedução)

Foto: Sandra Bullock e Nicolle Kidman in Da Magia a Sedução

Saudade


Não sei se saudade tem cor.
Dizem que sim.
O que sei é que ela tem forma, tem gosto, tem cheiro e peso também.
E, acreditem, ela tem “asas”!!!
Se não, como nos transportaria tantas vezes a lugares tão distantes?
E sei ainda que ela se agiganta quando mais tentamos diminuí-la.
Sei que ela dói de dor intensa e sem remédio.
Se não fosse ela, não sei se teríamos consciência do tamanho da importância das pessoas prá gente.
Quando amamos alguém, a saudade já chega por antecipação, sorrateira, disfarçada de algo que não conseguimos decifrar"
(Letícia Thompsom)

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Soneto XI


"Tenho fome de tua boca, de tua voz, de teu pêlo,
e pelas ruas vou sem nutrir-me, calado,
não me sustenta o pão, a aurora me desequilibra,
busco o som líquido de teus pés no dia.

Estou faminto de teu riso resvalado,
de tuas mãos cor de furioso celeiro,
tenho fome da pálida pedra de tuas unhas,
quero comer tua pele como uma intacta amêndoa.

Quero comer o raio queimado de tua beleza,
o nariz soberano do arrogante rosto,
quero comer a sombra fugaz de tuas pestanas

e faminto venho e vou olfateando o crepúsculo
buscando-te, buscando teu coração ardente
como um puma na solidão de Quitratúe."
(Pablo Neruda)

Era uma vez uma menina que anoiteceu em vários sóis. Foi marcada e marcou a muitas coisas e pessoas, a brutas feridas e a breves espaços de se dizer tudo sem falar nada. Era uma vez uma menina que já amou e foi amada, foi traída, foi abraçada, foi mordida, foi beijada com os olhos e morta por palavras. Era uma vez uma menina que de tantos rascunhos resolveu então passar tudo a limpo. Resolveu amanhecer à luz da lua, sóis e velas. Não importa, simplesmente deixou ir a última lágrima, ergueu-se, sorriu e seguiu seu caminho. E isso agora não amassa, não extravia. Todos os rascunhos já estão no lixo.


Não se acostume com o que não o faz feliz,
revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças,
mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue...


(desconheço a autoria)

Saudade nenhuma de mim


Não voltaria um único dia na minha vida, e lembranças boas é o que não me faltam.
(...) Não voltaria ao dia de ontem - e ontem eu era mais jovem do que hoje, ontem eu era mais romântica do que hoje, ontem eu nem tinha pensado em escrever esta crônica, ontem faz mil anos. Não tenho saudades de mim com menos celulite, não tenho saudades de mim mais sonhadora. Não voltaria no tempo para consertar meus erros, não voltaria para a inocência que eu tinha - e tenho ainda. Terei saudades da ingenuidade que nunca perdi? Não tenho saudades nem de um minuto atrás. Tudo o que eu fui prossegue em mim.

(Martha Medeiros)

quinta-feira, 10 de abril de 2008

SOSSEGA CORAÇÃO


Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.
Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperança a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!
Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme.
A grande, universal, solene pausa
Antes que tudo em tudo se transforme


Sei que nunca terei o que procuro
E que nem sei buscar o que desejo,
Mas busco, insciente, no silêncio escuro
E pasmo do que sei que não almejo.
(Fernando Pessoa)

O Contrato


Eu sempre fui sua. Eu já era sua antes mesmo de saber que você um dia não ia me querer. Mas a gente combinou que não era amor.
(...)
Combinamos que não era amor e realmente não é. Mas esse algo que é, é realmente muito libertador. Porque quando você está aqui, ou até mesmo na sua ausência, o resto todo vira uma grande comédia.
(...)
O quão sagrado é ser absurdamente feliz mesmo sabendo a dor que vem depois. O quão sagrado é ver pureza em tudo o que você faz, ainda que você faça tudo sendo um grande safado. O quão sagrado é abrir mão de evoluir só porque andar pra trás é poder cruzar com você de novo. Não é amor não. É mais que isso, é mais que amor. Porque pra te amar mais, eu tenho que te amar menos. Porque pra morrer de amor por você, eu tive que não morrer. Porque pra ter você por perto um pouco, eu tive que não querer mais ter você por perto pra sempre. E eu soquei meu coração até ele diminuir. Só pra você nunca se assustar com o tamanho. E eu tive que me fantasiar de puta, só pra ter você aqui dentro sem medo. Medo de destruir mais uma vez esse amor tão santo, tão virgem. E eu vou continuar me fantasiando de não amor, só pra você poder me vestir e sair por aí com sua casca de não amor.
E eu vou rir quando você me contar das suas meninas, e eu vou continuar dizendo “bonito carro, boa balada, boa idéia, bonita cor, bonito sapato”. E eu vou continuar sendo só daqui pra fora. Porque no nosso contrato, tomamos cuidado em escrever com letras maiúsculas: não existe ninguém aqui dentro.Mas quando, de vez em quando, o seu ninguém colocar ali, meio sem querer, a mão no meu joelho, só para me enganar que você é meu dono. Só para enganar o cara da mesa ao lado que você é meu dono. Eu vou deixar. Vai que um dia você acredita
.(Tati Bernardi)

O não que tinha alma de sim

Só quem tem o poder de te fazer sentir viva, pode fazer você se sentir morta. Só quem arrepia cada centímetro do seu corpo e faz você sentir o sangue bombear num ritmo charmoso, é capaz de estragar o mundo quando parte. Só quem tem o poder de tornar o mundo leve e fazê-la flutuar, também pode afundar sua noite e fazer com que seu corpo se arraste pelos restos que sobraram da festa.
Aonde está a força de negar um desejo se enquanto ele não é saciado continua existindo?
Desejos nascem, ocupam lugares interessantes do seu corpo, e não morrem antes de um formigamento exausto de prazer, uma manhã suja de arrependimentos, hálitos estragados de amargura e clicks que a vida nos dá, também chamados de momentos de verdade, que em muito se parecem com toques de mágica para você sair do estado encantado e falso da imaginação.
O tempo não se encarrega de matar desejos, apenas de substituir os personagens.
Você pensa que é forte sendo moralista, respirando fundo, contando até mil, sumindo da festa, rezando, desviando sua atenção, mas ele está lá, num bar com amigos, te olhando de longe.
E ele continua lá mesmo depois que o táxi o levou, meio embreagado, para casa. Ele está no vazio que deixou, na dúvida de como poderia ter sido, na esperança do próximo encontro, na consciência leve pela negação e pesada pela cobrança de um tesão ainda latente.
Pecados existem, não os julgados por Deus, não as pecuinhas julgadas pelos humanos. Pecados existem dentro dos corações traidores.
Mas se antes meu coração ardeu e se assustou de pecados, agora ele chora de saudade, de covardia e de aceitação. Ele está puro e nem por isso tranqüilo.
Esse é o maior problema dos desejos, eles não aceitam não como resposta. Você só coloca um ponto final nele se for até o fim. E o fim pode ser um simples enjôo ou, na pior das hipóteses, a morte.
Mas você viveu. Para matar um desejo é preciso viver, nem que depois você morra junto com ele.
Indo embora para casa, segurei o peito, que parecia solto, e abafei uma lágrima. Como eu queria agora estar com ele. Por aquelas três horas pagas de delícias e mais meia de arrependimento na hora de se vestir. Por aqueles segundos de esquecimento, mais meses de lembrança. Por algumas palavras idiotas, mais muitas contidas para não parecer idiota.
O desejo me acompanhou até em casa. Muito , muito mais forte que minha nobreza em ter dito não.
Ele está lá. No seu coração, na sua mente, no cheiro que você carrega junto com seu passado. Ele está em cada batimento cardíaco contraído da sua vagina, em cada torção contraída do seu estômado, em cada momento descontraído de seus hormônios.
Você está aqui.
Em cada linha que eu escrevo tentando ser boa redatora, em cada momento correto que eu me agarro para não deixar você errar, em cada provocação estratégica para você nunca desistir de insistir em errar.
Você está aonde eu quero chegar, em tudo que eu quero negar, muito presente.
Não quero uma só uma escapadinha, não quero uma vida ao seu lado. Não quero nunca mais te ver. Queria ter dez minutos com você, o bastante para não mudar minha vida em nada. Quero outra vida. Não estou nem aí pra você. Só penso em você. Você é meu amigo, você é um conhecido, você foi a melhor noite da minha vida. Mais do que qualquer certeza, confusão é paixão. Quis demais que você fosse embora, quis demais que você ficasse pra sempre, quis não pensar, me agarrei numa lógica fria que berrou no meu ouvido que toda ação tem sua reação.
Toda traidora tem seu dia de enganada. Toda vontade negada tem seu dia de câncer. Todo silêncio tem seu dia de grito desesperado. Entenda cada som, de cada letra, de cada palavra, de cada frase, de cada sentença, de cada idéia carregada de desejo, como um grito de cada parte do meu corpo que ficou lacônica quando sua presença física abandonou a festa.
O desejo era tanto, que travei. Tive medo que você tirasse meus grampos e minha maquiagem, a roupa que vesti para seduzí-lo. Tive medo da hora de ir embora, a maior solidão de uma mulher é não poder dormir nos abraços do seu amado, pois ele é seu apenas por três horas.
Tive medo da sua pressa, que sempre me ofende tanto.
Tive medo da sua fidelidade. Você sempre me comeu muito bem, mas nunca me emprestou sem ombro, seu colo, sua mão, seu olhar carinhoso, seu suspiro, seu sono, sua fragilidade.
Tive medo de ser só desejo, porque para mim sempre foi mais. Prefiro ser perseguida pelo meu desejo, que não tem dia para acabar, do que ser abandonada mais uma vez pelo seu, que dura no máximo três horas.
(Tati Bernardi)

quarta-feira, 9 de abril de 2008

"Fico vivendo uma vida toda pra dentro, lendo, escrevendo, ouvindo música o tempo todo."

(Caio Fernando Abreu)


"Na vida só há uma coisa certa além dos impostos e da morte. Não importa o quanto você tente, não importa se são boas as suas intenções, você cometerá erros. Você irá machucar pessoas e se machucar. E se algum dia você quiser se recuperar, há apenas uma coisa que pode ser dita: “eu perdôo”.
Perdoar e esquecer. É isso que dizem por aí. É um bom conselho, mas não muito prático. Quando alguém nos machuca, queremos machucá-los de volta. Quando erra conosco, queremos estar certos. Sem perdão, antigos placares nunca empatam, velhas feridas nunca fecham. E o máximo que podemos fazer é esperar que um dia tenhamos a sorte de esquecer". 

(Grey’s Anatomy)

terça-feira, 8 de abril de 2008

Honestidade

Enquanto crianças, somos ensinados a sermos gentis, compartilhar os brinquedos, comer os vegetais. E se não tiver algo gentil a dizer, não diga nada. Mas, cada vez que deixamos de dizer algo, nós deixamos de conhecermos uns aos outros um pouco mais. Para poupar os sentimentos de alguns, nós escondemos os nossos própios. E quando você esconde o que sente, você acaba com o arrependimento. Ser honesta pode não te fazer a garota mais popular no pátio da escola, mas isso vai te render respeito. E quando garotas legais aprendem a se respeitar, elas sempre se darão bem.
(Men in Trees)

"A vida é um fim em si mesmo. Ela não é um meio de se chegar a um fim, ela é um fim por si só. O pássaro em pleno vôo, a rosa ao vento, o sol nascendo pela manhã, as estrelas à noite, um homem apaixonando-se por uma mulher, uma criança brincando na rua... Não existe propósito algum. A vida é simplesmente usufruir dela, deleitar-se com ela. A energia está transbordando, fluindo, sem absolutamente propósito algum".
(Osho - do livro: Faça o seu coração vibrar)



"Eu não sei se a vida é que vai rápida demais ou se sou eu que estou mais lento. O que sei é que ando me atropelando nos próprios passos.
Eu resolvi desacelerar. Eu vou no rítmo que posso.
Não é fácil. É sabedoria que requer aprendizado! Eu quero aprender.
O descompasso é a causa de todo cansaço. O corpo é rápido, mas o coração não. O corpo anda no compasso da agenda. O coração anda é no compasso do amor miúdo. O corpo sobrevive de andares largos. O coração sobrevive de pequenos passos e de demoras. Eu já fui e voltei a inúmeros lugares e o coração nem saiu do lugar.
O mistério é saber reconciliar as partes. Conciliar um ritmo que seja bom para os dois.
Eu quero aprender. Não quero o martírio antes da hora. Quero é o direito de saborear o tempo como se fosse um menino que perdeu a pressa. O show? Ah, deixa pra depois. A voz não morrerá. Acendemos as luzes noutra hora.

(...)

Há momentos em que a luz miúda nos revela muito mais que mil holofotes.
Chega de vida complicada. Eu preciso é de simplicidade"!

(Pe. Fábio de Melo)

"... essa aceitação ingênua de quem não sabe que viver é, constantemente, construir, e não derrubar. De quem não sabe que esse prolongado construir implica erros - e saber viver implica em não ver esses erros, em suavizálos e distorcê-los ou mesmo eliminálos para que o restante da construção não seja ameaçado." 


(Caio Fernando Abreu)

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isto não tem muita importância.
O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado. 

(Shakespeare in 'Sonho de uma noite de verão')

Amor é prosa, sexo é poesia

Sábado, fui andar na praia em busca de inspiração para meu artigo de jornal. Encontro duas amigas no calçadão do Leblon:
- Teu artigo sobre amor deu o maior auê... – me diz uma delas.
- Aquele das mulheres raspadinhas também... Aliás, que você tem contra as mulheres que barbeiam as partes? – questiona a outra.
- Nada... – respondo. – Acho lindo, mas não consigo deixar de ver ali nas partes dessas moças um bigodinho sexy... não consigo evitar... Penso no bigodinho do Hitler, do Sarney... Lembram um sarneyzinho vertical nas modelos nuas... Por isso, acho que vou escrever ainda sobre sexo...
Uma delas (solteira e lírica) me diz:
- Sexo e amor são a mesma coisa...
A outra (casada e prática) retruca:
- Não são a mesma coisa não...
Sim, não, sim, não, nasceu a doce polêmica ali à beira-mar. Continuei meu cooper e deixei as duas lindas discutindo e bebendo água-de-coco. E resolvi escrever sobre essa antiga dualidade: sexo e amor. Comecei perguntando a amigos e amigas. Ninguém sabe direito. As duas categorias trepam, tendendo ou para a hipocrisia ou para o cinismo; ninguém sabe onde a galinha e onde o ovo. Percebo que os mais “sutis” defendem o amor, como algo “superior”. Para os mais práticos, sexo é a única coisa concreta. Assim sendo, meto aqui minhas próprias colheres nesta sopa.
O amor tem jardim, cerca, projeto. O sexo invade tudo isso. Sexo é contra a lei. O amor depende de nosso desejo, é uma construção que criamos. Sexo não depende de nosso desejo; nosso desejo é que é tomado por ele. Ninguém se masturba por amor. Ninguém sofre de tesão. O sexo é um desejo de apaziguar o amor. O amor é uma espécie de gratidão posteriori pelos prazeres do sexo.
O amor vem depois, o sexo vem antes. No amor, perdemos a cabeça, deliberadamente. No sexo, a cabeça nos perde. O amor precisa do pensamento.
No sexo, o pensamento atrapalha; só as fantasias ajudam. O amor sonha com uma grande redenção. O sexo só pensa em proibições: não há fantasias permitidas. O amor é um desejo de atingir a plenitude. Sexo é o desejo de se satisfazer com a finitude. O amor vive da impossibilidade sempre deslizante para a frente. O sexo é um desejo de acabar com a impossibilidade. O amor pode atrapalhar o sexo. Já o contrrário não acontece. Existe amor sem sexo, claro, mas nunca gozam juntos. Amor é propriedade. sexo é posse. Amor é a casa; sexo é invasão de domicílio. Amor é o sonho por um romântico latifúndio; já o sexo é o MST. O amor é mais narcisista, mesmo quando fala em “doação”. Sexo é mais democrático, mesmo vivendo no egoísmo. Amor e sexo são como a palavra farmakon em grego: remédio e veneno. Amor pode ser veneno ou remédio. Sexo também – tudo dependendo das posições adotadas.
Amor é um texto. Sexo é um esporte. Amor não exige a presença do “outro”; o sexo, no mínimo, precisa de uma “mãozinha”. Certos amores nem precisam de parceiro; florescem até mas sozinhos, na solidão e na loucura. Sexo, não – é mais realista. Nesse sentido, amor é uma busca de ilusão. Sexo é uma bruta vontade de verdade. Amor muitas vezes e uma masturbação. Seco, não. O amor vem de dentro, o sexo vem de fora, o amor vem de nós e demora. O sexo vem dos outros e vai embora. Amor é bossa nova; sexo é carnaval.
Não somos vítimas do amor, só do sexo. “O sexo é uma selva de epiléticos” ou “O amor, se não for eterno, não era amor” (Nelson Rodrigues). O amor inventou a alma, a eternidade, a linguagem, a moral. O sexo inventou a moral também do lado de fora de sua jaula, onde ele ruge. O amor tem algo de ridículo, de patético, principalmente nas grandes paixões. O sexo é mais quieto, como um caubói – quando acaba a valentia, ele vem e come. Eles dizem: “Faça amor, não faça a guerra”. Sexo quer guerra. O ódio mata o amor, mas o ódio pode acender o sexo. Amor é egoísta; sexo é altruísta. O amor quer superar a morte. No sexo, a morte está ali, nas bocas... O amor fala muito. O sexo grita, geme, ruge, mas não se explica. O sexo sempre existiu – das cavernas do paraíso até as saunas relax for men. Por outro lado, o amor foi inventado pelos poetas provinciais do século XII e, depois, revitalizado pelo cinema americano da direita cristã. Amor é literatura. Sexo é cinema. Amor é prosa; sexo é poesia. Amor é mulher; sexo é homem – o casamento perfeito é do travesti consigo mesmo. O amor domado protege a produção. Sexo selvagem é uma ameaça ao bom funcionamento do mercado. Por isso, a única maneira de controla-lo é programa-lo, como faz a indústria das sacanagens. O mercado programa nossas fantasias.
Não há saunas relax para o amor. No entanto, em todo bordel, FINGE-SE UM “AMORZINHO” PARA INICIAR. O amor está virando um “hors-d’oeuvre” para o sexo. O amor busca uma certa “grandeza”. O sexo sonha com as partes baixas. O PERIGO DO SEXO É QUE VOCÊ PODE SE APAIXONAR. O PERIGO DO AMOR É VIRAR AMIZADE. Com camisinha, há sexo seguro, MAS NÃO HÁ CAMISINHA PARA O AMOR. O amor sonha com a pureza. Sexo precisa do pecado. Amor é o sonho dos solteiros. Sexo, o sonho dos casados. Sexo precisa da novidade, da surpresa. “O grande amor só se sente no ciúme” (Proust). O grande sexo sente-se como uma tomada de poder. Amor é de direita. Sexo, de esquerda (ou não, dependendo do momento político. Atualmente, sexo é de direita. Nos anos 60, era o contrário. Sexo era revolucionário e o amor era careta). E por aí vamos. Sexo e amor tentam mesmo é nos afastar da morte. Ou não; sei lá...
(ACHO que é de Arnaldo Jabor)


Amoldamos o amor às nossas necessidades, mas o amor de verdade não se deixa manipular.
Amor é um sentimento que está se lixando para nossas emergências sociais. Não surge por causa da nossa vontade de ter filhos, ou da nossa vontade de ter um lar, ou da nossa vontade de ter uma vida menos solitária. O amor não é tão camarada. Ele não pergunta antes quantos anos você tem, se você está solteiro ou casado: o amor ataca indiscriminadamente, o amor é violento em sua chegada, vai destruindo todas as teorias, surpreende por ser tão preciso. O amor desconcerta, o amor faz com que alguém fixe moradia na sua mente e no seu coração, e você vai tocando a vida, fingindo que está interessado em outras coisas e em outras pessoas, mas a única existência comprovada é daquilo que você sente profundamente, querendo ou não, podendo ou não.
(MArtha Medeiros)

Que coisas são essas que me dizes sem dizer, escondidas atrás do que realmente quer dizer?
Tenho me confundido na tentativa de te decifrar, todos os dias. Mas confuso, perdido, sozinho, minha única certeza é que de cada vez aumenta ainda mais minha necessidade de ti. Torna-se desesperada, urgente. Eu já não sei o que faço. Não sinto nenhuma alegria além de ti.
Como pude cair assim nesse fundo poço? Quando foi que me desequilibrei? Não quero me afogar: Quero beber tua água. Não te negues, minha sede é clara.
( Extraído do livro Caio Fernando Abreu- Caio 3D, O Essencial da Década de 1980, p.186)



Sou quase incapaz de pensamentos abstratos, vocês devem ter notado que estou continuamente me apoiando em citações e lembranças”
(Jorge Luis Borges in Obras Completas v. 3)

domingo, 6 de abril de 2008

Romeo & Julieta


• É pena que o amor, na aparência tão doce, seja no fundo tão tirano e duro. (Benvólio)


• Leveza pesada, pena de chumbo, fogo gelado, saúde doente, sono acordado: o amor é o que não é. (Romeo)


• O amor é uma fumaça de suspiros, é fogo que ameaça o olhar, é um rio de lágrimas quando contrariado... Que mais? É uma loucura sensata, é um fel que sufoca, é uma doçura que anima... (Romeo)


• Se o amor é duro com você, seja também duro: revide as pancadas que ele der. Dêem-me algo para cobrir o rosto!
(Pondo uma máscara)
Uma máscara em cima da outra! Que importa saber quem é quem? A feiúra
é toda minha, mas o rubor da vergonha é de ninguém. (Mercúrio)


• Se o amor é cego, nunca acerta o alvo. (Mercúrio)


• Só ri das cicatrizes quem ferida nunca sofreu no corpo. (Romeo)


• Romeu, Romeu! Ah! por que és tu Romeu?
Renega o pai, despoja-te do nome; ou então, se não
quiseres, jura ao menos que amor me tens, porque
uma Capuleto deixarei de ser logo.
(...)
Meu inimigo é apenas o teu nome.
Continuarias sendo o que és, se acaso Montecchio tu
não fosses. Que é Montecchio? Não será mão, nem
pé, nem braço ou rosto, nem parte alguma que
pertença ao corpo. Sê outro nome. Que há num
simples nome? O que chamamos rosa, sob uma outra
designação teria igual perfume. Assim Romeu, se não
tivesse o nome de Romeu, conservara a tão preciosa
perfeição que dele é sem esse título. Romeu, risca
teu nome, e, em troca dele, que não é parte alguma
de ti mesmo, fica comigo inteira”.
(Julieta)


• Com as leves asas do amor transpus estes muros, porque os limites de pedra não servem de empecilho para o amor. E o que o amor pode fazer, o amor ousa tentar. (Romeo)


• Boa noite, meu querido: que a brisa do verão amadureça este botão de amor, quando nos virmos outra vez, e faça dele flor. Repouse meu coração na doce calma, igual a que agora o amor me faz sentir. (Julieta)

Foto: Leonardo DiCaprio e Claire Danes in Romeo e Julieta

DAQUI PRA FRENTE

"Eu sou rebelde porque o mundo quis assim..." Você não vai lembrar dessa música, e se lembrar, vai ser esperto e mentir que não lembra. É o choramingo de alguém que acha que foi injustiçado na sua tenra infância, e que agora o mal está feito. Tá assim, ó, de gente que credita seu insucesso ao passado: "meu pai não me amou, minhas roupas eram todas de segunda mão, meus professores faziam piada com o meu nariz e o primeiro garoto por quem me apaixonei disse que preferiria namorar uma dragqueen paraguaia a ter que me encarar". Putz, é de frustrar qualquer esperança no futuro. Todo mundo tem uma história triste pra contar. Todos, não escapa um. E é muito natural a gente justificar as besteiras que a gente faz culpando o episódio a, b ou c da nossa biografia. Você simplesmente é assim desse jeito (fútil, ou agressivo, ou inseguro) por causa do que fizeram com você. Pois outro dia um amigo virtual me escreveu um e-mail muito interessante. Ele, que é humano como nós, teve lá seus percalços durante sua criação, e teria todos os motivos pra enfiar a cabeça dentro de um fogão e declarar-se inapto para a felicidade. Mas descartou essa atitude covarde. Diz ele: "não importa o que fizeram com você, importa o que você vai fazer com o que fizeram de você". Adorei. É isso aí. Dane-se que não lhe deram carinho, que não se interessaram

pelas suas dores. Uma banana para os que lhe fecharam a porta, para todas as respostas negativas que você ouviu. A melhor vingança é não se deixar abater, é transformar este pote até aqui de mágoa em combustível para seguir viagem sozinho. Até mesmo os que estão no topo do ranking dos bem-sucedidos já levaram seus trancos no passado. E, no entanto estão lá em cima da pirâmide, abanando para os vampiros e canibais que deixaram pra trás.

Sem desculpa: você sofreu, todo mundo sofreu, e vem mais provação por aí, que vida é isso, paz e chumbo grosso, alternadamente. O que foi, afinal, que fizeram com você? Se ainda não chorou toda esta dor, chore agora, chore até o fim da vida, mas não deixe que isso lhe paralise. O que importa é o que você fez e faz consigo mesmo.
(Martha Medeiros)

Um olhar amoroso sobre si mesmo


Esperanças costumam nascer das derrotas. É a resposta da vida quando o silêncio parece prevalecer sobre suas falas. Eu gosto de ouvir as vozes dos acontecimentos. O desafio é calar minhas perguntas desnecessárias. Enquanto pergunto eu perco o poder de ouvir. Minha voz e suas interrogações não me permitem perceber a resposta que está alojada no interior do acontecimento.

Perseguir o silêncio é o mesmo que perseguir a sabedoria. Os sábios falam menos e escutam mais. Eles não se apressam em dar nomes às realidades. Eles demoram os olhos na realidade e sabem aprecia-la sem pressa. Olhar devagar é um dom que desejo possuir.

O olhar apressado é a matriz de todo preconceito. Acho que vi, mas não vi. E o pior, digo que vi, sem ter visto.

Jesus só olhou o mundo sem pressa. E por isso Ele era capaz de ver o que ninguém via. Olhou Madalena e não viu a prostituta que todos viram. Viu a mulher, viu o ser humano que precisava ser resgatado dos olhares apressados que a condenavam.
Olhou Pedro e não viu somente o pescador. Viu o homem que poderia vir a ser. Viu a eloqüência das palavras aprisionadas em seu “não saber dizer”. Viu o profeta escondido detrás da timidez e do medo. Ultrapassou os excessos da vida errante e enxergou o santo que ali estava adormecido.

Eu não sei como anda o seu olhar sobre si mesmo. Não sou conhecedor da pressa ou da calma do seu olhar. Uma só coisa eu sei, e sobre isso quero lhe dizer. Há em você um universo de verdades a ser descoberto. Há uma humanidade linda que ainda precisa passar pelo processo do florescimento.

Não sabe por onde começar? Eu lhe dou uma dica. Comece a prestar atenção no jeito com você se enxerga, no jeito como você se trata, no jeito como você se interpreta. Não aloje em seu coração sentimentos que sejam contrários à sua felicidade. Não deixe demorar dentro de você o que na vida não valeu à pena. Expulse de sua mente tudo o que for contrário ao que Deus espera de você.

Cultive esta certeza: o olhar de Jesus já lhe atingiu! Ele confia profundamente em tudo o que você ainda pode ser. Não se prenda aos seus fracassos. Eles não são nada perto de tudo o que Deus preparou para o seu futuro. Derrotas podem ser fontes de esperanças...

Veja o avesso de suas inseguranças. Há uma coragem que você precisa enxergar. Ela é necessária como o pão de cada dia.

Hoje é dia de olhares demorados...

Veja em você o que Jesus já viu. Lance sobre você um olhar amoroso. É disso que você está necessitando. (Pe. Fábio de Melo)

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